segunda-feira, 20 de março de 2017

The Vessel

Nome do Filme : “The Vessel”
Titulo Inglês : “The Vessel”
Ano : 2016
Duração : 86 minutos
Género : Drama
Realização : Julio Quintana
Elenco : Martin Sheen, Lucas Quintana, Aris Mejias, Jacqueline Duprey, Marise Alvarez, Hiram Delgado, Jorge Luis Ramos, Marian Pabon, Elia Enid Cadilla, Sunshine Logrono, Julio Ramos Velez, Leslie Van Zandt, Leonardo Castro.

História : Uma tragédia que vitimou todas as crianças de uma aldeia continua a atormentar os seus habitantes uma década depois.

Comentário : Cá está um filme que me surpreendeu pela positiva não por ser produzido por Terrence Malick, mas sim porque um realizador menos conceituado conseguiu conceber uma obra parecida com os filmes do realizador anti-social. De facto, os traços de Malick estão lá quase todos e neste caso não se trata de uma simples imitação, é parecido mas diferente. É uma história que se segue bem e embora lá pelo meio as coisas se percam um pouco, o realizador volta a amarrar as pontas e o final é satisfatório e bastante emotivo. A banda sonora ajudou a embalar a narrativa e nos ofereceu bons momentos, alguns graças à beleza e à prestação de Aris Mejias e que bem que ela fica naquele vestido azul. Martin Sheen tem a melhor prestação do filme, ele sempre foi um grande actor. Lucas Quintana deixou-me admirado, não o conhecia e gostei da sua interpretação. Jacqueline Duprey e Marise Alvarez também estão muito bem nas suas prestações, com destaque para a primeira. O filme peca por ter cenas secantes e umas poucas que nada acrescentam para a história que se pretende contar. A água também tem um papel importante nesta fita, onde o tema da religião também é tocado. É um filme muito curto, não fazia mal ser detentor de mais uns vinte minutos, mas com cenas úteis e que servissem a história. A sequência final entre mãe e filho é muito bonita.

domingo, 19 de março de 2017

Chronic

Nome do Filme : “Chronic”
Titulo Inglês : “Chronic”
Ano : 2015
Duração : 93 minutos
Género : Drama
Realização : Michel Franco
Produção : Michel Franco
Elenco : Tim Roth, Sarah Sutherland, Elizabeth Tulloch, Michael Cristofer, Maribeth Monroe, David Dastmalchian, Claire Van Der Boom, Tate Ellington, Robin Bartlett, Joe Santos, Laura Niemi, Kari Coleman, Nailea Norvind, Rachel Pickup, Harris Shore, Ben Berkowitz, Lee Harmon, Christopher McCann, Gigi Quartararo, Cleo Fraser.

História : David é um enfermeiro que trabalha com doentes terminais. Eficiente e dedicado ao trabalho, desenvolve relações fortes, e por vezes íntimas, com cada pessoa que trata. Mas fora do horário de trabalho, parece muitas vezes fútil, estranho e reservado, como se precisando tanto dos seus pacientes como estes dele.

Comentário : É muito bom quando um filme nos prende ao ecrã, quando nos deixa desconfortáveis, nos incomoda e mexe connosco. Depois do muito bom “After Lucia”, o realizador Michel Franco regressa ao bom cinema com este drama intimista sobre um enfermeiro detentor de um passado trágico que é extremamente dedicado ao seu trabalho. Longe das merdas comerciais de Hollywood, o actor Tim Roth tem aqui um excelente registo, eu adorei vê-lo dentro deste personagem, está num tom dramático que surge também envolto em grande complexidade. É uma boa história, que se segue muito bem, eu adorei seguir o quotidiano de David, quando ele cuida dos seus pacientes e se dedica totalmente a eles sendo por vezes mal interpretado. Quando ele vê as fotos no facebook de uma filha que já não vê há alguns anos e que tem muita vontade de a rever ou ainda quando ele se vê indeciso em tomar uma medida mais drástica face a um paciente. O filme consegue ainda a mais valia de nos dar uma noção de como são as vidas dos doentes terminais e é graças ao personagem de um excelente Tim Roth que temos a imagem de como se sentem esses doentes quando gostam dos seus enfermeiros. Os actores que desempenharam os principais doentes terminais dedicaram-se totalmente aos seus papéis. Gostei também bastante de ver Tim Roth e Sarah Sutherland contracenarem juntos, eles funcionam muito bem como pai e filha. Por último, quando pensávamos que já tínhamos passado por muito drama, o realizador nos faculta um final que nos deixa completamente derrotados. Adorei este filme. 

sábado, 18 de março de 2017

Being 17

Nome do Filme : “Quand On A 17”
Titulo Inglês : “Being 17”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Andre Techine
Produção : Olivier Delbosc/Marc Missonnier
Elenco : Sandrine Kiberlain, Kacey Mottet Klein, Corentin Fila, Mama Prassinos, Alexis Loret, Jean Fornerod, Jean Corso.

História : Marianne é uma médica que tem um marido na guerra e um filho adolescente chamado Damien que é vítima de bullying por parte do colega Thomas. Um dia, ela socorre a mãe de Thomas e engraça com o rapaz sem suspeitar da rivalidade existente entre ele e o filho. Marianne toma então uma decisão que irá alterar a relação dos dois rapazes.

