terça-feira, 25 de julho de 2017

Uncertain Glory

Nome do Filme : “Incerta Glòria”
Titulo Inglês : “Uncertain Glory”
Titulo Português : “Glória Incerta”
Ano : 2017
Duração : 116 minutos
Género : Drama
Realização : Agusti Villaronga
Produção : Alba Forn/Elisa Plaza
Elenco : Nuria Prims, Marcel Borras, Oriol Pla, Bruna Cusí, Terele Pavez, Luisa Gavasa, Roger Casamajor, Juan Diego, Bruno Bergonzini, Fernando Esteso, Jorge Uson, Oscar Foronda, Francesca Pinon, David Bages, Quimet Pla, Hamid Krim.

História : Numa Espanha assolada pela guerra, Lluís é um jovem que nunca se quis casar com a namorada, de quem tem um filho menor. Certo dia, ele conhece uma viúva detentora de um passado obscuro. Apesar de gostar dessa mulher, ele será colocado por ela num dilema que custará o preço de uma vida.

Comentário : Gostei bastante de dois filmes anteriores deste realizador e, após ter visto este terceiro registo seu, só comprovei que o cinema espanhol está bom e recomenda-se. Estamos perante uma obra fria e devastadora que apesar de não chocar, nos surpreende pelo teor do argumento que é coeso e nos faculta uma história que nos consome aos poucos. Foi realmente muito agradável seguir os acontecimentos desta história ao longo de quase duas horas, para culminar no tal dilema do protagonista masculino, que se avizinha algo brutal. No papel do principal personagem masculino, o actor Marcel Borras convence não só com a sua expressividade, como também nos oferecendo a segunda melhor interpretação do longa. Como protagonista feminina, Nuria Prims aufere desta maneira a melhor prestação da fita, é a ela que devemos os melhores momentos desta longa metragem. Como melhor amigo do protagonista, Oriol Pla dá-nos um desempenho contido e com algum humor, mas essas qualidades acabam por o favorecer e são essenciais na composição do seu personagem. Como namorada de Lluis, Bruna Cusí consegue ter uma forte presença que se assinala mais a partir da segunda parte do filme. Os quatro estabelecem um quadro bastante forte e que é um dos principais alicerces da fita. A crueldade de uma das personagens centrais é justificada pelo seu passado sofredor. Podemos contar com duas cenas desnecessárias. Destaque também para a fotografia e para o guarda-roupa. É um filme que se segue muito bem, eu próprio estive sempre atento ao desenrolar desta história e sempre na expectativa daquilo que ia acontecer a seguir. O filme não tem muita violência nem cenas de sexo gratuitas. Tudo segue a um ritmo lento, mas sempre interessante. Foi um dos filmes que mais me deixou satisfeito ultimamente.

Dunkirk

Nome do Filme : “Dunkirk”
Titulo Inglês : “Dunkirk”
Titulo Português : “Dunkirk”
Ano : 2017
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Histórico/Guerra
Realização : Christopher Nolan
Produção : Christopher Nolan/Emma Thomas
Elenco : Mark Rylance, Tom Hardy, Barry Keoghan, Fionn Whitehead, Aneurin Barnard, Harry Styles, Jack Lowden, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Tom Glynn Carney, James D'Arcy, Michael Fox.

História : A Batalha de Dunquerque, em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial cuidadosamente vista a partir de três perspectivas diferentes : Na praia, os soldados esperam o resgate que tarda, no mar, marinha e civis fazem os possíveis para salvar os compatriotas, no ar, os pilotos britânicos tentam abater os inimigos no combate aéreo. Todos juntos numa luta contra o tempo.

Comentário : O realizador Christopher Nolan está de regresso à sétima arte, desta vez, com um filme de guerra e baseado em acontecimentos históricos. Estamos perante um filme de grande orçamento que sabe honrar as origens do cinema, sem banhos de sangue, mas filmado de maneira peculiar. O cineasta funde habilmente o cinema comercial com o seu cunho autoral. Por terra, por mar e no ar, a camara de Christopher Nolan segue o que se passa de três perspectivas e em linhas temporais diferentes. Mas o filme é muito mais que isso. A montagem está perfeita e resulta muito bem enquanto que a banda sonora de Hans Zimmer funciona bem na maioria das sequências, embora incomode um pouco em alguns momentos. A fotografia é outra coisa que está memorável, existem no filme imensos planos aéreos belíssimos e outros que mostram a crueldade da guerra de forma muito realista. A nível das interpretações, o maior destaque vai para o elenco jovem com Fionn Whitehead, Aneurin Barnard e Harry Styles a serem a grande mais valia da fita no que à representação diz respeito. Os três são os rostos que mais nos dizem ao longo de pouco mais de hora e meia. Temos também aqui Tom Hardy que passa o filme quase todo com uma máscara na cara, mas ainda assim, o actor consegue ter uma forte presença. As cenas de voo em que ele sobrevoa as praias são magistrais. Cillian Murphy dá-nos o retrato ideal do soldado que traz consigo o trauma da guerra. Por último e não menos importantes, o veterano Mark Rylance e o jovem Barry Keoghan abarcam a componente da salvação, ou seja, eles saem do porto inglês numa embarcação e acabam por salvar alguns soldados que lhes surgem no mar. Volto a dizer, o filme está muito bem filmado e tem uma cinematografia linda. Praticamente não aparecem mulheres ao longo da fita, é um filme de homens, sendo também uma das obras mais curtas de Nolan. Confesso que não sou grande adepto de filmes de guerra, mas este conquistou o meu sentido cinéfilo. Outro dos grandes filmes deste ano. 

The Sense Of An Ending

Nome do Filme : “The Sense Of An Ending”
Titulo Inglês : “The Sense Of An Ending”
Titulo Português : “O Sentido do Fim”
Ano : 2017
Duração : 109 minutos
Género : Drama
Realização : Ritesh Batra
Produção : Ed Rubin/David M. Thompson
Elenco : Jim Broadbent, Charlotte Rampling, Emily Mortimer, Matthew Goode, Michelle Dockery, Harriet Walter, Freya Mavor, James Wilby, Edward Holcroft, Billy Howle, Joe Alwyn, Peter Wight, Hilton McRae, Timothy Innes, Karina Fernandez.

História : Anthony Webster é um idoso cuja existência tranquila é perturbada quando recebe uma carta de um advogado a comunicar que alguém lhe deixou um diário em testamento. Essa circunstância vai reavivar memórias com mais de cinco décadas : os companheiros da faculdade e a lembrança de um grande amor, mas também as terríveis consequências de acções impensadas da sua já tão distante juventude.

