domingo, 19 de novembro de 2017

De Jueves A Domingo

Nome do Filme : “De Jueves A Domingo”
Titulo Inglês : “Thursday Till Sunday”
Titulo Português : “De Quinta A Domingo”
Ano : 2012
Duração : 94 minutos
Género : Drama
Argumento : Dominga Sotomayor
Realização : Dominga Sotomayor
Produção : Benjamin Domenech/Gregorio Gonzalez
Elenco : Francisco Perez Bannen, Paola Giannini, Santi Ahumada, Emiliano Freifeld, Jorge Becker, Axel Dupre, Belen Celedon, Ana Lopez, Damian Hassler, Francisca Castillo.

História : Duas crianças viajam com os seus pais de Santiago até ao norte do Chile, passando quatro dias juntos. A solidão da paisagem de estrada e do campo e o confinamento do carro ajudam a trazer à tona os problemas do casal. O relacionamento é todo visto do banco de trás de um mazda 929. Assim, as crianças percebem que essa pode ser a despedida do pai, e também a última viagem dos quatro em família.

Comentário : Boa noite pessoal, com este filme regresso assim ao cinema de qualidade, aos filmes a sério, aquilo que define o cinema enquanto arte adorada por muita gente. Acabei de chegar da rua e da visualização de um dos piores filmes do ano, optando por ver um filme a sério, que apesar de ter uns anos, respira cinema por todos os poros. Apesar de simples, a história deste filme podia ser baseada em factos reais, as situações aqui trabalhadas e mostradas parecem bem reais. Trata-se de um excelente road-movie que tem o vento como uma das principais personagens, senão veja-se, como esse elemento da natureza brinca com os cabelos da nossa menina, a protagonista. O filme já começa bem, ele mostra a família do ponto de vista interior de uma das divisões da casa, eles estão a preparar o carro para a grande viagem de quatro longos e importantes dias. É um filme muito bem filmado e que respira vida, na verdade, ele mostra uma forma de viver muito peculiar e essencial. Mostra como certas pessoas sabem viver e tirar partido das coisas boas e simples da vida, o acto de viajar surge assim em destaque e o carro deles acaba também por se tornar numa personagem importante do filme.

No centro da trama, temos um casal que faz uma viagem de poucos dias com os dois filhos menores, Lúcia e Manuel, sendo o filme basicamente visto e vivido da perspectiva da miúda. Apesar dos quatro elementos da família terem o seu devido tempo de antena onde são desenvolvidos, Lúcia é a grande protagonista. O filme possui uma banda sonora com temas muito bonitos, de destacar a canção “Coração de Poeta” que é aqui cantada por Lúcia e o tema musical muito bonito que encerra o filme e abre os créditos finais. A realizadora fez assim um excelente trabalho, mostrando somente o que é necessário sobre os quatro elementos da família, e os actores que os interpretam tiveram excelentes prestações, com destaque claro para a pequena Santi Ahumada que tem na sua Lúcia a melhor coisa do filme, a miúda é a alma deste projecto. Gostei imenso de acompanhá-los naquela viagem e da interacção dos quatro com os viajantes que os iam encontrando pelo caminho. Tudo pareceu real e verdadeiro, tal como a vida. Excelente filme vindo da Holanda e do Chile, do melhor que já vi, adorei.


Justice League

Nome do Filme : “Justice League”
Titulo Inglês : “Justice League”
Titulo Português : “Liga da Justiça”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Ação/Aventura/Fantasia
Realização : Zack Snyder/Joss Whedon
Produção : Deborah Snyder/Jon Berg/Geoff Johns/Charles Roven
Elenco : Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Amy Adams, Jeremy Irons, Diane Lane, Connie Nielsen, Amber Heard, J. K. Simmons, Joe Morton, Robin Wright, Ciaran Hinds, Lisa Loven Kongsli, Sergi Constance, Michael McElhatton, Kobna Holdbrook Smith, Doutzen Kroes, Brooke Ence, Samantha Jo, Ann Ogbomo, Marc McClure, Aurore Lauzeral, Kasha Bajor, Molly Shenker, Yoni Roodner, Karen Bryson, Billy Crudup, Jesse Eisenberg, Joe Manganiello, Eleanor Matsuura, Carla Turner, Lara Decaro.

História : Após a morte do Superman, aumentou a violência e os actos de terrorismo, tornando o mundo num local mais violento. Quando se pensava que as coisas não podiam piorar, a Terra é invadida por Steppenwolf e pelos seus insectos gigantes, todos debaixo da alçada do poderoso Darkseid. É então que Batman e Mulher Maravilha decidem recrutar mais elementos como eles, seres com faculdades especiais que os ajudem a combater grandes ameaças e assim nasce a Liga da Justiça. Para que a vitória seja possível, têm que confiar uns nos outros e manterem-se unidos na causa que transformou Clark Kent em Superman e que, há poucos meses, o fez sacrificar a própria vida às mãos de Apocalipse.

Comentário (com Spoilers e Muita Tristeza) : Olá pessoal, estou aqui para mais um comentário a um blockbuster, estou num misto de tristeza e raiva por ter pago um bilhete de cinema para ver um filme e ter sido enganado. Tudo bem que eu não estava com grande expectativa para este filme, na realidade, não esperava nada dele, mas estava a contar que tivesse minimamente aceitável, infelizmente nem isso. Eu já disse aqui neste espaço em comentários a outros blockbusters, que os realizadores não têm a culpa total quando um filme fracassa na critica, quem devia ser culpalizado era os estúdios, ou seja, o peixe graúdo, aqueles que mandam e comandam tudo. E isto porque eles estão-se a borrifar se os filmes têm uma boa história ou se os personagens têm profundidade, eles querem unicamente fazer dinheiro nas bilheteiras e no merchandising e para isso vale tudo. Desde aumentarem ou reduzirem a duração das fitas, passando por alterar aspectos internos da película e acabando na infeliz tarefa de alterar o trabalho feito com dedicação pelo realizador com a intenção de apresentar um produto diferente da visão dele, que foi basicamente o que aconteceu aqui. Mas o estúdio foi ainda mais longe e contratou outro realizador para alterar o trabalho de Zack Snyder e dar uma nova cara ao projecto. E não me venham com tangas, eu não meti o nome do Joss Whedon ao lado do nome do Zack Snyder na realização por acaso, ele merece lá estar porque também filmou muitas cenas e alterou drasticamente a visão de Zack Synder do projecto final. Ou seja, ele também fez parte do processo de realização do longa.