Comentário : Cá temos o novo filme de André Téchiné, ou seja, mais um bom filme. Pessoalmente, gostei deste filme porque ele possui um twist que se vai figurando aos poucos, os dois protagonistas masculinos começam como inimigos e terminam num estado bem diferente. Mas não foi somente isso que eu gostei. Na mente, ficam igualmente bonitas paisagens e uma realização muito eficaz, o cineasta sabe mostrar a história que pretende contar. É fascinante acompanharmos os acontecimentos e testemunharmos como as coisas vão de um ponto para o outro. Este é um filme que aborda vários dramas humanos vividos por dois jovens e pelos respectivos pais. São duas famílias que se conhecem e passam a conviver, mesmo vivendo longe uma da outra. O realizador sempre soube trabalhar os sentimentos humanos e neste seu novo filme dá mais provas disso, a relação que se vai criando entre os dois rapazes é o ponto chave da fita. Para tal, contam imenso as excelentes interpretações de Kacey Mottet Klein e Corentin Fila. Como protagonista feminina, temos uma Sandrine Kiberlain que esteve à altura do desafio, sem dúvidas, a melhor prestação do longa. Apesar do final não ser o mais interessante, estamos perante mais uma grande obra de André Téchiné, porque todo o resto do filme é muito bom.

Little Men

Nome do Filme : “Little Men”
Titulo Inglês : “Little Men”
Titulo Português : “Homenzinhos”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Ira Sachs
Elenco : Greg Kinnear, Jennifer Ehle, Theo Taplitz, Paulina Garcia, Michael Barbieri, John Procaccino, Ching Valdes Aran, Alfred Molina, Stella Schnabel, Yolonda Ross, Talia Balsam, Mauricio Bustamante, Clare Foley, Maliq Johnson, Anthony Angelo Flamminio, Madison Wright, Teeka Duplessis, Chinasa Ogbuagu.

História : Após a morte do avô, Jake, de 13 anos, vê de repente a família mudar-se de Manhattan para a antiga casa onde o pai cresceu em Brooklyn. Aí Jake faz um amigo, Tony, cuja mãe, Leonor, uma costureira chilena dirige sozinha uma loja de roupa no rés-do-chão. Os pais de Jake – Brian, um actor em dificuldades e Kathy, uma psiquiatra – não demoram a pedir a Leonor um grande aumento de renda da loja. Para Leonor, a nova renda é insustentável e inicia-se uma disputa entre os adultos, que afecta os miúdos.

Comentário : Apesar de não ser muito conceituado, Ira Sachs é um bom realizador e possui bons filmes enquanto cineasta, sendo este “Little Men” o seu melhor trabalho enquanto tal. É um filme leve e inspirador mas ao mesmo tempo, duro e directo na mensagem que se propõe a passar. Trata-se de um pequeno filme independente cuja temática familiar faz questão de estar presente na maioria das cenas. Também existe muita tensão aqui e isso acontece devido a dinheiro, a sinopse fala por si. No fundo, o que começa por ser uma história simples, logo avança para algo difícil de gerir, já que aquele pai quer mesmo que a inquilina pague o triplo da quantia simbólica que pagava ao pai dele. E isso afecta a relação de amizade que os filhos de ambas as partes têm, o que origina conflitos entre os adultos. Com uma cuidada banda sonora que se torna bastante agradável em algumas cenas, o filme segue sempre o seu caminho no tom certo e nunca descarrila. Existe um actor famoso que não está a fazer nada neste filme, ele apenas surge em duas cenas, quem viu o filme vai perceber do que eu estou a falar. Os actores graúdos estiveram bem, mas o mérito vai todo para os dois jovens que desempenham os filhos das famílias em conflito, estão bastante convincentes. E quando esperávamos um final todo arranjadinho, eis que o realizador nos volta a surpreender.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Neruda

Nome do Filme : “Neruda”
Titulo Inglês : “Neruda”
Titulo Português : “Neruda”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Biográfico
Realização : Pablo Larrain
Elenco : Gael Garcia Bernal, Luis Gnecco, Mercedes Moran, Emilio Gutierrez Caba, Alejandro Goic, Diego Munoz, Pablo Derqui, Marcelo Alonso, Michael Silva, Francisco Reyes, Jaime Vadell, Alfredo Castro.

História : Um inspector persegue Pablo Neruda, o poeta chileno, que se torna num fugitivo no seu país na década de 1940 por se juntar ao partido comunista.

Comentário : No mesmo ano, o cineasta Pablo Larrain realizou dois filmes, onde este “Neruda” se inclui. É um filme com uma forte componente política, ela surge vincada até porque se referencia muitas vezes que é mau alguém ser comunista, quando se sabe que a direita é bem pior. Pessoalmente, nunca percebi porque motivo os comunistas sempre foram mal vistos, quando foi quase sempre de partidos de direita que veio o mal para as sociedades. Esta obra é bastante consistente, nota-se que o realizador teve a devida atenção à recriação de época e isso verificou-se principalmente devido ao excelente guarda-roupa e aos fantásticos veículos que se usavam na altura. O mesmo não se pode dizer da maioria das cenas passadas no interior dos carros em movimento, nestes casos, a montagem é deficiente e percebe-se bem que existe qualquer coisa que não está bem ali, faz lembrar as técnicas usadas nos filmes antigos. Gostei da fotografia e da banda sonora. Gael Garcia Bernal está quase irreconhecível no seu curioso papel, confesso que gostei muito de o ver neste registo, possui uma boa interpretação. Mas os grandes méritos vão para o actor Luis Gnecco que vestiu de forma perfeita a pele do escritor Pablo Neruda. A ser verdade o que se vê neste filme e eu confesso que fiquei a saber algumas coisas interessantes sobre o escritor chileno e sobre aquela época.

Brimstone

Nome do Filme : “Brimstone”
Titulo Inglês : “Brimstone”
Titulo Alternativo : “Koolhoven's Brimstone”
Ano : 2016
Duração : 149 minutos
Género : Western/Thriller/Mystery
Realização : Martin Koolhoven
Produção : Els Vandevorst
Elenco : Guy Pearce, Dakota Fanning, Emilia Jones, Kit Harington, Carice Van Houten, Ivy George, William Houston, Carla Juri, Jack Hollington.

História : Uma jovem mãe faz tudo o que pode para proteger a filha pequena de um padre criminoso. Uma adolescente tenta escapar a esse mesmo homem.