Comentário : O realizador desta obra cinematográfica fez um filme muito bom chamado “A Lancheira”, que eu gostei bastante. Sobre este seu novo trabalho, vou já adiantar que não é tão bom quanto o referido anteriormente, mas ainda assim, é um bom filme mas que foi estragado por um factor. Ao longo de quase duas horas, o filme divide-se em duas narrativas : uma decorre no tempo presente com o protagonista já velho e a viver a sua vida pacífica; já a segunda parte narrada vive muito do flashback, ou seja, de imagens do seu passado e da sua juventude. A cerca de quarenta minutos do final, essas duas narrativas fundem-se na história principal e gera umas situações curiosas. Claramente que o veterano Jim Broadbent possui a melhor interpretação do filme, por outro lado, eu adorei mais uma vez ter visto Charlotte Rampling num filme, ainda que ache que a sua personagem tenha sido tratada de maneira muito injusta. O filme tenta ser um romance mas nunca funciona como tal. O argumento tem uns poucos furos, mas nada que estrague o todo. O tal factor que estraga o filme é um twist que muda tudo sobre um acontecimento do passado do personagem principal, eu fiquei muito desapontado com essa mudança porque altera imenso um procedimento negativo dele e que fazia todo o sentido. Ainda assim, é um filme bastante aceitável, mas que fique bem claro que o director é capaz de muito melhor e já o provou.

Heal The Living

Nome do Filme : “Reparer Les Vivants”
Titulo Inglês : “Heal The Living”
Titulo Português : “Cuidar dos Vivos”
Ano : 2016
Duração : 103 minutos
Género : Drama
Realização : Katell Quillévéré
Produção : Philippe Martin/Justin Taurand/David Thion
Elenco : Tahar Rahim, Emmanuelle Seigner, Anne Dorval, Bouli Lanners, Monia Chokri, Kool Shen, Alice Taglioni, Karim Leklou, Finnegan Oldfield, Alice De Lencquesaing, Theo Cholbi, Gabin Verdet, Galatea Bellugi, Titouan Alda, Andranic Manet, Irina Muluile, Danielle Arbid, Amandine Ji, Kevin Mangovo, Neelesh Dhuny, Severine Veyrieres, Thelma Garcia, Rebecca Dereims, Camille Tillier.

História : Depois de uma tarde a surfar com os amigos, Simon, de 19 anos, sofre um acidente de automóvel. Internado no hospital com um traumatismo craniano grave, depressa o seu estado evolui para morte cerebral. É então que, ainda incapazes de aceitar o trágico desfecho, os pais se vêem obrigados a tomar uma difícil decisão : permitir a doação de órgãos. Mesmo sabendo que nada há a fazer para salvar o filho, aceitar retirar-lhe os órgãos que o mantêm preso à vida, revela-se um acto de coragem e abnegação quase insuportável.

Comentário : Existem filmes que nos fazem reflectir sobre a vida, que por vezes, falam de alguém que leva uma vida normal, vive numa boa, mas de repente acontece algo que muda por completo esse cenário de normalidade e transforma por completo a vivência dessa pessoa. Isto que acabei de escrever pode dizer-se que resume a proposta deste filme, neste caso, acompanhamos as experiências de um jovem que leva uma vida normal, mas o destino prega-lhe uma partida. Detentor de um ritmo lento, estamos perante um filme com um argumento muito bem escrito, inclusive foi adaptado de um livro de sucesso, mas podia muito bem ser baseado numa história verídica. Quero com isto dizer que as situações retratadas neste filme podiam ter acontecido na realidade. Todos possuem aqui brilhantes interpretações, com destaque para Emmanuelle Seigner e Anne Dorval. Também gostei de ter visto o actor Tahar Rahim neste registo. A fita está dividida em três actos, mas todos estão relacionados com o ponto principal. Existem aqui cenas de cirurgias que não são aconselháveis aos mais sensíveis, eu pessoalmente, não gosto quando essas cenas aparecem nos filmes. É também um filme que trabalha bem os sentimentos humanos em situações limite e nesse aspecto, os dois actores que desempenham os pais do rapaz acidentado passam na perfeição a imagem da situação em que os seus personagens estão envolvidos. A banda sonora é boa e as imagens passadas no mar são muito bonitas. Temos aqui cenas muito bem filmadas, tem até uma cena em que os pais do rapaz têm uma conversa com um dos médicos que é bem sufocante. No fundo, é um filme que passa muito bem a mensagem de que esta vida é uma passagem e que nós não temos controlo sobre ela.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Amar

Nome do Filme : “Amar”
Titulo Inglês : “Loving”
Titulo Português : “Amar”
Ano : 2017
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Esteban Crespo
Produção : Stefan Schmitz/Maria Zamora
Elenco : Maria Pedraza, Pol Monen, Natalia Tena, Greta Fernandez, Nacho Fresneda, Gustavo Salmeron, Sonia Almarcha, Marta Belenguer, Antonio Valero, Celso Bugallo, Maria Caballero, Jorge Silvestre.

História : Laura e Carlos são dois adolescentes que aparentemente estão apaixonados, embora tenham uma relação muito estranha. Os dois decidem interromper o namoro e dar um tempo ao relacionamento, o que será determinante não só para testarem a relação mas também para provarem se realmente se amam um ao outro.

Comentário : Confesso gostar bastante de cinema espanhol, não por causa deles serem nossos vizinhos de fronteira, mas sim porque tenho uma simpatia cinéfila por eles. E este filme é um bom exemplar desse cinema. De certa forma, estamos perante um tipo de cinema que é um pouco parecido com o cinema que se faz em Portugal ou mesmo no Brasil, a maioria desses filmes falam-nos, de forma eficaz, directamente ao nosso coração. O cineasta Pedro Almodovar também o sabe fazer muito bem. No centro desta trama temos um casal de jovens namorados que gostam de ter relações sexuais em locais menos próprios e arriscados, mas que ainda têm que provar a eles mesmos que se amam realmente. É algo parecido com a saída da era da juventude para entrarem a fundo na vida adulta. E nesse aspecto, apesar de ambos serem irresponsáveis, ela ainda consegue pensar melhor naquilo que quer para a sua vida, diria que ele é mais infantil que ela.

O realizador gere bem os tempos e nos faculta uma história interessante com um argumento bem escrito e coeso, recheado de bons momentos amorosos. Ele não só trabalha bem a relação do casal protagonista, como também estabelece de forma cordata o tipo de vida que os pais de cada um dos jovens levam, articulando a relação dos adultos com os jovens de forma muito eficiente. As cenas de sexo nunca são explícitas aqui e no caso deste filme, achei bem, o amor entre adolescentes é bonito e inocente demais para ser estragado com exposições menos próprias, principalmente quando se pretende passar a imagem que aquilo que os protagonistas vivem é genuíno e verdadeiro. Maria Pedraza (foto em baixo) e Pol Monen possuem as melhores prestações deste filme e a química entre os dois funcionou muito bem. Apesar de duas ou três cenas menos felizes, estamos perante um filme que me agradou bastante e cuja história me cativou. Um filme de baixo orçamento que trata o amor como só os bons filmes o sabem fazer. 