E vou mais longe, quem vê o filme e entenda minimamente de cinema, percebe claramente que isto é um filho com dois pais, os estilos pessoais dos dois directores na arte de filmar são facilmente detectáveis ao longo das quase duas horas de fita e mais grave, percebe-se quando são cenas de Zack Snyder e quando as cenas são de Joss Whedon. Quero com isto dizer que a edição de “Liga da Justiça” é uma bagunça completa, é como se o filme não tivesse um registo pessoal, um cunho característico. Por exemplo, a trilogia do Batman feita por Christopher Nolan é um bom exemplo disso, são três filmes que além de estarem muito bem feitos e de serem bons, têm uma marca de autor, aquilo é a visão do realizador. Uma das coisas que mais me incomodam nos blockbusters é o humor por vezes estúpido e ridículo em algumas cenas, principalmente em partes que representam situações de pânico e aflitivas mas que os personagens agem com piadas e sentido de humor, coisas que tiram totalmente o realismo e o sentimento ao perigo que se passa e à situação propriamente dita. Isso acontece muito nos filmes da Marvel, mas na maioria dos blockbusters também. No caso dos filmes da DC, isso raramente acontecia. Nos filmes do Nolan sobre o Batman, apesar de terem algumas piadas, são filmes sérios e realistas em que as coisas são levadas a sério e com o tom correcto. E contam-se pelos dedos os filmes comerciais que seguem-lhes o caminho. Tudo porque os estúdios preferem fazer filmes fracos de história e com personagens mal desenvolvidos, com excelentes efeitos visuais do que nos facultar obras sérias e aceitáveis que nos mostrem uma história coesa e bem contada com personagens dramáticos e realistas. É por isso que a critica arrasa a maioria destes filmes, mas o público gosta, porque não são exigentes, querem é divertir-se durante duas horas ou mais. E isto só causa-me tristeza e coloca-me com pouca esperança no cinema, sinto que estes filmes têm pouco a oferecer e isso é muito mau para aqueles que adoram os filmes enquanto arte de contar história e de nos fazer sonhar. E este “Liga da Justiça” foi uma desilusão total, quase a todos os níveis.

Assim, este “Liga da Justiça” é uma manta de retalhos muito mal amanhada e trabalhada, onde se percebe claramente que além da fita ter sido mexida e alterada, ela é também a redução de uma obra ainda maior na duração, passou-se o mesmo com “Batman v Superman” e “Esquadrão Suicida” e os resultados ficaram à vista. E claro que os que gostam destes heróis e aqueles que admiram uma boa história, ficaram irritados. A história de “Liga da Justiça” é a continuação de “Man Of Steel” e “Batman v Superman”, é como se de uma trilogia se tratasse. E este terceiro e novo filme não é a primeira parte de algo, ele funciona como um filme só e encerra também a já frisada trilogia. Mas e tal como aconteceu com os outros dois filmes anteriores, este “Liga da Justiça” é também uma porcaria, um filme completamente inútil e descartável, refeito sem amor e sem alma, unicamente com o propósito de chamar mais gente às salas de cinema e de fazer muito dinheiro, às custas de gente que não procura ver cinema. O filme “Wonder Woman” é sim um filme problemático, mas ainda assim, consegue ser o melhor desta nova leva de cinco filmes do chamado Universo Compartilhado da DC. Na altura da minha critica a “Wonder Woman” eu frisei todos os aspectos negativos e não retiro nada, mas apesar de todos os defeitos, consegue ainda assim ter um primeiro acto bastante satisfatório e Gal Gadot, mesmo não sendo a melhor actriz para o papel, conseguiu ter carisma e as cenas dela a combater, são muito boas. Ora, este “Liga da Justiça” nem isso consegue ser, e pior, é muito triste vermos que eles nem se esforçaram para nos facultar um filme melhor, alteraram a obra de Zack Snyder que acredito que talvez fosse bem melhor que isto, e deram-nos um produto adulterado e estragado, típico filme de comer e jogar fora, correndo o risco de apanharmos uma indigestão.

Mas vamos agora falar do filme. O principal problema de “Liga da Justiça” é ser um filme picotado de algo ainda maior. O primeiro acto é o melhor dos três, ainda que seja não mais que uma junção de cenas cortadas e coladas sem qualquer tipo de critério, claramente que a versão estendida de Zack Snyder iria resultar muito melhor, já que possivelmente aprofundava mais o arco de cada um dos seis super-heróis aqui apresentados. Assim, tudo é feito de maneira muito rápida e apressada. O segundo e o terceiro acto fundem-se em algo visualmente confuso e barulhento, os dois actos não são diferenciáveis e agem como um todo. Algumas cenas têm um CGI muito mal feito e outras funcionam mal, por exemplo, nota-se o efeito especial que tapa o bigode do Superman. Há o abuso no uso de camara lenta e as cenas de batalha são uma confusão, notando-se claramente o dedo de Zack Snyder. Por outro lado, o tom sombrio e dramático dos anteriores filmes é aqui substituído por um tom cómico que arranca qualquer realismo às situações, realçando aqui a mão de Joss Whedon. Neste filme, nunca nos é mostrado o terror que os terrestres sentem por tamanha ameaça, como acontecia nos dois filmes anteriores. É uma obra que vive totalmente do ponto de vista dos seis super-heróis. As referências a “Man Of Steel” e a “Batman v Superman” são praticamente inexistentes, em tirando o facto do Superman estar morto, o filme passa bem sem os anteriores. Temos muitos erros na lógica dos acontecimentos, coisas sem sentido e fora do contexto, efeitos visuais mal concebidos, as terríveis piadas e o humor ridículo patentes em cenas de tensão e de extrema gravidade estão lá, o filme raramente se leva a sério – a Terra pode ser destruída a qualquer momento e os seis super-heróis cometem erros, riem-se de algumas situações e dizem piadas, já para não falar que a ameaça nunca é vista do ponto de vista dos terrestres.

O único ponto positivo deste filme é o facto dos seis personagens principais funcionarem muito bem em conjunto, a química entre eles existe e sente-se. O mesmo não se pode dizer da maneira como trabalham as suas personagens individualmente, pelo menos em relação a este filme. Esqueçam o que foi visto nos dois filmes anteriores à cerca dos dois super-heróis Batman e Superman. Sobre os actores, os seis que vivem os super-heróis estão razoáveis nos seus papéis, embora Gal Gadot se destaque, apesar dela não ser a melhor escolha para o papel de Mulher Maravilha, a actriz possui o carisma necessário que dá vida à personagem. Temos um Batman que nos dois filmes anteriores era atormentado, traumatizado pelo passado e duro nas suas ações, aqui passa a ser um Batman cómico a dizer piadas e muito leve. Enquanto que nos dois filmes anteriores o Superman não se importava com os civis e destruía cidades nas batalhas, o Superman deste filme mostra respeito e chega mesmo a ajudar os civis, claro que isto foi uma tentativa do estúdio corrigir esses erros do personagem. A Mulher Maravilha está igual ao que estava no seu filme a solo, confesso mesmo que ela é a personagem que mais brilha neste filme e digo mais, caso ela se esforçasse mais um pouquinho, era bem capaz de vencer sozinha o inimigo. O Flash é o alívio cómico do filme, eu não senti nada de profundo no seu personagem, ele passa a vida a fazer caretas e piadas, apesar de ajudar a equipa, ele simplesmente não funcionou. Outro que não funcionou foi o Aquaman, primeiro porque a pessoa que o interpreta é um mau actor e depois porque nos deu um herói bruto, machão e durão, enfim um escroque, esperava mais deste personagem. O Cyborg até tem uma história interessante, mas o seu personagem foi muito mal desenvolvido e o CGI do seu boneco está horrível. A Mera aparece muito pouco, mas está muito bonita. Já o vilão é uma merda, igual à maioria dos vilões dos filmes de super-herói, neste caso temos um Steppenwolf totalmente feito em CGI sem profundidade alguma, parece um personagem de um jogo de vídeo, ele não mete medo nem respeito, mas sim nojo. Muito sinceramente, a Mulher Maravilha é a melhor personagem deste filme. 