Comentário : Temos aqui um filme estranho, pesado, difícil de assistir e que não é fácil de nós entrarmos na história ou nas histórias, já para não falar na violência que tem cenas muito gráficas. Digo mesmo que algumas cenas provocam um certo desconforto no espectador, por exemplo, uma delas está relacionada com uma das ovelhas que aparece morta, havia mesmo necessidade daquilo?. A narrativa está dividida em quatro capítulos muito intrigantes e envoltos num grande clima de tensão e mistério. Eu gostei dos quatro capítulos, mas confesso preferir o último. É também um filme escuro e frio, tendo cenas marcantes que mostram isso mesmo, repito, não é fácil comprarmos as histórias. Também não é um filme de fácil compreensão, há umas coisas que custam a entender e umas quantas que não têm explicação. Eu não gosto muito quando me explicam tudo, mas tem certas coisas que mereciam um simples esclarecimento através das imagens ou pela voz da narradora. E quando eu me refiro a essas coisas, estou claramente a falar de certas atitudes das personagens ou de algumas coisas que vão acontecendo. O filme deambula habilmente entre passado e presente, jogando bem com os tempos.

Onde o filme ganha mais peso é nas interpretações do seu elenco. Guy Pearce está soberbo, o seu horrível e maldoso personagem consegue nos transmitir raiva, repulsa, ódio e desejo de vingança, por exemplo, tem uma cena que envolve o seu olhar iluminado pelas chamas de uma fogueira que é de arrepiar. Dakota Fanning desempenha uma das personagens centrais, no caso, ela faz de muda que gosta de ajudar o próximo, tendo uma boa prestação e eu adorei vê-la neste registo. Inclusive, a personagem dela tem uma filha pequena e a relação entre as duas é perfeita. Mas confesso que a melhor prestação da fita cabe a Emilia Jones, esta linda jovem tem um capítulo inteiro por sua conta e a sua entrega ao papel é enorme, tendo uma forte presença no ecrã, ela é ainda a personificação da inocência. O elenco principal conta ainda com nomes como Kit Harington, Carice Van Houten, William Houston e Ivy George, todos muito bem nos seus papéis. Apesar de não ser um filme fácil, o resultado é positivo. Eu confesso que gostei do filme, embora reconheça que foi difícil testemunhar certa coisas. É bom, chegarmos ao fim dos quatro capítulos e vermos a história completa, a história de Joanna. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

The Salesman

Nome do Filme : “Forushande”
Titulo Inglês : “The Salesman”
Titulo Português : “O Vendedor”
Ano : 2016
Duração : 126 minutos
Género : Drama
Realização : Asghar Farhadi
Produção : Asghar Farhadi
Elenco : Taraneh Alidoosti, Shahab Hosseini, Babak Karimi, Mina Sadati, Farid Sajjadi Hosseini, Mojtaba Pirzadeh, Emad Emami, Maral Bani Adam, Mehdi Koushki, Sam Valipour, Shirin Aghakashi, Sahra Asadollahe, Ehteram Boroumand.

História : A vida de um casal de actores é virada do avesso quando se mudam para um apartamento que terá pertencido a uma prostituta.

Comentário : Finalmente vi este filme e confesso que adorei. Tal como aconteceu em “Uma Separação” e “O Passado”, o realizador Asghar Farhadi volta-nos a brindar com um filme detentor de um excelente argumento. É impressionante como este filme me deixou tenso, devido ao rumo que as coisas tomam e também devido às atitudes do protagonista masculino. Emad e Rana são um casal bastante convincente e a situação que se vai gerando entre os dois é desesperante. A situação de que ela é vítima vai aos poucos degradando a relação de ambos. Ver este filme é como puxar a ponta de um novelo e ver, à medida que ele se desenrola, as coisas surgirem diante dos nossos olhos. É tudo muito interessante. Taraneh Alidoosti e Shahab Hosseini têm poderosas interpretações, já para não falar da química entre eles que é muito boa e funcionou. O realizador sabe trabalhar bem os seus actores nos filmes que faz e isso não se verificou apenas pelo dueto principal, o elenco de secundários esteve também bastante competente, no seu todo, pareciam pessoas reais. A história é muito boa, por vezes chega mesmo a mexer connosco devido ao seu clima de tensão, principalmente em algumas cenas. Tal como sucedeu nos seus dois filmes anteriores, este “The Salesman” também acaba em aberto, embora nos três casos tenha sido uma mais valia. A estatueta dourada foi muito bem atribuída.

On The Milky Road

Nome do Filme : “On The Milky Road”
Titulo Inglês : “On The Milky Road”
Titulo Português : “Na Via Láctea”
Ano : 2016
Duração : 125 minutos
Género : Drama
Realização : Emir Kusturica
Produção : Emir Kusturica
Elenco : Emir Kusturica, Monica Bellucci, Sloboda Micalovic, Maria Darkina.

História : A história de amor entre um leiteiro e uma mulher servo italiana.

Comentário : Ainda me lembro que o primeiro e único filme de Emir Kusturica que vi no cinema foi “A Vida é um Milagre”, um filme de que gostei bastante. O surrealismo e a comédia seca são duas características do cinema do realizador. E neste seu novo filme podemos contar com isso. Os animais também são relevantes e estão sempre presentes nos seus filmes. Aqui passa-se o mesmo. O falcão amigo, os patos que se banham numa banheira cheia de sangue, a galinha que adora ver-se ao espelho, a cobra que gosta de beber leite e uma outra que ajuda o nosso protagonista, o burro assustado, os gatos que adoram beber leite, as ovelhas tontas, a vaca que apenas serve para dar leite, enfim, todos têm um importante papel a desempenhar. E Monica Bellucci encaixa muito bem no cenário patusco de Kusturica que, seja como realizador, seja enquanto protagonista, é rei e senhor neste mundo surreal. O filme possui ainda bons momentos cómicos que nunca caem no ridículo. Temos belíssimos planos aéreos e ainda cenas debaixo de água muito bem filmadas. A sequência das ovelhas que rebentam nas minas está muito bem conseguida. A química entre Emir Kusturica e Monica Bellucci funcionou e a história prende na medida do possível quem vê o desenrolar dos acontecimentos. Não é um dos melhores filmes do cineasta, mas é uma boa obra cinematográfica. 