Beyond Sleep

Nome do Filme : “Beyond Sleep”
Titulo Inglês : “Beyond Sleep”
Ano : 2016
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Aventura
Realização : Boudewijn Koole
Produção : Hans De Wolf/Hanneke Niens
Elenco : Reinout Scholten Van Aschat, Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Thorbjorn Harr, Maria Annette Tandero Berglyd, Zoi Gorman.

História : Alfred é um geólogo holandês que se encontra na Noruega para fazer uma pesquisa sobre montanhas e crateras onde supostamente caíram meteoritos. No decorrer dessa aventura, ele conhece outros três homens que se juntam a ele nessa odisseia. No entanto, Alfred acaba por se apegar mais a um deles e os dois iniciam uma longa jornada sozinhos.

Comentário : Esta co-produção entre a Holanda e a Noruega é um filme interessante, reflectivo e relaxante. Com uma banda sonora magnética, é uma obra cinematográfica firme no propósito de nos colocar a pensar sobre o que andamos a fazer neste mundo ou qual é o nosso papel nesta vida. Temos um protagonista que passa o tempo do filme quase todo numa espécie de delírio acordado, como se estivesse sob o efeito de drogas. Não quero com isto dizer que a interpretação do actor seja má, não se trata disso, ele até representa bem o seu papel, mas no meio de tanto delírio, quem assiste a essas cenas quase perde o interesse de continuar a ver o filme. Dava para tirar cerca de vinte minutos ao filme que não se perdia nada. Eu confesso que não entendi o que essas cenas de delírio significavam, mas achei sinceramente que esticaram o filme além do necessário e nada adiantaram. Por exemplo, se colassem a cena em que Alfred segue o companheiro no desfiladeiro com a cena em que ele o reencontra no topo da montanha, as coisas iam dar no mesmo.

O filme também faz referência a uma situação do passado do protagonista que envolve o seu pai, embora isso nunca seja devidamente explicado. Gostei daquela cena que se passa no sonho do protagonista que envolve uma mulher, logo no início do filme, é muito sugestiva. Os mosquitos possuem um papel a destacar nesta fita e não pelas melhores razões. Podemos contar com imagens muito bonitas, afinal, quase tudo são cenários naturais. A natureza é realmente muito bonita e encantadora e assume aqui um papel determinante, ela é quase uma personagem. O actor que dá corpo ao protagonista deve ter tido imenso trabalho a desempenhar o seu papel, existem pelo menos duas ou três cenas em particular que lhe devem ter custado muito a filmar. Embora ligeiramente disfarçado, o tema da amizade também é aqui referido e mostrado no relacionamento de Alfred com Arne, foi curioso ver o avançar da relação dos dois, que culmina de forma digna desse sentimento. Um último destaque para o final, é muito tocante e comovente, quando a miúda lê um pequeno excerto do caderno de anotações de Arne para Alfred, é uma sequência muito bonita que encerra o filme com chave de ouro. 

Spider-Man : Homecoming

Nome do Filme : “Spider-Man : Homecoming”
Titulo Inglês : “Spider-Man : Homecoming”
Titulo Português : “Homem-Aranha: Regresso a Casa”
Ano : 2017
Duração : 132 minutos
Género : Aventura/Ação
Realização : Jon Watts
Produção : Kevin Feige/Amy Pascal
Elenco : Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton, Marisa Tomei, Laura Harrier, Jacob Batalon, Jon Favreau, Donald Glover, Gwyneth Paltrow, Tony Revolori, Bokeem Woodbine, Michael Chernus, Angourie Rice, Garcelle Beauvais, Kenneth Choi, Abraham Attah, Tyne Daly, Hannibal Buress, Selenis Leyva, Martin Starr, Michael Mando, Logan Marshall Green, Jorge Lendeborg Jr., Tiffany Espensen, Isabella Amara, Michael Barbieri, Stan Lee, Zendaya.

História : Depois da sua experiência numa missão de apoio aos Vingadores, Peter Parker regressa a casa e recebe uma oferta do meu mentor Tony Stark, um uniforme tecnológico muito à sua medida. Com alguma dificuldade em distanciar-se das aventuras vividas com os super-heróis e encarar a relativa normalidade do seu dia a dia, vai lutando contra o crime nas proximidades, ajudando os vizinhos a enfrentar os seus problemas com os marginais. É então que, ao deparar-se com o terrível Vulture, um vilão que pretende prejudicar Tony Stark, encontra a oportunidade por que esperava para provar ao seu mentor, que é muito mais do que um simples adolescente com poderes e que, pela sua coragem e determinação, merece um lugar na equipa dos Vingadores.

Comentário : É a terceira vez que nos jogam à cara uma saga do Homem-Aranha, querem recomeçar novamente tudo do início. Claramente que este filme é totalmente desnecessário, ele só existe para duas coisas : fazer muito dinheiro para os grandes estúdios e abrir uma nova porta para se fazer mais filmes com Tom Holland. O Homem-Aranha era o meu super-herói preferido da minha infância, eu até aceitei a versão de Sam Raimi, eram filmes intrigantes e que trabalhavam bem as questões pessoais do super-herói e os seus dilemas. Já a versão com o Andrew Garfield eu achei bem fraca, foram dois filmes que não trouxeram nada de novo, para além de encher os bolsos ao respectivo estúdio. Agora chega a versão com Tom Holland, tal como disse, acho que é uma nova fase desnecessária mas vai abrir portas para mais filmes. Confesso que este é o melhor Homem-Aranha do cinema e estou a referir-me ao personagem, não ao filme. Esta versão do aracnídeo foi dada a conhecer no filme “Capitão América : Guerra Civil” e eu confesso ter gostado da participação dele, ainda que por breves dez minutos. Até posso aceitar que o queiram incluir no universo cinematográfico dos Vingadores, mas é imperdoável que iniciem mais uma saga com ele, bastaria que ele surgisse nos próximos dois filmes de união dos super-heróis.

Mas vamos falar do filme. O realizador fez bem em não nos dar outra história de origem. Assim, Jon Watts teve espaço para desenvolver à vontade o seu protagonista. Este Tom Holland é o único actor dos três que convence como adolescente e temos que confessar que é essa a essência deste super-herói. Quase todas as características do jovem adolescente estão patentes no Peter Parker de Tom Holland e isso é bastante positivo. Os dois tipos de uniforme que são usados neste filme são os melhores dos seis filmes. Infelizmente, o filme peca por transparecer que é um produto da Marvel, estão lá as principais características que definem os filmes deste estúdio, com destaque para o insuportável e exagerado humor. Mesmo assim, o realizador consegue colmatar um pouquinho esse problema, já que estabelece uma boa relação entre o filme de escola e um filme de super-heróis. Volto a dizer, este Homem-Aranha passa na perfeição a imagem de adolescente com todos os problemas e dilemas dessa condição, e quem assiste aos seus feitos, sente o peso do seu personagem. Ao contrário de todos os vilões que a Marvel já nos facultou, pela primeira vez num filme do estúdio, temos um bom vilão, Michael Keaton está bastante convincente e, apesar de ter pouco tempo de antena o que faz com que não saibamos o motivo para algumas das suas acções, nós entendemos no geral a razão para a existência do seu personagem. Penso que ele precisava de mais desenvolvimento, mas possui um twist que é brutal. 