Claro que os filmes da Marvel sofrem problemas semelhantes, já que têm humor e piadas em situações de tensão, eu não gosto dos filmes da Marvel, não só por causa disso, mas também devido aos erros da história central que eles possuem. A DC quis dar uma de Marvel e alterou o filme, eu gostava mais de ter visto a versão longa de Zack Snyder, talvez tudo fizesse mais sentido e possivelmente as personagens secundárias vividas por bons actores tivessem mais tempo de antena. Algumas cenas dos trailers não aparecem nesta versão reduzida do filme. A parte do regresso do Superman que era para ser a que mais destaque tivesse tido, não causa qualquer impacto. Se os humanos sentiram imenso a sua morte, aqui nem é mostrada a felicidade que eles sentiram pelo seu regresso. Neste filme, temos imensas alterações face a coisas estabelecidas em filmes anteriores. A Supergirl que aparecia na versão de Zack Snyder foi totalmente cortada nesta versão, bem como outras partes e isso nota-se muito bem. Ao menos aparecem dois Lanternas Verdes na Grande Batalha em flashback, mostrando que eles existem. As cenas de ação pecam também por serem muito rápidas e cheias de cortes, muitas vezes não dá para perceber como certas coisas aconteceram. Outro grande exemplo, o regresso do Superman que era para ser o ponto mais alto do filme, ele não tem qualquer impacto, nem colocaram civis a ficarem maravilhados com a volta do super-herói, nem os seus colegas se deslumbraram, ninguém sentiu porra nenhuma, teve aquela coisa dele agir contra os colegas que foi ridículo, e tudo o resto passou completamente despercebido. Nem a namorada e a mãe dele sentiram da maneira como deviam, porra, ele voltou à vida e isso é o melhor do mundo, elas nem se sentem excitadas e super felizes com isso, é tudo sem emoção com cenas apenas razoáveis.

É tudo tão superficial que eu nem sei dizer se gostei ou não de ver estes seis super-heróis juntos em ação e a combater um inimigo poderoso e em comum. Tiraram a seriedade e o realismo próprios de Zack Snyder e os substituíram por algo sem substância, cómico e bem leve. Porra, a Terra está sendo destruída e nada é sentido nem levado a sério, os protagonistas limitam-se a combater esse mal sem alma, eles estão lá porque sim, somente porque têm que livrar o planeta daquela ameaça. A única referência humana que é usada para evidenciar e viver a situação é uma família russa, com destaque para uma menina pequena que simboliza toda a humanidade em perigo. Até a pequena batalha do Superman contra os elementos da Liga é ridícula, não havia necessidade daquilo. Temos assim o blockbuster mais fraco do ano, um filme genérico e sem alma, fruto da ganância dos estúdios, logicamente que vai gerar muito dinheiro e é lamentável que assim seja. É o mais fraco dos cinco filmes, consegue ser até pior do que “Esquadrão Suicida” onde os personagens tinham mais substância, eu gostei mais da vilã feminina desse filme do que do escarro do Steppenwolf.

Custa-me imenso a admitir isto, mas dos cinco filmes da nova leva da DC, ainda prefiro o “Wonder Woman”, porque foi o único que não se dispõe a muita coisa nem a algo grandioso, é apenas uma fita que conta a história de uma mulher diferente desde a infância até à sua afirmação enquanto super-herói e protectora dos humanos. Ainda que a actriz não seja a mais indicada para tal papel, mas tenho que confessar que ela funciona porque tem carisma e soube ultrapassar a maioria das dificuldades para estar à altura da deusa da amazonas. E sim, o meu Batman preferido é o de Christian Bale e os meus filmes de super-heróis favoritos são os três filmes que compõem a trilogia “The Dark Knight” de Christopher Nolan. Fiquei muito desiludido com este filme “Liga da Justiça” e com ele perdi todas as esperanças de ver futuramente um filme de super-heróis decente, sério e adulto. Sem dúvidas, um dos piores filmes deste ano, o filme é mais do mesmo, preferia ter visto a versão de Zack Snyder.

O Batman, o Superman e a Mulher Maravilha são possivelmente os melhores super-heróis já criados, eles são referências e símbolos da esperança, eles combatem o crime e ajudam as pessoas, mereciam portanto um melhor tratamento e desenvolvimento nestes filmes em vez de se limitarem a exibir as suas capacidades e poderes, e não foi isso que aconteceu até agora. Não é este filme que nós merecíamos e muito menos é este o filme que nós precisávamos. Eu não sou nerd e penso assim. Os grandes estúdios e quem manda vão continuar a encher os bolsos de milhões de dólares à custa dos parvos, mas nunca irão conquistar aqueles que apreciam o verdadeiro cinema, é a triste realidade que a sétima arte na componente de entreter vive actualmente. E tudo porque insistem na mesma fórmula : fabricar filmes com histórias fracas e com personagens pouco aprofundados e com o humor do costume; em vez de se preocuparem em nos facultar filmes sérios, adultos e com conteúdo, com personagens interessantes e boas histórias. Futuramente só me irei interessar e comentar aqui os blockbusters que valham mesmo a pena, que eu tenha a certeza que são bons. Para mim chega, fiquei mesmo triste, irritado e enervado com este filme, desejo profundamente que os grandes estúdios vão à merda e metam o dinheiro no cu. O que eles fizeram com este filme é uma total falta de respeito por Zack Snyder, pelos admiradores destes super-heróis e pelo cinéfilo em geral.


Loveless

Nome do Filme : “Nelyubov”
Titulo Inglês : “Loveless”
Ano : 2017
Duração : 127 minutos
Género : Drama
Realização : Andrey Zvyagintsev
Produção : Sergey Melkumov/Alexander Rodnyansky/Gleb Fetisov
Elenco : Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Varvara Shmykova, Matvey Novikov, Daria Pisareva, Yanina Hope, Andris Keiss, Aleksey Fateev, Maxim Stoianov, Marina Vasilyeva.

História : Como se já não bastassem os problemas conjugais que os colocaram à beira do divórcio, um casal tem ainda que lidar com o desaparecimento do filho menor.

Comentário : Que impressão me fez este filme, realmente não há amor entre estas pessoas. Vindo de um realizador que já nos deu filmes muito bons, surge-nos agora este “Loveless”, o seu novo trabalho que fala disso mesmo, da falta de amor e de sentimentos entre familiares. É uma obra fria, dura e cruel que acaba por nos dar um valente murro no estômago de tão realista que é. Um marido e uma mulher que não se amam e parece que nunca se amaram; uma mãe que nunca deu amor à filha e fez com que esta não gostasse dela; uma avó que não liga a mínima para o neto; um pai e uma mãe que não se preocupam com o filho menor e parece até que não gostam dele; pessoas que mostram uma total indiferença face a uma tragédia. Todas estas situações são aqui muito bem trabalhadas e mostradas por um director que sabe contar histórias e que sabe transmitir ao público as sensações que as suas personagens sentem, conseguindo passá-las para fora do ecrã. As atitudes destes pais face à vida do filho incomodam e mais incomoda ainda o facto de nós sabermos que estas situações existem de verdade por esse mundo fora. O que realmente aconteceu ao menino desaparecido nunca é revelado nem mostrado, mas a sequência final alusiva a essa questão principal causa em nós um impacto profundo. A última cena do pai do menino mostra bem a índole daquele homem enquanto que a última cena da mãe do menino também evidencia a frieza de uma mulher que nunca devia ser mãe. Por último, temos um menino que teve muito azar em ter calhado com aqueles pais. Um filme que mostra bem que certas pessoas não valem nada. 