In Dubious Battle

Nome do Filme : “In Dubious Battle”
Titulo Inglês : “In Dubious Battle”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama/Histórico
Realização : James Franco
Produção : James Franco
Elenco : James Franco, Nat Wolff, Vincent D'Onofrio, Selena Gomez, Robert Duvall, Ed Harris, Sam Shepard, Analeigh Tipton, Ahna O'Reilly, Jack Kehler, Josh Hutcherson, John Savage, Zach Braff, Ashley Greene.

História : Por volta dos anos 1930, um activista e um jovem rapaz estão dispostos a lutar pelos direitos dos trabalhadores que são explorados nos campos de fruta, um pouco por todo o país. Assim, eles infiltram-se num grupo de trabalhadores e começam a fomentá-los contra os patrões, com a intenção de provocar um conflito. O que começa com uma greve, logo culmina em algo que foge ao seu controlo.

Comentário : Confesso que não simpatizo muito com o trabalho de James Franco enquanto realizador, prefiro-o como actor. Este é possivelmente o único filme dele como realizador que eu gostei. Ainda assim, não se trata de nada de especial. É sim, um filme razoável com componentes históricas que aborda factos que aconteceram na realidade. É uma fita baseada em factos verídicos. O filme está bem realizado, notei que a produção teve um cuidado especial nos detalhes e principalmente no guarda-roupa. Em relação à mensagem, creio que essa passou com clareza, pessoalmente, eu entendi o que eles pretendiam dizer, mas também não é muito difícil. O filme tem conflitos entre alguns personagens, embora seja possuidor de algumas atitudes de certos elementos que não fazem grande sentido. Também aqui é explicado que as pessoas que trabalhavam nos campos de fruta eram bastante influenciadas por aquilo que lhes diziam. E isso vê-se através do personagem de James Franco, ele fez deles o que quis. James Franco e Nat Wolff possuem boas interpretações enquanto que todo um elenco de secundários com nomes bem conhecidos fez um trabalho igualmente competente. Selena Gomez tem neste filme a melhor prestação que eu vi dela num filme, isto porque, ela não possui grandes papéis na sua carreira, mas não há dúvidas que a miúda é linda. É um filme de época que está bastante aceitável. 

sábado, 11 de março de 2017

Logan

Nome do Filme : “Logan”
Titulo Inglês : “Logan”
Titulo Português : “Logan”
Ano : 2017
Duração : 137 minutos
Género : Drama/Ação
Realização : James Mangold
Elenco : Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez, Richard E. Grant, Eriq La Salle, Elise Neal, Quincy Fouse, Krzysztof Soszynski, Stephen Dunlevy, Hannah Westerfield, Ashlyn Casalegno, Alison Fernandez, Bryant Tardy, Parker Lovein, Doris Morgado.

História : Num futuro próximo, os mutantes estão quase extintos, entre eles está Logan. Física e psicologicamente debilitado, Logan é contactado por Gabriela, que lhe pede ajuda para educar e treinar a pequena Laura, uma jovem mutante com poderes idênticos aos seus, que precisa de um mentor que lhe guie os seus passos e a proteja dos seus inimigos.

Comentário : Eu já tinha prometido a mim mesmo que não mais comentaria cinema comercial neste espaço e muito menos filmes de super-heróis (Wonder Woman será a excepção), mas a “despedida” de Hugh Jackman ao papel de Logan merecia um último comentário, vamos a isso. A saga dos mutantes no cinema já conta com dez filmes, onde se incluí este “Logan”, que confesso, foi uma enorme desilusão para mim. Mas a verdade tem que ser dita, trata-se do melhor filme sobre os mutantes que a Marvel já fez. Mas não se enganem, não só este filme não é aquele que o primeiro trailer prometera, como também ainda não foi desta que a Marvel nos facultou um filme de super-heróis para adultos, apesar de toda a violência que o filme tem. O filme é muito violento, mas isso foi apenas uma estratégia de marketing para atrair mais gente às salas de cinema. Esta continua a ser uma violência combinada. Ainda não foi desta que Hollywood fugiu às exigências dos estúdios que sempre prevalecem, ou seja e tal como sucedeu com “Deadpool”, temos assim mais do mesmo. A única diferença é que enquanto “Deadpool” levava quase tudo para o cómico e para o lado satírico, este “Logan” vem armado de filme sério, quando na verdade é vira o disco e toca o mesmo.

Assim, podemos contar novamente com inimigos esquecíveis que andam em busca de alguém, temos outra vez perseguições, tiros, laboratórios, pancadaria, espectáculo desnecessário, mortes, poderes mutantes, cenas de ação gratuítas, vários clichés e entretenimento de pacotilha para gente pouco exigente no que ao cinema diz respeito. Aliás, a saga dos mutantes é a mais desequilibrada do cinema. Hugh Jackman concebe aqui o seu melhor Logan, foi a primeira vez que ele pareceu-se mesmo com a personagem dos quadrinhos. Patrick Stewart dá-nos pela primeira vez um Professor Xavier mais humano e realista, gostei mesmo desta versão do mutante mais poderoso do planeta. A pequena Dafne Keen é a grande revelação do filme, a miúda possui uma excelente prestação física e representa na perfeição a filha de Logan, embora seja um desastre quando fala. E os inimigos são todos uma merda, aquela parte do mau que regressa sempre para outro combate já enoja. As duas mortes principais podiam ter sido mais dramáticas e realistas, a natureza das suas personagens assim o exigia. Sente-se as ausências de Magneto e de Jean Grey. Pedia-se também um bom argumento e mais referências a filmes anteriores, nada disso aconteceu. O filme podia ser mais sério e realista. Apesar de se tratar do melhor dos dez filmes dos mutantes da Marvel, queria-se um filme adulto e de qualidade, isso não aconteceu, é mais dinheiro para os grandes estúdios. Um último reparo, o filme seria melhor se fosse a preto e branco, até nisso falharam. Temos portanto mais do mesmo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Blue Jay

Nome do Filme : “Blue Jay”
Titulo Inglês : “Blue Jay”
Ano : 2016
Duração : 80 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Alexandre Lehmann
Produção : Mark Duplass/Jay Duplass/Xan Aranda/Mel Eslyn
Elenco : Mark Duplass, Sarah Paulson, Clu Gulager.