Todo o elenco está bem nos seus papéis, eu só acho que o amigo nerd de Peter Parker tem demasiadas cenas no filme enquanto que Laura Harrier foi injustamente atirada para segundo plano, a sua Liz merecia ser mais desenvolvida e ter mais tempo no ecrã. Praticamente pode-se dizer o mesmo da curta participação da actriz Angourie Rice, cuja personagem nos quadrinhos é relevante para a história e aqui surge somente em escassas cenas. Mas já é tradição nos filmes da Marvel, as personagens femininas são sempre mal trabalhadas e têm pouca relevância para as histórias. Tom Holland possui a melhor prestação do filme. Aliás, é este Peter Parker que nós queremos ver nos cinemas, na sua versão colegial com os colegas de escola, com os problemas típicos de um miúdo de quinze anos, tendo os seus primeiros namoricos com meninas, tendo desavenças com a tia May e tentando conciliar a escola com a responsabilidade de ser um super-herói. Por outro lado, a Zendaya está péssima, a sua personagem não está lá a fazer nada. E Robert Downey Jr também por cá aparece, mas apesar de ter uma sequência bem ridícula, no pouco que aparece está perfeito como sempre. Eu confesso que gostava de ter visto uma parceria Iron Man/Spider-Man mais activa neste filme. Os efeitos especiais nem sempre convencem, em algumas cenas nota-se que é um boneco digital, para além de algumas dessas sequências de ação não serem nada de especial, a Marvel já fez muito melhor em outros filmes. 

Certas situações da história não fazem muito sentido, outras são bem ridículas. A sequência final que era para ser a mais grandiosa, na verdade, não é nada de especial, para não dizer que é bem fraca. A banda sonora é banal, a saga de Sam Raimi trabalhou melhor essa componente, por exemplo. Volto a dizer, eu adorei o fato tecnológico deste Homem-Aranha, o drone em forma de aranha é um mimo. A trilogia de Sam Raimi era suficiente, mas este novo filme que inicia uma nova saga apesar de desnecessário, está bastante aceitável, porque além de trazer sangue novo ao seu universo cinematográfico, é um filme muito bem concebido e com um protagonista que é um dos melhores super-heróis representado por um actor. Eles podiam ter-se ficado por somente este filme a solo de Tom Holland como Homem-Aranha, mas infelizmente, vão fazer mais dois filmes com ele, a fim de ser uma trilogia. Além do mais, eles pretendem usar o personagem em filmes derivados do aracnídeo. Recorde-se que este filme só viu a luz do dia devido ao facto de dois grandes estúdios unirem esforços nesse sentido. Gostei do filme, mas contentava-me apenas por ver este Homem-Aranha nos filmes dos Vingadores. A conclusão que se tira deste filme é que o Homem-Aranha é muito bem vindo à equipa dos Vingadores no cinema. 

sábado, 15 de julho de 2017

Fuocoammare

Nome do Filme : “Fuocoammare”
Titulo Inglês : “Fire At Sea”
Titulo Português : “Fogo no Mar”
Ano : 2016
Duração : 114 minutos
Género : Documentário
Realização : Gianfranco Rosi
Produção : Gianfranco Rosi
Elenco : Samuele Caruana, Maria Costa, Maria Signorello, Pietro Bartolo, Samuele Pucillo, Francesco Mannino, Francesco Paterna, Guiseppe Fragapane, Mattias Cucina.

História : Samuele tem doze anos e vive numa ilha do mar Mediterrâneo. Como muitos rapazes da sua idade, vai à escola e passa o tempo livre pela ilha, a brincar. À volta dele, existe mar, e existem homens, mulheres e crianças que tentam atravessá-lo a partir de África, em pequenos barcos sem as mínimas condições. A ilha onde Samuele vive é Lampedusa, uma fronteira simbólica da Europa, à qual tentam chegar milhares de migrantes que procuram liberdade e esperança. Os habitantes de Lampedusa testemunham diariamente uma das maiores tragédias humanitárias dos nossos tempos.

Comentário : Finalmente estamos perante um documentário oficial que aborda o grave problema dos migrantes, e aqui a questão não é saber se é um bom filme, mas sim, se o filme seguiu na direção certa e se conseguiu o seu objectivo. A minha resposta é não, infelizmente, não temos grande coisa a aprender aqui, o resultado ficou muito além das expectativas. Primeiro porque o tema central deste filme devia ser unicamente os migrantes ou refugiados, como lhe queiram chamar. O documentário devia esclarecer quais os motivos que levam estas pessoas a abandonarem os seus lares para arriscarem as suas vidas no oceano, o realizador devia ter como prioridade nos mostrar como era a vida deles antes de embarcarem nesta luta pela sobrevivência e depois revelar-nos com detalhes como é esta travessia e as condições em que é feita. E só depois mostrar o destino deles.

Pois bem, não é isso que se passa neste documentário. Ou melhor, temos muito pouco disso tudo que eu acabei de mencionar sobre aquilo que o filme devia ser, na realidade, eles mostram embarcações precárias de migrantes a navegar nas águas e alguém a resgatar alguns, para somente nos últimos vinte minutos nos mostrarem o procedimento de ajuda e salvamento real de uma embarcação cheia de migrantes, imagens que culminam mostrando alguns doentes e outros mortos. E é só. Porque pelo meio, somos obrigados a acompanhar um irritante miúdo de doze anos que passa os tempos livres a brincar com um amigo também ele enervante, os dois divertem-se entre outras coisas a destruírem plantas e a causar danos na natureza. O realizador perde igualmente tempo a mostrar-nos o dia a dia desse miúdo, a sua relação com a família, os seus problemas, enfim, coisas que não nos interessam para rigorosamente nada. Eu e muita gente estamos a borrifar-nos para esse miúdo e para a sua vida nessa ilha, aquilo que nós queríamos ter visto era mais dos migrantes, mais do drama dos refugiados e da missão complicada das pessoas qualificadas no terreno que ajudam e lidam com estes migrantes, isso sim, seria bem mais interessante do que aquilo que ocupa cerca de 70% do documentário. Sendo assim, o filme não resulta e é lamentável que assim seja, embora eu tenha gostado de ter visto o pouco de interessante que o filme tem.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Kedi

Nome do Filme : “Kedi”
Titulo Inglês : “Nine Lives : Cats In Istanbul”
Titulo Português : “Gatos”
Ano : 2016
Duração : 79 minutos
Género : Documentário
Realização : Ceyda Torun
Produção : Ceyda Torun/Charlie Wuppermann
Elenco : Sari, Bengu, Deniz, Aslan Parçasi, Psikopat, Gamsiz, Duman.