Beach Rats

Nome do Filme : “Beach Rats”
Titulo Inglês : “Beach Rats”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Eliza Hittman
Produção : Brad Becker Parton/Andrew Goldman/Drew Houpt/Paul Mezey
Elenco : Harris Dickinson, Madeline Weinstein, Kate Hodge, Nicole Flyus, Neal Huff, Frank Hakaj, David Ivanov, Anton Selyaninov, Harrison Sheehan, Douglas Everett Davis, Gabriel Gans, Erik Potempa, Kris Eivers, Stephen Brantley, Giovanna Salimeni, Victoria Mattos, Lindajean Milioto.

História : Frankie é um adolescente que passa os dias sem fazer nada e as noites arranjando encontros online com homens.

Comentário : Tratando-se de uma obra que se podia basear em factos verídicos, estamos perante um filme duro que vai direito ao cerne da questão da inutilidade absoluta da vida de certos adolescentes por esse mundo fora, que ocupam o tempo na inércia e recorrem às drogas para sentirem algo de compensador, face à porcaria de vida que possuem. O filme foca ainda temas como o bullying, a violência na adolescência e a homossexualidade. A realizadora tratou bem estes temas e se formos a ver as coisas por aquilo que assistimos na peça, nem parece uma obra filmada e escrita por uma mulher. Não é um filme fácil de assistir por causa das cenas gay, embora “O Desconhecido do Lago” seja bem pior nesse aspecto. Acompanhamos assim o quotidiano de um adolescente problemático que esconde de tudo e todos que mantém encontros sexuais com homens adultos e que, através deles, consegue prazer, dinheiro e droga. Na realidade, bastava a mãe dele ser mais atenta e facilmente descobria esse segredo do filho. Ele tem também uma irmã mais nova que já namora, mas com esta, a mãe deles nem implica. No papel principal, encontramos um muito competente Harris Dickinson, ele entrega-se totalmente ao papel, as cenas de sexo gay são realistas, para além da sua prestação ser bastante convincente. Em papéis femininos de relevância, temos Madeline Weinstein (a namorada), Kate Hodge (a mãe) e Nicole Flyus (a irmã), as três com boas prestações e com a devida importância para a história. É um filme simples, mas que vai directo ao foco das questões.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

47 Meters Down

Nome do Filme : “47 Meters Down”
Titulo Inglês : “47 Meters Down”
Titulo Português : “47 Metros de Terror”
Ano : 2017
Duração : 85 minutos
Género : Aventura/Drama/Terror
Realização : Johannes Roberts
Produção : James Harris/Mark Lane
Elenco : Mandy Moore, Claire Holt, Matthew Modine, Chris Johnson, Yani Gellman, Santiago Segura.

História : Durante uma viagem, duas irmãs decidem aventurar-se num mergulho para observar de perto os tubarões, mas tudo corre terrivelmente mal quando o cabo que prendia a jaula de observação ao barco se parte e ambas ficam presas no fundo do mar. Com enormes tubarões próximos da jaula e com botijas de oxigénio para apenas uma hora, as duas raparigas terão de descobrir uma maneira de atravessar toda aquela água para chegar ao barco acima delas.

Comentário : Mais um filme bastante tenso e aflitivo que eu tive a oportunidade de ver e embora tenha gostado, o filme não é nada de especial. Dentro deste género, gostei bem mais do bastante aceitável “The Shallows” de Jaume Collet-Serra. O vilão aqui são três grandes tubarões que passam a vida a nadar perto da jaula onde as duas protagonistas estão presas no fundo do mar. Como já disse, trata-se de um filme bem aflitivo e não aconselhável a pessoas que tenham medo de grandes quantidades de água, aliás, água é coisa que não falta por aqui. O filme mostra uma actividade que é muito usual, pessoas que gostam de mergulhar para verem a natureza. Se uma das irmãs está firme em embarcar naquela aventura, já a outra não está tão segura e muitas vezes hesita. Não se percebe porque motivo ela vai mesmo participar naquilo, se não está disposta a fazê-lo. Claro que a dada altura, as coisas pioram e não esperem uma situação fácil, porque a vida das raparigas vai complicar e muito. No papel das irmãs, Mandy Moore e Claire Holt estão muito bem, elas têm boas prestações e são bem carismáticas. Existe uma situação que não bate muito certo, a mim pareceu-me um erro de argumento, mas enfim, não quero explorar muito essa questão. Temos também uma evolução da situação que vai numa direcção, para depois ser desmentida através de uma espécie de twist, que nos mostra uma outra situação, a verdadeira. Pessoalmente, gostei desse truque narrativo. No fundo, é um filme apenas razoável, já foi feito bem melhor em outras fitas. Por exemplo, o filme “12 Feet Deep” é bem melhor. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Super Dark Times

Nome do Filme : “Super Dark Times”
Titulo Inglês : “Super Dark Times”
Ano : 2017
Duração : 103 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Kevin Phillips
Produção : Edward Parks/Richard Peete/Jett Steiger
Elenco : Owen Campbell, Charlie Tahan, Elizabeth Cappuccino, Adea Lennox, Max Talisman, Sawyer Barth, Amy Hargreaves, Ethan Botwick, Justin Rose, Samantha Jones, Anni Krueger.

História : Os adolescentes Zach e Josh são amigos desde a infância, mas um acontecimento vai alterar profundamente a relação dos dois.

Comentário : Quando se misturam dois géneros cinematográficos, as coisas nem sempre funcionam. No caso deste filme independente, a fusão do drama com o thriller resultou e temos uma fita bastante competente e que nos faculta pouco mais de hora e meia de uma história inquietante e algo perturbadora. Fiquei igualmente surpreendido com a imagem do filme, pareceu-me estar a ver algo dos anos noventa, nem parecia uma fita deste ano. A dada altura do longa, assistimos a algo que se passa entre quatro rapazes, esses acontecimentos vão originar todo um despertar de ações e as coisas nunca mais serão as mesmas. O clima de tensão acompanha todo o filme, o realizador deixa-nos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. E isso foi o mais interessante, nós nunca sabemos e nem desconfiamos do que os personagens principais vão fazer cena após cena, ou seja, o filme nunca é previsível. O filme foca o quanto irresponsáveis e cruéis podem ser os jovens. O tema principal é a amizade, neste caso entre dois rapazes que se conhecem há alguns anos e que possuem um relacionamento coeso entre eles. É também uma obra violenta e possuidora de um ritmo lento. Os jovens actores Owen Campbell e Charlie Tahan estão bem nos seus papéis e dão credibilidade aos seus personagens, embora eu tenha gostado mais da prestação do primeiro. Elizabeth Cappuccino está impecável no papel da única personagem feminina de jeito do filme inteiro. Estes três personagens funcionam bem tanto em conjunto quanto individualmente. É um filme muito interessante.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Good Time

Nome do Filme : “Good Time”
Titulo Inglês : “Good Time”
Titulo Português : “Good Time”
Ano : 2017
Duração : 101 minutos
Género : Crime/Drama/Thriller
Realização : Benny Safdie/Josh Safdie
Produção : Sebastian Bear McClard/Oscar Boyson/Terry Dougas/Paris K. Latsis
Elenco : Robert Pattinson, Benny Safdie, Jennifer Jason Leigh, Taliah Lennice Webster, Barkhad Abdi, Peter Verby, Saida Mansoor, Gladys Mathon, Rose Gregorio, Hirakish Ranasaki, Maynard Nicholl, Buddy Duress, Jim Dzurenda, Kate Halpern.