História : Jim e Amanda são dois antigos namorados que se reencontram passadas duas décadas e que durante uma noite recordam tempos antigos.

Comentário : Trata-se de um filme muito interessante sobre duas pessoas, aliás, as duas personagens da fita têm bastante carisma e facilmente sentimos empatia por elas. A cuidada fotografia a preto e branco também ajuda. O argumento é consistente e nos dá momentos muito emotivos e outros engraçados. No caso deste filme, é muito fácil gostarmos daquilo que vemos ao longo dos quase oitenta minutos de duração. Eu gostei imenso dos primeiros quarenta minutos de projeção, isto porque a partir dessa marca, a coisa perde-se um bocado durante pelo menos uns vinte minutos. Quando a fita atinge a marca dos sessenta minutos, a situação volta a ganhar interesse e fiquei novamente empolgado. Os cerca de quinze minutos finais são muito bons e é aí que surgem grandes revelações. Mark Duplass como Jim é um personagem rico em sentimentos, com o qual facilmente nutrimos um carinho muito especial, não existe maldade nele. Por seu lado, Sarah Paulson é uma actriz muito carismática e aqui nos facultou uma personagem magnífica que transmite na perfeição os dramas que atravessa e os que viveu no passado. A química entre ele e ela é notável. Sinceramente, gostei bastante deste filme. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Already Tomorrow In Hong Kong

Nome do Filme : “Already Tomorrow In Hong Kong”
Titulo Inglês : “Already Tomorrow In Hong Kong”
Titulo Português : “Já é de Manhã em Hong Kong”
Ano : 2015
Duração : 80 minutos
Género : Romance
Realização : Emily Ting
Produção : Emily Ting/Sophia Shek
Elenco : Jamie Chung, Bryan Greenberg, Sarah Lian.

História : Ruby é uma rapariga chinesa que vive na América e que está de visita a Hong Kong, onde conhece Josh e os dois tornam-se amigos...

Comentário : Quem gostou da saga “Before” do realizador Richard Linklater vai certamente gostar deste pequeno filme independente, porque o modo como está filmado e a maneira como a história nos é mostrada é o mesmo. Os dois protagonistas caminham pelas ruas de Hong Kong e a camara os segue para todo o lado. Eu sou adepto desta técnica e deste tipo de filmes, pelo que gostei bastante deste. Podemos contar com bonitas imagens da cidade, principalmente quando vista à noite, que verdade seja dita, isso acontece em quase todo o filme. A história é muito interessante e eu fiquei totalmente envolvido pela narrativa, sempre com grande curiosidade em saber como as coisas se iam desenrolar. A realização é boa e nota-se que o argumento foi bem escrito. Temos bonitas cenas e o filme nunca é aborrecido, isso deve-se à fantástica química que existe entre os dois protagonistas que funcionam na perfeição enquanto casal. Jamie Chung e Bryan Greenberg possuem aqui excelentes prestações, tal como disse, eles funcionam muito bem juntos. À medida que o filme avança ficamos a saber mais sobre eles, mais sobre as suas vidas, é como ir puxando a ponta de um novelo aos poucos e ver o que vai saindo de lá. Um filme simples, mas muito bonito. E depois temos aquele final, confesso ter gostado do desfecho da fita, ficamos numa dúvida agradável.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A Man Called Ove

Nome do Filme : “En Man Som Heter Ove”
Titulo Inglês : “A Man Called Ove”
Título Português : "Um Homem Chamado Ove"
Ano : 2015
Duração : 116 minutos
Género : Drama/Comédia Dramática
Realização : Hannes Holm
Elenco : Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Chatarina Larsson, Klas Wiljergard, Borje Lundberg, Stefan Godicke, Johan Widerberg, Nelly Jamarani, Zozan Akgun, Anna Lena Brundin, Simon Edenroth, Jessica Olsson, Fredrik Evers, Ola Heden, Lasse Carlsson, Maja Rung, Poyan Karimi, Sofie Gallerspang.

História : Ove é um viúvo mal humorado de 59 anos que foi, há anos, colocado como presidente da associação do condomínio e mantém o bairro com punho de ferro. Quando a grávida Parvaneh e a sua família se mudam para um terreno perto da sua casa, surge uma amizade inesperada.

Comentário : Este filme sueco está dividido em duas narrativas, se por um lado temos a vertente que conta o passado do protagonista, por outro, temos a descrição do tempo actual dele. O filme é ainda uma boa mistura entre drama e comédia, em que nenhum dos géneros abafa o outro. O argumento é assim um dos pontos de principal destaque desta fita e a cinematografia também soma pontos pela sua qualidade. Hannes Holm dirige o seu filme com punho de ferro, nos facultando cenas dramáticas e outras com um humor muito próprio, sem nunca cair no ridículo. É um filme sóbrio e apelativo, que cativa não só pelo argumento como também pela simpatia de Parvaneh e pelo carisma muito peculiar de Ove, o personagem principal. Aliás, a empatia entre estas duas personagens é bastante forte e a química entre eles funcionou na perfeição, seja como personagens, seja enquanto actores. O actor que faz de Ove mais novo é parecido com o actor que faz do velho Ove, achei isso fenomenal.