História : Há mais de mil anos os gatos fazem parte do dia a dia da maior cidade turca, agora e por meio de alguns deles, somos levados a perceber a relação única que os habitantes de Istambul têm com estes fantásticos animais.

Comentário : Já devo ter dito em outros comentários que os felinos são os meus animais preferidos e neles estão inseridos os gatos, logo, era mesmo necessário eu ver este filme, que confesso ter gostado bastante. Neste pequeno documentário, somos apresentados a alguns gatos turcos com destaque para sete. A realizadora mostra-nos não só como vivem esses sete gatos, mas também como os habitantes daquela cidade olham e lidam com estes animais. É uma jornada engraçada, seguirmos estas vivências e testemunharmos coisas que nem sequer imaginamos. Com bons planos dos felinos e uma espectacular fotografia, o filme é eficaz e cumpre o seu propósito que é dar-nos a conhecer uma realidade. Os felinos que compõem o elenco principal são muito bonitos e queridos e foi um prazer para mim conhecê-los. O filme nunca nos aborrece, ele tem um ritmo próprio que a maioria dos documentários costumam ter, tudo se desenrola perante os nossos olhos e apenas temos que nos deixar levar e aprender mais alguma coisa. Talvez o documentário seja o mais importante dos géneros cinematográficos, porque é o único que apresenta realidades, é aquele que mostra a vida como ela é. Este em especial deve ter dado imenso trabalho a fazer, não é fácil trabalhar com animais. Os realizadores de cinema costumam dizer que é difícil trabalhar com crianças e animais. Este filme não é só uma carta de amor aos gatos, ele funciona principalmente para mostrar os sentimentos que existem entre estes pequenos felinos e os humanos dentro daquela cidade. É muito gratificante testemunharmos o vínculo que ambos partilham. Onde o filme falha é na pouca informação histórica sobre o motivo para esta situação ser assim naquela cidade. Mas é muito bom na arte de personificação, o filme foca na perfeição o facto dos sete gatos visados terem personalidades bem diferentes e podem acreditar que ficamos mesmo a conhecê-los bem. No fundo, é um documentário que vale a pena ser visto.

terça-feira, 11 de julho de 2017

The Tribe

Nome do Filme : “Plemya”
Titulo Inglês : “The Tribe”
Titulo Português : “A Tribo”
Ano : 2014
Duração : 133 minutos
Género : Drama/Crime
Realização : Myroslav Slaboshpytskyi
Produção : Myroslav Slaboshpytskyi/Valentyn Vasyanovych
Elenco : Hryhoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy, Oleksandr Dsiadevych, Yaroslav Biletskiy, Ivan Tishko, Oleksandr Osadchyi, Oleksandr Sydelnykov, Oleksandr Panivan, Maryna Panivan, Kyrylo Koshyk, Tetyana Radchenko, Liudmyla Rudenko.

História : Num colégio interno para surdos-mudos há toda uma hierarquia de crime e corrupção, com roubo e prostituição à mistura, a que o jovem Sergei é exposto quando chega e na qual tenta encontrar o seu lugar.

Comentário : Este filme não possui diálogos, legendas ou banda sonora. É portanto uma experiência única que eu tive o prazer de viver, quero com isto dizer que gostei bastante do filme. Os diálogos existem sim, mas são através de linguagem gestual, o que complicou imenso a tarefa de percebermos algumas coisas, ou seja, apesar das ações dos envolvidos mostrarem o que se estava a passar, ficamos sem saber algumas coisas que eles diziam entre eles. Mas nada disso faz deste um mau filme, nem pensar, o filme é uma excelente experiência cinematográfica e apesar de não ter nada a ver com os filmes mudos, é algo totalmente diferente de tudo o que eu vi até à data. Estamos também perante um filme violento e agressivo, o realizador não nos poupa na hora de mostrar o que tem que ser mostrado. Existe uma morosa sequência onde mostram um aborto a ser feito a uma adolescente que podia ter sido cortada, essas cenas apenas estão no filme para impressionar. Todo o elenco possui boas prestações, mesmo desconhecendo se eles são mesmo surdos-mudos, estão todos muito à vontade naquilo que fazem, com destaque para o protagonista vivido por Grigoriy Fesenko e para a sua jovem “namorada”, desempenhada de forma exímia pela adolescente Yana Novikova. É um filme que dá que pensar, não só por aquilo que mostra, mas também pela mensagem que pretende transmitir, que se limita a dizer que este mundo está perdido. O filme é também composto por longos planos, alguns deles bastante sugestivos, outros nem por isso. A descontração com que estes jovens representam os seus papéis é brutal, parece tudo muito real, é um filme realista portanto. Trata-se de um retrato da juventude, de como certos jovens vivem as suas vidas, misturam o que é certo com o que é errado com grande facilidade. Poucos filmes falam da camada jovem como este. As cenas de sexo estão muito bem filmadas. A sequência final no dormitório deixa-nos um aperto no estômago. Não sendo um filme fácil, é sim mais uma das grandes fitas que estrearam por cá neste ano.

Lady Macbeth

Nome do Filme : “Lady Macbeth”
Titulo Inglês : “Lady Macbeth”
Titulo Português : “Lady Macbeth”
Ano : 2016
Duração : 89 minutos
Género : Drama
Realização : William Oldroyd
Produção : Fodhla Cronin O'Reilly
Elenco : Florence Pugh, Cosmo Jarvis, Naomi Ackie, Golda Rosheuvel, Paul Hilton, Christopher Fairbank, Anton Palmer, Rebecca Manley, Fleur Houdijk, Cliff Burnett, David Kirkbride, Bill Fellows, Nicholas Lumley, Raymond Finn, Ian Conningham.

História : Na Inglaterra rural de 1865, Katherine vive oprimida pelo seu casamento de conveniência com um homem azedo e com o dobro da sua idade e pelo pai deste, um homem frio e impiedoso. Quando se envolve com um jovem trabalhador, sente libertar-se dentro de si uma força tão poderosa que nada a deterá para conseguir o que deseja.