História : Connie e Nick são dois irmãos que assaltam um banco, mas o plano corre mal e o irmão mais novo é detido pelas autoridades. Numa noite, Connie tudo fará para reunir uma grande quantidade de dinheiro, com a finalidade de tirar o mano da prisão.

Comentário : Na noite passada, vi este filme dramático que confesso ter gostado. O filme é realizado pelos irmãos Safdie, que imprimem nos seus filmes um cunho muito autoral. Os dois são responsáveis por filmes como “Go Get Some Rosemary” e “What Heaven Knows”, duas boas obras. O filme também estabelece um facto : ele solidifica Robert Pattinson como sendo um bom actor, sim até custa a crer, mas é verdade. Tendo recebido alguns prémios, este filme nos oferece uma entrada grátis no mundo do crime e, embora não sendo uma obra para todos os públicos, não nos atira à cara uma lição de moral. A banda sonora é aceitável, a fotografia é cativante e apelativa e o ritmo apresenta falhas, repito, adeptos de adrenalina poderão não apreciar a pegada deste filme, ele tem por vezes um ritmo lento no desenvolvimento dos acontecimentos. Tal como disse, esta obra apresenta-nos finalmente um Robert Pattinson bastante competente, o actor possui aqui o melhor desempenho da sua carreira. Apesar do seu personagem fazer coisas erradas, nós simpatizamos com ele. Benny Safdie, um dos realizadores do longa, também interpreta um papel no seu próprio filme, ele faz de irmão mais novo do protagonista, tendo uma prestação muito boa, de frisar que o seu personagem é um homem com problemas mentais. Jennifer Jason Leigh e Barkhad Abdi interpretam bem os seus papéis, mas aparecem tão pouco que não têm grande impacto na trama. A jovem Taliah Lennice Webster tem uma boa prestação de apoio ao protagonista e a química entre os dois é notável. Pode-se dizer que se trata de um filme algo peculiar. 

domingo, 5 de novembro de 2017

Ingrid Goes West

Nome do Filme : “Ingrid Goes West”
Titulo Inglês : “Ingrid Goes West”
Ano : 2017
Duração : 98 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Spicer
Produção : Aubrey Plaza
Elenco : Aubrey Plaza, Elizabeth Olsen, O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell, Pom Klementieff, Billy Magnussen, Hannah Utt, Angelica Amor, Meredith Hagner, Charlie Wright, Dennis Atlas.

História : Ingrid Thorburn é uma rapariga algo perturbada com dificuldade em fazer amigos e em manter as amizades, tendo ainda uma estranha paixão pelas redes sociais. Depois de mais um desgosto, ela é sujeita a um tratamento e decide recomeçar a vida, ganhando um incentivo que se traduz em tornar-se amiga de uma pessoa famosa.

Comentário : Hoje tive a sorte de descobrir este pequeno filme independente que confesso ter gostado bastante. Entre outras coisas, este filme serve-se do facto da recente febre das redes sociais e do sucesso rápido, para fazer passar a sua mensagem, que consiste em dar a entender que por vezes somos levados a fazer certas coisas erradas para termos um pouco de fama e sucesso, ou para nos parecermos com alguém e isso é condenável. O filme vem disfarçado de comédia que, mesmo quando o tenta ser, nunca o consegue. Temos sim uma ou outra situação engraçada, mas o cerne da questão é algo muito delicado. Aqui, estamos a lidar com temáticas como a falta de sentimentos, o desprezo humano, a carência de afectividade, a fraca auto-estima, o bullying, a maldade humana, o desprezo por si próprio, a indiferença, o desespero, o suicido, entre outros. É um filme que mistura estes temas todos de uma maneira muito leve, sem lhes fazer justiça, ou seja, sem tratar esses assuntos com a gravidade que eles têm e merecem. Aubrey Plaza é a verdadeira e merecida estrela do filme, além de ser a produtora principal do longa, ela é ainda a protagonista e acaba mesmo por ser a alma do projecto, tendo uma excelente prestação e uma personagem muito rica e complexa a nível humano. Elizabeth Olsen está razoável, mas muito longe do seu verdadeiro potencial, ela já nos facultou mais e melhor em outros filmes e com outros registos. Gostei muito do personagem de O'Shea Jackson Jr., Wyatt Russell só serve de personagem de apoio e Billy Magnussen desempenha muito bem o papel do nojento de serviço. Gostei imenso deste filme por causa da história, mas gostei ainda mais de ter descoberto Aubrey Plaza, actriz que eu desconhecia, adorei o trabalho que ela fez no filme.

Thor : Ragnarok

Nome do Filme : “Thor : Ragnarok”
Titulo Inglês : “Thor : Ragnarok”
Titulo Português : “Thor : Ragnarok”
Ano : 2017
Duração : 130 minutos
Género : Comédia/Ação/Aventura/Fantasia
Realização : Taika Waititi
Produção : Kevin Feige
Elenco : Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Tessa Thompson, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Benedict Cumberbatch, Rachel House, Tadanobu Asano, Ray Stevenson, Zachary Levi, Luke Hemsworth, Sam Neill, Taylor Hemsworth, Charlotte Nicdao, Sky Castanho, Matt Damon, Stan Lee, Cohen Holloway, Jasper Bagg, Clancy Brown, Taika Waititi.

História : Thor encontra-se preso, sem o seu martelo poderoso, numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana – que se encontra nas mãos de uma poderosa ameaça, a deusa da morte : Hela.

Comentário : Os blockbusters regressam assim a este espaço, sim, eu vou voltar a comentar cinema comercial aqui com a novidade de que esses comentários não serão mais apagados passados dias, eles ficarão aqui postados, eu decidi isto para dar um novo estímulo ao blog. E para iniciar esta nova fase, venho aqui comentar o novo filme da Marvel, aquele que encerra a trilogia do Thor em beleza. Sim, também é verdade que os dois primeiros filmes não são grande coisa, mas com este terceiro tomo, as coisas nunca mais serão as mesmas para o deus nórdico. Desta vez, a Marvel mudou o tom à coisa e transformou o Thor num personagem cómico e talvez tenha-se prejudicado por causa disso, pois ao alterar a essência dele, fez com que desse uma personalidade ao herói que não corresponde ao que vimos dele em outros filmes. Mas, pelos vistos, a maior parte dos nerds gostaram deste terceiro filme, já que as críticas positivas aumentam e a fita auferiu boas classificações. Chamaram Taika Waititi (Hunt For The Wilderpeople) que é um director muito ligado à comédia, os seus filmes são muito satíricos e cómicos e foi isso que a Marvel quis fazer com esta fita, algo diferente, isto porque o filme é uma comédia e é disso que se trata. 