No papel do protagonista, Rolf Lassgard está excelente, com uma caracterização brilhante, a sua prestação é a melhor da fita numa personagem que convence na perfeição. Ele carrega o filme quase todo nos ombros, sendo o seu principal alicerce. Mesmo quando está enervado ou quando é indelicado para os outros, Ove nunca nos faz pensar mal dele, simpático ou irritante, ele dá um boneco e um personagem adoráveis. Ida Engvoll é muito simpática, adorei a sua personagem, ela nos transmite muito bem toda a tranquilidade da sua Sonja. E Bahar Pars fecha o elenco principal com chave de ouro, no papel de uma mulher que mudará Ove para sempre e marcará o seu fim de vida da melhor maneira. O filme foi considerado um dos melhores de entre as fitas estrangeiras, eu concordo com essa distinção. Adorei também a gatinha persa que Ove acaba por abrigar. É um filme simples, mas com um coração grande, tal como o seu protagonista. Esta obra nos diz que as pessoas podem sempre mudar e mostra igualmente que o passado pode transformar a personalidade e até o modo de vida de um ser humano. Um filme essencial.

At The End Of The Tunnel

Nome do Filme : “Al Final Del Tunel”
Titulo Inglês : “At The End Of The Tunnel”
Ano : 2016
Duração : 121 minutos
Género : Crime/Thriller/Drama
Realização : Rodrigo Grande
Elenco : Leonardo Sbaraglia, Clara Lago, Pablo Echarri, Uma Salduende, Federico Luppi, Walter Donado, Laura Faienza, Javier Godino, Facundo Nahuel Gimenez, Ariel Nunez, Cristobal Pinto, Sergio Ferreiro, Daniel Morales Comini, Luz Gimenez.

História : Um paraplégico com um passado marcado pela tragédia, alberga em casa uma jovem mãe solteira e a sua filha pequena de seis anos, sem desconfiar que a mãe da miúda integra um grupo de criminosos que pretende prejudicá-lo.

Comentário : Esta noite vi esta co-produção entre a Argentina e a Espanha e confesso que fiquei bastante surpreendido, estamos perante um filme muito bom e que faz ver a muitos filmes americanos do género. Apesar de algumas pequenas falhas e de não explicar como o protagonista se safou de estar implicado no mau resultado do assalto do grupo criminoso, o argumento é aliciante e nos agarra ao ecrã durante grande parte da projecção. Podemos contar com algumas reviravoltas na história, algumas resultam muito bem. Existem alguns momentos de grande tensão e foram muito bem geridos pelo realizador. É um filme em que estamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. O elenco está muito bem. Como protagonista, Leonardo Sbaraglia é o que está melhor, ele tem uma boa interpretação, para além de uma excelente prestação física. Clara Lago está perfeita no seu papel, ela tem uma boa prestação e a sua personagem é a mais cativante da fita. O realizador dá-nos ainda planos dela muito sugestivos. Pablo Echarri manda muito bem no papel do vilão principal, ele está consistente e tem um fim espectacular. Por último, a pequena Uma Salduende é um achado, esta pequena actriz convenceu muito bem no papel de filha problemática, compreendi os seus dramas na perfeição. Adorei o final. É um bom thriller que vive muito da qualidade do seu elenco e de uma história cativante. Gostei bastante. 

United States Of Love

Nome do Filme : “Zjednoczone Stany Milosci”
Titulo Inglês : “United States Of Love”
Ano : 2016
Duração : 102 minutos
Género : Drama
Realização : Tomasz Wasilewski
Produção : Agnieszka Drewno/Piotr Kobus
Elenco : Julia Kijowska, Magdalena Cielecka, Dorota Kolak, Marta Nieradkiewicz, Tomasz Tyndyk, Andrzej Chyra, Lukasz Simlat, Marcin Czarnik, Jedrzej Wielecki, Julia Chetnicka, Malgorzata Majerska, Zuzanna Bernat, Lech Lotocki, Igor Bejnarowicz, Dorota Papis, Michal Grzybowski, Hanna Klepacka, Joanna Krol, Malgorzata Rozniatowska, Klara Bielawka, Elzbieta Jarosik, Kinga Ciesielska, Edward Wasilewski, Tomira Kowalik, Agnieszka Makowska, Krzysztof Pluskota, Lena Schmscheiner.

História : Na Polónia dos anos 1990, quatro mulheres de diferentes idades decidem que é altura de mudar alguma coisa nas suas vidas.

Comentário : Trata-se de um filme polaco, confesso ter gostado, ainda que não seja nada de especial, é uma fita que se vê de bom agrado e que embora nunca sature, não deixa de transparecer a sua tremenda simplicidade. No centro da trama, temos quatro mulheres que estão cansadas do tipo de vida que levam e de aturar sempre as mesmas coisas. Um dia, decidem fazer algo de diferente. São histórias de quem está tão martirizado com um quotidiano fútil e rotineiro, que está à beira da saturação e sente-se disposto a tudo para mudar. Eu penso que aquilo que mais me agradou neste filme foi o argumento muito bem escrito e as interpretações das quatro actrizes principais.

Julia Kijowska vai muito bem no papel da esposa que está farta da vida de casada e do marido, eles já não se gramam e não se respeitam. É possivelmente a melhor das quatro. Por outro lado, Magdalena Cielecka vive aqui uma directora de uma escola que mantém um caso com um homem que, a principio, gosta da situação mas depois, a repudia, o que a faz ser responsável por um acontecimento trágico. Dorota Kolak está soberba no papel de cinquentona lésbica que tem uma atracção estranha por pássaros e um fetiche pela vizinha da frente. A sua entrega ao papel é brutal. Por último, temos Marta Nieradkiewicz que convence muito bem no seu registo. Não sendo um filme marcante nem tão pouco digno de figurar numa lista de preferências, é uma fita que se vê muito bem e que tem a particularidade de simpatizarmos facilmente com as protagonistas, independentemente da maioria das suas atitudes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Frantz

Nome do Filme : “Frantz”
Titulo Inglês : “Frantz”
Ano : 2016
Duração : 114 minutos
Género : Drama
Realização : François Ozon
Elenco : Paula Beer, Pierre Niney, Ernst Stotzner, Marie Gruber, Cyrielle Clair, Johann Von Bulow, Anton Von Lucke, Alice De Lencquesaing, Ralf Dittrich, Michael Witte.