Comentário : Eis outro filme que me encheu as medidas. Estamos perante um poderoso filme de época muito bem escrito e construído. Detentor de uma fiel reconstrução de época, o filme segue sempre a um ritmo lento mas sempre empolgante, eu confesso ter ficado preso ao ecrã durante quase hora e meia. Com uma excelente fotografia granulada, bons planos e um argumento coeso, esta fita leva-nos numa fantástica viagem a uma época romântica, onde grande parte das mulheres sofriam nas mãos dos homens que as sustentavam e que não as respeitavam. Não era fácil ser mulher naquela altura. E a nossa protagonista está incluída nesse grupo, ela vivia debaixo da tirania do sogro e sem qualquer tipo de amor por parte do marido. Até ao dia em que decide ela mesma tomar as rédeas e o controlo da situação e executar as decisões que acha serem melhor para ela. Nesse papel, encontramos uma excelente Florence Pugh (The Falling), que aqui consegue uma prestação muito boa e consistente. Apesar das atitudes dela (apenas no caso do infanticídio eu fiquei contra ela), eu estive sempre do seu lado, é impossível não zelarmos para que Katherine se saia bem das situações. A miúda só está a defender o que é dela. Existe uma cena de provocação em particular que é praticamente impossível não fazer tesão ao mais sereno dos homens. Se esta belíssima actriz não se perder nos meandros do cinema comercial americano, tem um futuro promissor à sua frente. A história empolgou-me bastante desde aquela cena inicial do casamento até à cena final onde a protagonista está sentada no seu sofá preferido da mansão, grávida e confiante no futuro. Podemos contar também com um felino muito agradável que se passeia pela casa, sempre muito senhor de si. No fundo, pode-se dizer que Katherine teve muito azar com os homens que lhe apareceram pela frente : um sogro nojento, um marido inútil e um amante estúpido e cobarde. Quanto à linda Florence Pugh, ela brilhou em cada fotograma que apareceu, sendo a alma deste belíssimo filme de época. Sem dúvidas, mais um dos grandes filmes do ano. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Staying Vertical

Nome do Filme : “Rester Vertical”
Titulo Inglês : “Staying Vertical”
Titulo Português : “Na Vertical”
Ano : 2016
Duração : 100 minutos
Género : Drama
Realização : Alain Guiraudie
Produção : Sylvie Pialat/Benoit Quainon
Elenco : Damien Bonnard, India Hair, Raphael Thiery, Christian Bouillette, Basile Meilleurat, Laure Calamy, Sebastien Novac, Baptiste Roques, Adrien Marsal, Tangi Belbeoc'h, Jakez Andre, Mathieu Milella, Charles Beneat, Mathieu Philibert, Joan Jacq, Stephane Leucart, Estelle Bourget, Stephanie Finot.

História : Leo é um argumentista que tem uma paixão por lobos. Para isso, passeia-se pela planície de Lozère na França, em busca desse maravilhoso animal. Certo dia, conhece Marie, uma jovem pastora. Os dois envolvem-se, originando algo que os mudará drasticamente.

Comentário : Uma coisa que define os filmes deste realizador é o facto de raramente percebermos as mensagens neles contidas e com este filme passa-se o mesmo. Curiosamente, notei o esforço do cineasta para tentar passar alguma mensagem, mas infelizmente, não o conseguiu. O filme funciona como uma espécie de puzzle, tendo um fio condutor repleto de situações caricatas e que raramente convencem, visto que as justificações para tais acontecimentos são quase nulas. Mas é um filme que se vê bem, apesar de ter duas cenas que eram dispensáveis, uma mostra um parto e a outra apresenta uma relação homossexual bem nojenta. Claramente que essas duas sequências foram inseridas para chocar, elas não acrescentam nada ao filme. Volto a dizer, o filme possui cenas que não fazem grande sentido, por exemplo, o protagonista está a ser atacado na cidade e de repente, para o salvar surgem do nada dois personagens do campo, tipo, não era suposto os dois estarem ali, ou por outra, o que eles estavam ali a fazer ?. No papel principal, encontramos um Damien Bonnard bastante competente e depois temos uma bonita actriz chamada India Hair, que tem a melhor prestação do filme. As atitudes destes dois personagens raramente são explicadas, eles agem vagamente e sem terem noção das consequências dos seus actos. O filme tem um twist muito mal explicado. Sem querer arriscar, diria que existe aqui uma componente cómica disfarçada, mas isso é tema para outra conversa. O final, apesar de bem tosco, agrada pela beleza dos animais envolvidos.

The Student

Nome do Filme : “(M)uchenik”
Titulo Inglês : “The Student”
Ano : 2016
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Kirill Serebrennikov
Produção : Diana Safarova/Ilya Stewart/Yuriy Kozyrev
Elenco : Pyotr Skvortsov, Viktoriya Isakova, Yuliya Aug, Aleksandra Revenko, Aleksandr Gorchilin, Anton Vasilev, Svetlana Bragarnik, Irina Rudniktskaya, Nikolay Roshchin.

História : Um adolescente começa a revelar um estranho comportamento e a ficar viciado na religião, o que provoca sérios problemas não só com a mãe, mas também com todos os que o rodeiam.

Comentário : Um filme russo que eu pensava tratar-se de um drama colegial entre adolescentes e afinal revelou-se ser uma coisa muito diferente. Não quero com isto dizer que fiquei desiludido com o que vi, nada disso, apenas preferia que se tratasse de outra coisa. Detentor de uma boa fotografia, o filme trabalha temas como o fanatismo religioso, a ostentação, a homossexualidade, a loucura, o divórcio, o bullying e muita alienação. Existem coisas que não fazem muito sentido, por exemplo, não se percebe porque quem gere o colégio “acata” os pensamentos do protagonista, existe uma parte em que o jovem revela que acha mal as raparigas irem de bikini para as aulas de natação e a gerência da escola simplesmente as obriga a virem de fato de banho completo. Ou ainda não se entende porque motivo algumas personagens alinham nas parvoíces religiosas do jovem alienado. Existe um personagem que faz de colega aleijado do protagonista que não faz falta nenhuma à história. Por outro lado, a personagem da professora principal é uma peça essencial para que o filme funcione, ela teve o arco narrativo mais interessante da fita. Também gostei da mãe do protagonista, embora ache que ela podia ter sido mais desenvolvida, afinal, era a personagem mais ligada a ele. Nos diálogos, estão constantemente a surgir citações da bíblia, o que a partir de dado momento começa a irritar. A situação da cruz de madeira não acrescenta nada e aquela cena final da professora a pregar-se ao chão da sala de aula é simplesmente ridícula. Eu adorei uma cena em que uma aluna agride o protagonista, ela é hilariante e justa. Por último, tenho que confessar que o cinema russo me encanta, mas apesar de ter gostado deste filme, ele não me impressionou o suficiente, ele é bom mas não deslumbra.

Les Malheurs De Sophie

Nome do Filme : “Les Malheurs De Sophie”
Titulo Inglês : “Sophie's Misfortunes”
Titulo Português : “Os Desastres de Sofia”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Aventura/Comédia Dramática
Realização : Christophe Honore
Produção : Philippe Martin/David Thion
Elenco : Caroline Grant, Anais Demoustier, Golshifteh Farahani, Muriel Robin, Celeste Carrale, Aelys Le Neve, Tristan Farge, Justine Morin, Marlene Saldana, Jean Charles Clichet, David Prat, Laetitia Dosch, Michel Fau, Elsa Lepoivre, Annie Mercier, Lionel Dray, Robert Cantarella, Marie Christine Orry, Maria Rosa Brito, Paulette Honore Peyre, Pauline Belle, Greta Esdraffo, Julie Gouet, Julia Marty, Carole Perisse.