O principal problema deste filme é que não se leva a sério, é algo diria mesmo descartável, típico filme “pipoca” ou de plástico, de comer e jogar fora. Mas pode-se dizer isso de quase todos os filmes da Marvel e da maioria dos blockbusters, eles só servem para encher os bolsos aos grandes estúdios, fazer dinheiro, é esse o grande e maior objectivo destes filmes. E com este terceiro “Thor”, passa-se o mesmo. Não quero com isto estar a criticar os nerds e os adeptos deste tipo de cinema, mas são filmes vazios de utilidade e com histórias fracas, mas tenho que respeitar os gostos dos outros, é bom haver diversidade. O principal problema dos filmes de super-heróis e da maioria dos blockbusters é terem comédia e piadas que surgem em momentos de grande tensão e em alturas onde não era suposto elas lá estarem. Além disso são filmes para determinados tipos de público. Neste “Thor : Ragnarok”, isso acontece e sucede em grande escala, quase nada aqui é levado a sério. E isso é lamentável, o excesso de comédia faz com que a história que nos pretendem contar e mostrar não tenha qualquer credibilidade. Mas tenho que confessar que, se não levarmos isto muito a sério, a coisa até corre bem e temos duas horas bem passadas. Este é o filme mais longo da trilogia, mas podia não ser, porque o director disse recentemente numa entrevista que adicionaram cenas de maneira a ser mais cómico, aumentando a duração portanto. A Marvel é também perita em filmes longos. Este filme tem duas cenas pós-créditos, uma delas não presta e a outra é um indício do próximo filme dos Vingadores.

Chris Hemsworth volta assim ao papel que o celebrizou, regressa em modo cómico e durante o filme mudam-lhe o visual, aparentemente sem motivo. Do grupo dos Vingadores, ele sempre foi o menos expressivo, mas curiosamente, aqui está melhor. Tom Hiddleston tem no seu Loki o melhor vilão da Marvel e se formos ver bem até pode ser verdade, mas irrita-me o facto do seu personagem estar constantemente a mudar de lado, embora o actor tenha imenso carisma nesse papel. Cate Blanchett tinha tudo para ser o melhor vilão do estúdio, mas infelizmente isso não aconteceu, a actriz até vai bem no papel de Hela, mas é muito limitada e envolta em clichés, tudo já visto em outros blockbusters. No entanto, Cate Blanchett, além de ser uma excelente actriz, é também uma verdadeira senhora, e foi um prazer vê-la neste papel, muito diferente daquilo que estamos habituados a ver dela. Anthony Hopkins aparece no início e no final, ele está muito bem, mas infelizmente aparece pouco, mais uma vez. Mark Ruffalo é a melhor escolha para o papel do Hulk, o actor manda muito bem aqui, além disso, ele deu consistência e credibilidade a alguém que está muito longe de casa, prestação totalmente convincente. Eu gostei muito do Hulk deste filme.

Tessa Thompson é, na minha opinião, a personagem mais interessante do filme, além de ter gostado bastante da prestação da actriz, confesso que me diverti muito com ela, já para não falar do facto dela ser uma mulher linda. Nota igualmente positiva para a relação inédita que mostraram entre o Thor e o Hulk, os dois nunca estiveram tão bem e temos também direito a uma pequena explicação para justificar o facto de Bruce Banner estar naquele planeta, tão longe da Terra. O filme divide-se em dois arcos : temos o que se passa em Asgard com Hela a tentar destruir o reino de Odin, enquanto que em Sakar se passa o outro lado da narrativa com Thor e Loki a tentarem escapar para virem salvar o seu planeta e o seu povo. Gostei da participação do Doutor Estranho. Não é só de comédia que o filme vive, temos também muita ação, uma boa banda sonora, bons efeitos visuais e sonoros, um bom guarda-roupa, enfim, a nível técnico as coisas resultaram. Temos um cão gigante que eu gostei bastante, funcionou e podemos vê-lo também a combater contra o Hulk. Claro que não gostei de algumas coisas, por exemplo, a dada altura durante um combate do protagonista, sucede-lhe algo que eu achei uma estupidez, mas isso foi justificado para servir a história inicial. A cena da destruição do martelo está brutal, mas o filme peca por alguns momentos parecerem muito artificiais. Gostei do Sutur. Preferia que o Thor continuasse com o cabelo comprido. Volto a dizer, a partir de hoje irei voltar a comentar blockbusters, apesar de ter a consciência que estes filmes não têm muito de cinema, mas temos que diversificar as coisas. Comentarei não apenas os recentes, mas também outros de anos anteriores que já estrearam, talvez as pessoas gostem mais, deixem aí nos comentários o que acham da ideia. Quanto a este “Thor : Ragnarok”, é o melhor da trilogia, mas está longe de ser um dos melhores filmes da Marvel, esse mérito pertence os dois filmes dos Vingadores e ao segundo e terceiro Capitão América. 



12 Feet Deep

Nome do Filme : “12 Feet Deep”
Titulo Inglês : “12 Feet Deep”
Titulo Alternativo : “Trapped Sisters”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama
Realização : Matt Eskandari
Produção : John Burd/Mark Myers/Hannah Pillemer
Elenco : Alexandra Park, Nora Jane Noone, Diane Farr, Tobin Bell, Christian Blackburn.

História : Jonna e Bree são duas irmãs com um passado problemático que, na véspera de um feriado, ficam esquecidas e presas dentro de uma piscina fechada com uma espessa e dura cobertura de vidro. Como se já não bastasse essa situação, as duas ficam ainda à mercê de uma empregada de limpeza com segundas intenções.

Comentário : Estamos perante um filme bastante tenso e aflitivo que envolve temas como a maldade humana, o suicido e a pedofilia. Embora não sejam estes os temas principais, pois o que temos aqui são duas irmãs a lutar pela sobrevivência, já que estão numa situação muito complicada e com a vida em risco. O cenário principal é uma enorme piscina e será aqui que duas personagens irão viver mais uma dura experiência, recordar um terrível passado traumático para as duas e tentar superar as divergências que nutrem uma pela a outra, tudo no sentido de se manterem vivas. Como já disse, é um filme aflitivo, que vive sobretudo graças às duas excelentes prestações das actrizes principais, que estão soberbas nos seus papéis e nos seus desempenhos. Temos água por todo o lado e uma mulher cheia de maldade, também ela com um passado trágico, mas que está disposta em fazer mal às nossas meninas, para tentar obter qualquer coisa delas. Na minha opinião, essa personagem secundária em nada acrescenta à trama, diria mesmo que se ela não estivesse no filme, não faria falta alguma, pois a situação das irmãs já era dramática o suficiente e em nada mudaria o destino delas. Não se trata de um filme de terror, mas sim de uma fita de superação, em que duas irmãs conseguem provar a elas mesmas que não só se amam de verdade, como também que são úteis uma para a outra e que precisam uma da outra. 

Le Voyage de Fanny

Nome do Filme : “Le Voyage de Fanny”
Titulo Inglês : “Fanny's Journey”
Titulo Português : “A Viagem de Fanny”
Ano : 2016
Duração : 95 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Lola Doillon
Produção : Marie de Lussigny/Saga Blanchard
Elenco : Léonie Souchaud, Fantine Harduin, Juliane Lepoureau, Anais Meiringer, Malonn Levana, Elea Korner, Lou Lambrecht, Alice D'Hauwe, Ryan Brodie, Igor Van Dessel, Cecile De France, Stephane De Groodt, Lucien Khoury, Victor Muetelet, Anna Tenta, Pascaline Crevecoeur, Julien Vargas, Jeremie Petrus, Rachel Harduin, Clementine Dandoy Crevecoeur.