História : Na Alemanha da Primeira Guerra Mundial, Anna é uma viúva que chora a morte do seu noivo, morto em combate. Um dia, um estranho rapaz que deixa flores na campa do seu amado, desperta-lhe a maior das curiosidades.

Comentário : Trata-se do novo filme do cineasta francês François Ozon e eu tinha que o ver. Tal como a maioria dos seus trabalhos, estamos novamente perante um bom filme que tem os seus principais trunfos no excelente argumento e numa poderosa interpretação a cargo da bonita actriz Paula Beer. É uma trama que nos envolve profundamente, eu senti-me totalmente penetrado naquilo que as imagens me iam mostrando, acompanhei os acontecimentos com agrado. Não é apenas Paula Beer que esteve muito bem, gostei igualmente da prestação do actor Pierre Niney, o seu personagem transmite emoções paupáveis e a química dele com ela resultou na perfeição. Ernst Stotzner e Marie Gruber também estão bastante convincentes nos papéis de pais do personagem falecido que dá nome ao título do filme. A fita está filmada quase na totalidade a preto e branco, o que tornou tudo mais apelativo, no sentido em que se trata de uma narrativa que decorre na época da Primeira Grande Guerra. A recriação de época está impecável, com o merecido destaque para o guarda roupa. Não concordei com uma das decisões principais de Anna, mas no geral, fiquei muito satisfeito com este filme.

Tanna

Nome do Filme : “Tanna”
Titulo Inglês : “Tanna”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Martin Butler/Bentley Dean
Produção : Martin Butler/Bentley Dean/Carolyn Johnson
Elenco : Marie Wawa, Mungau Dain, Marceline Rofit, Kapan Cook, Charlie Kahla, Lingai Kowia, Albi Nagia, Dadwa Mungau, Mungau Yokay, Linette Yowayin.

História : Numa ilha do Pacífico, duas tribos rivais travam uma luta sangrenta pela posse de terra e apenas se entendem através dos casamentos arranjados. Um dia, dois amantes da mesma tribo decidem seguir um caminho diferente, colocando em causa os costumes do seu povo.

Comentário : É um bom filme que trata um tema eterno : o Amor. Nota-se claramente que este filme do chamado cinema do mundo foi concebido com poucos meios. Mas tudo resultou muito bem. Por exemplo, a banda sonora é envolvente e penetrante, ajuda a fazer-nos parte da narrativa. O elenco é todo composto por gente amadora, mas todos fizeram um excelente trabalho, com destaque para a jovem protagonista Marie Wawa e para a pequena Marceline Rofit, são desta última as melhores cenas da fita. A empatia entre Marie Wawa e Mungau Dain é notável, os dois combinam muito bem. Temos cenários naturais e abertos, sendo de destaque as sequências que decorrem no vulcão. O filme mostra uma história de amor entre dois elementos da mesma tribo e também o facto destes irem contra as tradições e costumes do seu povo. Foca igualmente o modo como eles vivem e as rivalidades entre as duas tribos. Tudo isso foi muito bem explicado e mostrado. A fotografia é boa e o argumento apenas peca devido ao facto de ser demasiado simples, é aquilo e pronto. Felizmente, temos um destino para o casal protagonista digno deste tipo de história, apesar do final encontrado para as tribos ter sido arranjado e certinho demais. No entanto, tem que se dar desconto porque esta história baseia-se em acontecimentos reais. Mas no geral, gostei bastante deste filme.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Paterson

Nome do Filme : “Paterson”
Titulo Inglês : “Paterson”
Titulo Português : “Paterson”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Jim Jarmusch
Elenco : Adam Driver, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji, Barry Shabaka Henley, Trevor Parham, Troy Parham, Brian McCarthy, Frank Harts, Chasten Harmon, William Jackson Harper, Sterling Jerins, Kara Hayward, Masatoshi Nagase, Cliff Smith, Nellie.

História : Paterson é motorista de autocarro na cidade de Paterson, ele e a cidade partilham o mesmo nome. Todos os dias da semana, Paterson segue a mesma rotina : percorre a rota diária, observando a cidade à medida que a vê passar pelo espelho retrovisor, e ouve fragmentos das conversas em redor. Escreve poemas num caderno, passeia o cão e vai para casa ter com a sua mulher, Laura. Os dois vivem os seus quotidianos e amam-se mutuamente.

Comentário : Este filme é realizado por Jim Jarmusch, um bom director que faz filmes muito bons. Esta noite tive o prazer de ver este seu novo filme, que gostei bastante. É uma fita que fala do quotidiano de pessoas comuns, fala também do amor e da poesia, de rotinas diárias e da vida em si. Com um argumento bom, o cineasta mistura habilmente todas essas temáticas e o resultado é um filme que se vê muito bem. Houve alguém que apelidou este filme de repetitivo, até pode ser, mas nunca é cansativo, possui um bom ritmo e nós simpatizamos com o protagonista. O filme possui estranhas referências aos gémeos, é algo que ficou bem vincado. A banda sonora é por vezes hipnótica. Temos bonitos planos e a fotografia é apelativa. Nota-se que a história foi escrita com bastante cuidado, é um filme feito a perceito. A história é simples, seguimos o quotidiano do personagem principal nos sete dias da semana, tudo com muita naturalidade, eu adorei a maneira como tudo nos é mostrado. Não gosto muito do actor Adam Driver e neste filme, fiquei a simpatizar ligeiramente com ele, foi neste registo que eu mais gostei de o ver, tem a melhor interpretação da sua carreira. Golshifteh Farahani é uma boa fonte de apoio do protagonista, está aceitável e a sua personagem é igualmente credível. Além disso, a química entre ele e ela funciona. Adoro ver o actor Barry Shabaka Henley actuar, aqui ele está muito bem no papel de funcionário do bar nocturno. E a jovem actriz Sterling Jerins tem no filme uma participação especial, num papel de relevância para o protagonista. Por último, o cão fez bem o seu trabalho, mas é um animal muito irritante. No geral, fiquei bastante satisfeito com esta fita, é um filme simples e realista.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