História : No seu palácio, a pequena Sophie não consegue resistir à tentação do que é proibido, e o que mais gosta é de fazer diabruras com o primo. Quando os seus pais decidem partir para a América, Sophie fica encantada. Um ano mais tarde, ela está de regresso a França com a sua horrível madrasta, a Madame Fichini. Mas Sophie vai poder contar com a ajuda das suas amigas, e da mãe de ambas, Madame de Fleurville, para se salvar das garras dessa mulher.

Comentário : Este filme é uma adaptação do livro “Os Desastres de Sofia”, de Condessa de Ségur, um clássico do mundo infanto-juvenil que marcou a infância de muitas gerações. É também o novo filme do conhecido realizador Christophe Honoré, que nos surge aqui com uma obra muito diferente do seu registo habitual. Ainda assim, ele consegue neste seu novo filme usar a justa fórmula que caracteriza o seu cinema, abarcando desta forma vários elementos que sempre o definiram. Com uns toques de animação, este filme cumpre no seu propósito de nos oferecer uma história divertida e sincera, onde o elenco infantil rouba por completo a cena do elenco adulto. E aqui o grande destaque vai todo para a pequena Caroline Grant, uma menina cheia de vida que dá corpo à grande protagonista da fita e que nos faculta uma personagem principal digna desse estatuto, ela nunca desilude e é ela a alma deste filme. A seu lado, temos todo um elenco infantil que cumpre tudo que lhe foi pedido e que servem muito bem de apoio à coqueluche que dá nome ao título. No elenco adulto, o feminino também impera. Anais Demoustier e Golshifteh Farahani estão impecáveis nos seus papéis, apesar da infantilidade dos mesmos, elas penetraram neste mundo de forma perfeita. O filme soma igualmente pontos nos cenários e no guarda roupa, sem esquecer a componente musical. Não conheço o livro que serviu de base a esta fita, mas penso que deve ter sido uma adaptação bastante fiel do mesmo, nesse aspecto o cinema europeu é bem melhor do que o americano. O filme trabalha bem os géneros de aventura e comédia, nos facultando um pouco de ambos, sem nunca cair no ridículo, apesar das infantilidades próprias da história. No fundo, estamos perante um registo apelativo e eficaz que nos ocupa maravilhosamente durante cerca de duas horas. Gostei bastante.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Brain On Fire

Nome do Filme : “Brain On Fire”
Titulo Inglês : “Brain On Fire”
Ano : 2016
Duração : 88 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Gerard Barrett
Produção : Charlize Theron
Elenco : Chloe Grace Moretz, Thomas Mann, Richard Armitage, Carrie Anne Moss, Jenny Slate, Tyler Perry, Alex Zahara, Jenn MacLean Angus, Navid Negahban.

História : Susannah Cahalan é uma jovem de 21 anos que é feliz à sua maneira : tem uns pais que gostam dela, o emprego que sonhou, um namorado que a adora e um futuro brilhante pela frente. Até ao dia em que o destino lhe prega uma partida.

Comentário : Antes de mais, tenho que dizer que gostei muito de ter ficado a saber desta história verídica e depois de ter visto o filme fui investigar. O cérebro humano é um órgão muito poderoso e com coisas ainda por descobrir. No fundo, penso que uma das mensagens do filme também é esta. Ao longo do filme, acompanhamos a história da protagonista e vivemos com ela, observando o seu estado de saúde a degradar-se cada vez mais. E confesso que não é uma tarefa nada fácil, quem passa por estas coisas deve ter um sofrimento tal, que não nos é possível a nós sequer imaginar. O argumento decrescente está muito bem escrito e digo isto porque o estado de saúde da personagem principal está sempre a decair. E tudo parece mesmo verdade diante dos nossos olhos. Para isso contribuiu e muito o excelente desempenho de uma sempre competente Chloe Grace Moretz, esta jovem tem futuro. Ela está totalmente convincente no seu papel. Quem me surpreendeu foi o jovem Thomas Mann, vê-lo num registo tão dramático e responsável como este foi muito gratificante. Os dois são auxiliados por um elenco de secundários bastante eficazes. Apesar de penosa para quem assiste, a jornada da protagonista segue-se bem e nunca tiramos os olhos do ecrã. É impressionante vermos como a pessoa era antes da doença e como se apresenta durante a enfermidade. Impressionante e chocante mesmo é testemunharmos a negligência de alguns médicos. O filme funciona porque nos dá um retrato credível sobre uma situação real.

domingo, 2 de julho de 2017

The Dancer

Nome do Filme : “La Danseuse”
Titulo Inglês : “The Dancer”
Titulo Português : “A Dançarina”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Biográfico/Drama
Realização : Stephanie Di Giusto
Produção : Alain Attal
Elenco : Soko, Gaspard Ulliel, Melanie Thierry, Lily Rose Depp, François Damiens, Amanda Plummer, Louis Do De Lencquesaing, Denis Menochet, Tamzin Merchant, Charlie Morgan, William Houston, Camille Rutherford, Bert Haelvoet, Daniel Kramer.

História : Marie Louise Fuller nasceu na América em 1962. Ligada à dança desde muito nova, desenvolveu as suas próprias técnicas naturais de improvisação. Usando longos vestidos de seda, inventou a “dança serpentina”, uma combinação inovadora de cor, luz e fluidez de movimento. Cedo se tornou famosa no seu país, com as suas belas e revolucionárias coreografias. Mas sentia que não era levada a sério pelo público americano, que a considerava apenas uma actriz. Em Paris, pelo contrário, sentiu-se acolhida como uma verdadeira artista, o que a levou a permanecer em França até ao fim da sua vida.

Comentário : Eu confesso que desde que chegou ao meu conhecimento no ano passado a existência deste filme, eu mostrei logo uma enorme curiosidade em vê-lo, primeiro porque sou admirador de Soko (foto em baixo) e depois porque gosto de todo aquele mundo da dança e da arte. Trata-se de um filme biográfico porque relata e mostra a história de uma dançarina que existiu de verdade e que impulsionou o mundo da dança naquela época. É sempre bom conhecermos novas pessoas e novos mundos, o cinema tem essa vantagem, ele permite ampliar os nossos conhecimentos, ele faz-nos sonhar e penetrarmos em novos campos, tudo de uma forma única que se não fosse pela sétima arte, não seria possível ver. No caso deste filme, eu gostei da história, o argumento está bem esgalhado e não notei muitas falhas, a coisa escorre sempre a um bom ritmo e as coisas vão sucedendo normalmente. Gostei do tipo de dança a que o filme se refere, tipo borboleta, achei aquilo tudo muito mágico e deslumbrante. A banda sonora é poderosa e os efeitos visuais que auxiliam as coreografias da protagonista são uma delícia para os nossos olhos. Destaque também para a caracterização da personagem principal, ela evolui de uma forma muito real, parece que estamos mesmo a assistir à sua decadência, é tudo muito palpável. Soko tem a melhor prestação do filme e Gaspard Ulliel consegue aqui arrancar a melhor interpretação masculina do elenco. Melanie Thierry esteve também espectacular, o mesmo não se pode dizer de Lily Rose Depp, a miúda tem uma personagem que não adianta nada para a história, se a tirassem não ia fazer qualquer diferença, Isadora não acrescenta nada. Além disso, pareceu-me que a jovem não é uma boa actriz, é bonita e dança bem, mas para representar não serve. Gostei bastante deste filme e o recomendo a todos aqueles que pretendem descobrir algo novo. 