História : Durante o período da Segunda Guerra Mundial, muitos pais abandonavam os seus filhos aos cuidados de instituições, na intenção das crianças ficarem a salvo da ameaça nazi. Fanny e as suas duas irmãs passaram por essa situação dolorosa. Num acto de desespero, as três irmãs reúnem um grupo de outras crianças e decidem fugir para a Suíça, enfrentando diversos medos e perigos, mas aprendendo o significado da independência.

Comentário : Se pensarmos bem no passado, o período em que durou a Segunda Guerra Mundial que foi o mesmo onde decorreram o Nazismo e do Holocausto, foi o pior da história da Humanidade. Milhares de famílias foram desfeitas e milhões de pessoas morreram às mãos dos alemães. Essas tristes realidades de há setenta e tal anos ainda hoje nos chocam e deviam envergonhar os alemães por tudo aquilo que eles fizeram e pelo mal que eles causaram no passado. Mas existe uma realidade ainda pior, que é a situação das crianças em todo esse período de horror. Por vezes, eu olho para imagens de crianças no Holocausto e de outras crianças judias daquela época, e penso o quanto devem ter sofrido aquelas alminhas : quando eram separadas dos pais ou dos familiares com quem estavam, quando assistiam à morte dos pais pelas mãos dos nazis, no que sofriam nos campos de concentração, quando eram sujeitas a experiências médicas dolorosas, mas principalmente penso em tudo aquilo que elas passaram, o horror que foram as suas existências, das que morreram de forma trágica e dolorosa ou rápida e mesmo das muitas que escaparam com vida mas que para tal viveram um verdadeiro inferno.

A Fanny desta história e as suas duas irmãs existiram de verdade, este filme é baseado em factos reais, os factos históricos aqui mencionados são verídicos e o filme está muito bem concebido. A Fanny verdadeira (foto em baixo ao lado da actriz protagonista) ainda é viva e contribuiu junto da realizadora Lola Doillon para que o filme pudesse ver a luz do dia. Apesar de ser uma história triste, as crianças enquanto personagens, deram um pouco de alegria nas brincadeiras próprias da idade em algumas cenas. Todas as crianças envolvidas tiveram prestações aceitáveis e consistentes, com principal foco para Léonie Souchaud, a pequena actriz cuja personagem tem o nome que aparece no título. É um filme triste, mas cheio de esperança, gostei bastante dele. Filmes como este e outros do género servem para que muita gente nunca se esqueça do que realmente aconteceu.

Better Watch Out

Nome do Filme : “Better Watch Out”
Titulo Inglês : “Better Watch Out”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : Chris Peckover
Produção : Sidonie Abbene/Brion Hambel/Paul Jensen/Brett Thornquest
Elenco : Olivia DeJonge, Levi Miller, Ed Oxenbould, Aleks Mikic, Dacre Montgomery, Virginia Madsen, Patrick Warburton.

História : Ashley é uma jovem que é contratada para tomar conta de um rapaz de doze anos. Como até já conhece a família e o dito rapaz, ela aceita esse trabalho, até mesmo para ganhar uns trocos. No entanto, a miúda nem sonha que vai ter a pior noite da sua vida.

Comentário : Apesar deste filme se passar no Natal, ele tem apenas o visual dessa quadra. Com algumas pitadas de comédia mas sem nunca o ser de verdade, o filme segue uma história igual a tantas outras já contadas e algumas até melhores que esta. Assim, seguimos a história de uma rapariga que é paga para tomar conta de um garoto durante uma noite, mas as coisas não corram muito bem, diria mesmo, correm muito mal. Mas eu não quero revelar mais nada, seria entregar muito spoiler. Apesar de conhecida, a história torna-se bastante interessante a partir de um twist brutal que se dá a certa altura, fazendo com que as coisas sigam um rumo totalmente inesperado, embora tolerável até certo ponto. Temos um considerável clima de tensão que percorre os quase noventa minutos, sentimos uma espécie de nervoso a percorrer-nos o corpo, muito por causa do que vai acontecendo com a protagonista e com dois amigos dela. É uma fita que dá que pensar, sem querer levantar muito a ponta do véu, quem diz que as crianças não mentem e que não têm maldade, deviam pensar duas vezes ou mesmo retirar o que dizem. No papel da miúda protagonista, temos uma bonita e competente Olivia DeJonge (The Visit), que nos convence totalmente do sofrimento e aflição que a sua personagem vive. Por seu turno, Levi Miller (Jasper Jones) está aceitável na condição do seu personagem, se no início ele é muito querido e amável, depressa se torna no pior pesadelo do Natal para Ashley. Volto a dizer, é uma fita que dá que pensar, principalmente pelos quinze minutos finais. Por último, o destino final dado à personagem feminina principal era escusado, desta vez, não me importava que as coisas corressem bem para o vilão.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

The Purge : Election Year

Nome do Filme : “The Purge : Election Year”
Titulo Inglês : “The Purge : Election Year”
Titulo Português : “A Purga : Eleição”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge, Kyle Secor, Liza Colon Zayas, Ethan Phillips, Christopher James Baker, Jared Kemp, Brittany Mirabile, Juani Feliz, Kimberly Howe, Jordan Lloyd, Naheem Garcia, Roman Blat.

História : Durante a purga anual, um guarda-costas precisa fazer de tudo para impedir que uma senadora seja assassinada na noite do crime, um período de doze horas onde todo e qualquer crime é permitido.

Comentário : Mais uma vez, o realizador e os produtores conseguem elevar as coisas a outro patamar. Se no segundo filme já se falava na influência e no poder do dinheiro durante o período da purga, neste terceiro filme não só isso mantém-se, como também a camada rica está a servir-se da purga para reduzir os pobres e assim poupar no orçamento. Outra coisa que já vem do segundo filme e se mantém aqui, é a existência de um grupo que é contra a purga e salva potenciais vítimas. Há também pessoas que chegam de outros países de propósito para purgar. E no meio de tudo isto, a política mete-se também no assunto e existe uma senadora que diz que se ganhar, acaba com esta noite, o que faz com que passe a não haver camadas imunes à purga, agora qualquer um pode ser assassinado. O partido oposto à senadora torna-se ele mesmo purgador e a festa começa. São tudo ideias interessantes e que neste terceiro filme funcionam muito bem. O filme não é mau, a essência da coisa continua lá, apenas sobem a parada. Tal como os outros dois, temos violência e sangue. 