The Unknown Girl

Nome do Filme : “La Fille Inconnue”
Titulo Inglês : “The Unknown Girl”
Titulo Português : “A Rapariga Desconhecida”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Produção : Jean Pierre Dardenne/Luc Dardenne
Elenco : Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minnella, Christelle Cornil, Olivier Gourmet, Pierre Sumkay, Yves Larec, Ben Hamidou, Laurent Caron, Fabrizio Rongione, Thomas Doret.

História : Jenny é uma médica dedicada, que há três meses passou a trabalhar na vaga deixada por um médico veterano, que foi seu mentor. Bastante atenciosa com os seus pacientes, ela fica abalada ao saber sobre o falecimento de uma jovem que procurou a clínica em que trabalha, mas não conseguiu atendimento por ter chegado uma hora após o horário de encerramento. Querendo saber mais sobre esta jovem, ela passa a realizar uma investigação pessoal em busca da sua identidade.

Comentário : Esta fita belga é o novo filme dos irmãos Dardenne, confesso que gosto do cinema que eles fazem, a maneira calma e quase amadora de eles filmarem sempre me cativou. Não é só da maneira peculiar deles filmarem que eu gosto, tenho uma simpatia também pela forma como eles nos contam as suas histórias, onde o factor humano possui grande relevância. Durante o primeiro acto, acompanhamos o quotidiano da protagonista, ela é uma jovem médica que é muito dedicada aos seus pacientes e tudo faz para os atender bem e tentar resolver os seus problemas. No segundo acto, de uma atitude repentina surge um acontecimento mau e a médica tem que lidar com esse problema, algo que lhe rói a consciência e a faz iniciar numa investigação por conta própria. No terceiro acto, temos a continuação da sua vida e a conclusão do caso. A narrativa é intrigante em alguns momentos, apresenta-nos algumas dúvidas por vezes, sendo opaca nas respostas. Mas no final, quase tudo é explicado. Adele Haenel tem neste filme uma interpretação natural, parece que aquilo está a acontecer de verdade e os restantes actores enquanto elenco secundário fazem um trabalho bastante competente. Estamos perante um thriller leve e cativante que me agarrou ao ecrã desde o início e o final foi reconfortante.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Live By Night

Nome do Filme : “Live By Night”
Titulo Inglês : “Live By Night”
Titulo Português : “Viver Na Noite”
Ano : 2016
Duração : 129 minutos
Género : Crime/Drama
Realização : Ben Affleck
Produção : Ben Affleck
Elenco : Ben Affleck, Elle Fanning, Zoe Saldana, Sienna Miller, Brendan Gleeson, Chris Cooper, Chris Messina, Robert Glenister, Matthew Maher, Titus Welliver, Max Casella, Remo Girone, Clark Gregg, Anthony Michael Hall, Chris Sullivan, Michael Mantell, Giuseppe Losavio, Peter Arpesella.

História : Nos Estados Unidos, entre os anos 1920 e 1933, foi aprovada a Lei Seca. Segundo essa lei, o fabrico, o transporte e venda de bebidas alcoólicas eram estritamente proibidas. Se, a princípio, essa medida foi bem vista e apoiada quase unanimemente, depressa deu origem a um comércio paralelo. Traficantes montaram esquemas onde lucravam com o negócio ilegal gerando riquezas inesperadas. Entre os bandidos que enriqueciam através do contrabando de bebidas proibidas estava Joe, o filho mais novo de um respeitável capitão da polícia de Boston. Toldado pelo poder e empenhado em enriquecer a qualquer custo, Joe vê-se enredado no crime organizado e nos seus esquemas de traição e vingança.

Comentário : Escrito, produzido, realizado e protagonizado por Ben Affleck, “Live By Night” é um razoável filme de gangsters que eu já tive a oportunidade de ver. Posso assegurar que gostei do filme, embora ache que ele é longo demais para a história que pretende contar. Entre as coisas que mais saltam à vista neste filme, destaque para a extraordinária recriação de época, tudo foi cuidadosamente pensado ao mínimo detalhe e eu achei tudo perfeito, com realçe máximo para os veículos e para o guarda-roupa. Na minha opinião, Ben Affleck é um bom actor e um bom realizador, disso não existem dúvidas. O homem não olha a meios para que as suas produções e participações sejam de qualidade, embora o meu filme preferido dele enquanto cineasta continue a ser o sufocante “Gone Baby Gone”. E neste seu novo filme, ele consegue uma boa prestação. Sienna Miller está fantástica neste registo enquanto que Brendan Gleeson e Chris Cooper têm aqui papéis aceitáveis e credíveis. Zoe Saldana vai muito bem, confesso ter gostado bastante do seu papel e da sua personagem. Já Elle Fanning também não desilude, apesar de aparecer pouco. No entanto, ela encanta com o seu ar angelical, existe uma cena em particular em que ela passa de um choro para um sorriso com um profissionalismo digno de uma grande actriz, é isso que ela é. O filme tem belíssimas imagens e para isso contribuem admiráveis planos aéreos. Podemos contar com cinco curiosos twists. O argumento peca por ser um pouquinho repetitivo. No geral, estamos perante um filme razoável.