Frank Grillo regressa a este universo e, apesar de manter a mesma personagem, surge com novas intenções. Infelizmente neste caso, as atenções não se centram nele, embora ele continue a ser portador de um personagem bem interessante. No papel da senadora com boa índole, Elizabeth Mitchell tem uma boa prestação, a actriz convence com a sua personagem. Também gostei da personagem e da interpretação de Betty Gabriel. Mykelti Williamson possui aqui um personagem que é do bem, é impossível não passarmos o filme quase todo a desejar que as coisas corram bem para ele. E Brittany Mirabile e Juani Feliz interpretam duas líderes de um peculiar grupo de purgadoras que representa aquilo que de mais original o filme tem. A narrativa do filme vai evoluindo a um ritmo crescente, sempre nos prendendo à cadeira e com alguns twists bem leves, tudo no sentido de não nos desviar a atenção. Até temos direito a um drone intrusivo. Vale dizer também que os trajes daqueles turistas que tentam matar a senadora são muito apelativos. Tiros e porrada não faltam, mas a fita peca por ter alguns erros, por exemplo, o personagem de Frank Grillo passa o filme inteiro vivo e na maior, apesar de ter uma ferida profunda a sangrar devido a um tiro certeiro no início da película. Eu gostei dos três filmes, mas prefiro claramente o primeiro.

The Purge : Anarchy

Nome do Filme : “The Purge : Anarchy”
Titulo Inglês : “The Purge : Anarchy”
Titulo Português : “A Purga : Anarquia”
Ano : 2014
Duração : 103 minutos
Género : Terror/Thriller
Realização : James DeMonaco
Produção : Jason Blum/Andrew Form/Bradley Fuller/Sebastien Lemercier
Elenco : Frank Grillo, Carmen Ejogo, Zoe Soul, Kiele Sanchez, Zach Gilford, John Beasley, Justina Machado, Noel Gugliemi, Castulo Guerra, Michael Kenneth Williams, Roberta Valderrama, Niko Nicotera, Bel Hernandez, Chad Morgan, Lily Knight.

História : Dois grupos de pessoas são ajudados por um estranho homem na noite do crime, um período de doze horas durante o qual todo e qualquer crime é permitido. Juntos, os cinco terão que fazer tudo para conseguirem sobreviver à noite da purga.

Comentário : Trata-se do segundo filme da trilogia “The Purge”, cujo primeiro filme já se encontra comentado neste espaço. Tal como disse no primeiro comentário, a ideia é original, embora eu confesse que não ia gostar se isto fosse posto em prática. No caso deste segundo filme, as coisas sobem a outro patamar. O realizador leva as coisas para a diferença entre ricos e pobres. Aqui, além de haver as pessoas habituais que querem purgar na dita noite, existem também alguns ricos que pagam a grupos de criminosos para raptarem vítimas para depois os matarem da maneira que desejarem. E penso que é daí que surge o segundo titulo do filme, ou seja, é a pura anarquia onde vale quase tudo. Visualmente, a fita é apelativa e violenta, podemos contar com cenas duras e algum sangue. Apesar disso e tal como aconteceu no primeiro, não esperem algo muito sádico como sucede na saga “Saw”, o que conta aqui é mostrar o que se pretende e passar a mensagem.

Pessoalmente, eu penso que a mensagem desta trilogia vai no sentido de que a violência e o crime não nos levam a lado nenhum, apesar dos filmes mostrarem o contrário. Gostei da prestação de Frank Grillo, de longe o meu personagem preferido, eu comprei o seu drama e os seus motivos, o que ele faz e constrói com as quatro vítimas da purga é algo maravilhoso e admirável. Carmen Ejogo é a segunda estrela a merecer o destaque, a actriz possui aqui uma boa prestação. Zoe Soul tem aqui uma personagem muito querida e interessante. Os outros, vítimas ou vilões, fizeram um bom trabalho. Podemos contar também com um forte clima de tensão e muita adrenalina, existem aqui cenas bem aflitivas. Logo no início, acontece uma sequência em que um casal se prepara para entrar no seu carro e observa um grupo de criminosos a preparar-se para a purga, é toda uma cena que mete medo e até me arrepiou. O filme também passa a triste mensagem de que o dinheiro pode quase tudo e quem o tem, pode fazer ou mandar fazer tudo o que quer. O filme tem ainda um ou dois twists bem originais, um deles eu não gostei muito e tem a ver com o facto da tal história dos ricos e da maneira estranha deles purgarem. No fundo, é um filme diferente do primeiro, mas ainda assim, está aceitável.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

São Jorge

Nome do Filme : “São Jorge”
Titulo Inglês : “Saint George”
Titulo Português : “São Jorge”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Drama
Realização : Marco Martins
Produção : François D'Artemare/Maria João Mayer
Elenco : Nuno Lopes, Mariana Nunes, David Semedo, Beatriz Batarda, Adriano Luz, José Raposo, Ligia Kellermann, Jean Pierre Martins, Ana Gonçalves, Fátima Inocêncio, Ricardo Fernandes, Rodrigo Almeida, Paulo Batata, Salvador Santos, Paulo Afonso, Gonçalo Waddington, Paulo Seco, Ivo Alexandre, Teresa Coutinho, Maria Leite.

História : Jorge é um pugilista desempregado que tenta a todo o custo encontrar formas de garantir o sustento de Susana e Nelson, a mulher e o filho. Quando ela, emigrante brasileira, decide fugir da crise financeira que se instalou em Portugal e regressar ao seu país, Jorge fica sem saber o que fazer. Como último recurso, aceita um trabalho numa empresa de cobrança de dívidas. Usando o seu corpo treinado para a luta corpo a corpo, passa a intimidar pessoas que, tal como ele, se encontram numa situação desesperada. De um momento para o outro, vê-se a atravessar a fronteira da moralidade e a entrar num mundo de criminalidade gerada pela pobreza e pela falta de alternativas.

Comentário : Existem pessoas que dizem que este filme português é sobre a crise, outros alegam ser uma fita sobre o mal que a Direita causou ao nosso povo durante quatro anos e respectivas consequências; eu acho que é uma película sobre um homem que vive uma situação muito difícil e que devido ao que se passa no seu país, por causa da crise e das medidas de dois governos irresponsáveis, vê-se ele mesmo obrigado a fazer coisas contra a sua vontade, afundando-se assim cada vez mais. Eu gostei de “Alice” e de “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, dois grandes filmes de Marco Martins e sou suspeito para vir aqui falar sobre este seu novo filme, embora saiba perfeitamente que os realizadores têm filmes bons e outros menos bons, é como em todas as profissões, por vezes acerta-se e outras vezes cometem-se erros. Mas como não há duas sem três, eu também gostei de “São Jorge”.

Não é um filme fácil, tem um ritmo muito lento e algumas sequências arrastam-se, mas vos garanto que nada está a mais neste filme, neste caso, funciona como uma espécie de puzzle, em que as peças, umas mais importantes que outras, fazem bem o seu trabalho e se completam, fazendo com que o resultado final seja bastante positivo. O filme possui mais cenas nocturnas e no escuro do que partes passadas de dia ou em ambientes claros. Se a fotografia é boa, o mesmo não se pode dizer do som, aliás, a componente sonora costuma ser quase sempre o ponto mais fraco no cinema português e neste caso, exigia-se legendas mesmo com os actores a falar a nossa língua. O realizador trabalhou bem a temática da crise. Nuno Lopes é um bom actor e aqui volta a ter uma excelente prestação. Nesse campo, Mariana Nunes também merece ser frisada, ela teve uma boa interpretação e eu gostei muito da sua personagem. Destaque também para a química existente entre os dois, deram um casal convincente. Por último, tenho que dizer que gostei bastante deste filme, principalmente porque é diferente do habitual.