The Survivalist

Nome do Filme : “The Survivalist”
Titulo Inglês : “The Survivalist”
Ano : 2015
Duração : 104 minutos
Género : Drama/Thriller
Realização : Stephen Fingleton
Produção : David Gilbery/Robert Jones/Wayne Marc Godfrey
Elenco : Martin McCann, Mia Goth, Olwen Fouere.

História : Numa Terra assolada pela fome, um dos sobreviventes vive num terreno escondido no interior de uma densa floresta. Quando duas mulheres que procuram abrigo e comida descobrem a sua fazenda, ele vê a sua existência ameaçada.

Comentário : Este é um filme de sobrevivência muito fora daquela onda de fitas tipicamente americanas, cheias de fogo de artifício e efeitos especiais. É um filme muito simples que não promete nada e nos dá muito. Prosseguindo sempre a um ritmo lento, este é um filme com uma história interessante e com alguns momentos curiosos e para isso contribuiu imenso a excelente fotografia. Temos aqui uma cena que podia ter resultado em algo muito aflitivo e ainda bem que não foi mais longe, a dita personagem não avançou no procedimento. Por falar nisso, a jovem Mia Goth tem aqui uma boa prestação, eu entendi muito bem a sua personagem, ela é uma rapariga instruída para uma missão que só a descobrimos na cena final, é ela também que possui o melhor arco dos três protagonistas. No papel do personagem masculino principal, encontramos Martin McCann, detentor de uma poderosa prestação, foi gratificante seguir a sua jornada e vermos onde tudo vai parar. Aliás, a química dele com as duas personagens femininas funciona na perfeição, principalmente com a mais nova. Por último, Olwen Fouere tem uma interpretação igualmente convincente, embora eu não tenha percebido o destino que deram à sua personagem. Também não entendi porque motivo a primeira coisa que o protagonista masculino faz com a miúda é ter relações sexuais e com a agravante de ter o consentimento tanto da jovem quanto da sua mãe. É algo que não faz sentido. Temos cenários naturais e bonitas paisagens, o aparecimento daquele grupo de criminosos perto do final era totalmente desnecessário e o twist final, apesar de aceitável, não se mostrou ao nível de tudo mostrado até então. 

The Bad Batch

Nome do Filme : “The Bad Batch”
Titulo Inglês : “The Bad Batch”
Ano : 2016
Duração : 118 minutos
Género : Drama
Realização : Ana Lily Amirpour
Produção : Megan Ellison/Danny Gabai/Sina Sayyah
Elenco : Suki Waterhouse, Jason Momoa, Jayda Fink, Keanu Reeves, Diego Luna, Giovanni Ribisi, Yolonda Ross, Jim Carrey.

História : Num mundo apocalíptico, Arlen é uma jovem que tudo faz para sobreviver. Durante mais um passeio no deserto, ela é capturada, amarrada e torturada barbaramente por dois canibais, que lhe amputam um braço e uma perna. Mais sozinha que nunca e bastante debilitada, ela espera recuperar e elabora um plano de vingança. Pelo meio, conhece uma menina e um estranho homem que procura desesperadamente a criança.

Comentário : Este filme americano cativou-me pela positiva, tudo devido à forma como a história nos é contada e mostrada, tudo muito futurista. É um filme violento e existem cenas que, não sendo explicitas, incomodam mesmo. O filme anterior da realizadora já era bastante original e curioso e aqui a originalidade mantêm-se. Alguns cenários convencem e se certos personagens agradam, já outros deixam muito a desejar e aqui estou-me a referir a secundários ou mesmo figurantes. No centro da trama, temos uma bonita jovem que vive num mundo distópico cheio de perigos à sua volta, ela passa a vida a deambular por todo o lado em busca de comida ou outras coisas que lhe tenham utilidade. E esse papel coube à actriz Suki Waterhouse, que interpretou muito bem o seu papel. Jason Momoa tem aqui um papel interessante, eu gostei de ver a evolução do seu personagem, além do mais a sua química com a protagonista funciona. Quem também está bem é a pequena Jayda Fink, em certos momentos, fez-me lembrar a pequena Enola do fracassado “Waterworld”. Keanu Reeves tem aqui mais um papel que lhe assenta como uma luva, ele sempre teve uma maneira meio lunática de actuar, sem querer dizer mal dele, ele é um bom actor, disso não tenho dúvidas. Diego Luna e Giovanni Ribisi estão bem, embora não tenham sido bem aproveitados e desenvolvidos. E Jim Carrey, um actor que eu não suposto, tive que levar com ele, ainda assim o seu personagem desperta curiosidade. O filme é um pouquinho longo para a história que pretende contar, menos quinze minutos, não ia afectar nada. Existe ainda um bom uso da cor e da música, a directora sabe trabalhar muito bem o material que tem em mãos. Digamos que quase todos os elementos culminam em algo positivo. Claramente que existem coisas que eu discordo, mas no geral, fiquei satisfeito. O final é muito bom, aquela sequência que termina num plano aberto dos três a jantar está perfeita, que moldura linda. 

Song To Song

Nome do Filme : “Song To Song”
Titulo Inglês : “Song To Song”
Titulo Português : “Música a Música”
Ano : 2017
Duração : 129 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Terrence Malick
Produção : Nicolas Gonda/Ken Kao
Elenco : Michael Fassbender, Ryan Gosling, Natalie Portman, Rooney Mara, Cate Blanchett, Holly Hunter, Berenice Marlohe, Olivia Grace Applegate, Val Kilmer, Lykke Li, Linda Emond, Louanne Stephens, Tom Sturridge, Brady Coleman, Dana Falconberry, Austin Amelio, Patti Smith, Iggy Pop, John Lydon, Florence Welch, Alan Palomo, Tegan Quin, Sara Quin, Anthony Kiedis, Chad Smith, Neely Bingham, Flea.

História : Com um festival de música ao vivo a acontecer na cidade, dois casais mergulham nas complicadas teias do amor.

Comentário : Com este seu novo registo, o realizador Terrence Malick prova mais uma vez que à alguns anos a esta parte não é capaz de contar boas histórias nos seus filmes, aliás aquilo que as suas últimas fitas carecem é de uma boa história, de um argumento que nos prenda. Muito sinceramente, o que temos aqui é mais do mesmo. Temos quatro personagens principais, dois homens e duas mulheres, que passam o filme todo a deambular de sítio para sítio, aos beijos uns com os outros, ora trocam de par, ora regressam aos anteriores companheiros, eles arrastam-se até mais não. Tal como o anterior filme do cineasta, andamos aqui às aranhas a tentar encontrar um fio condutor que nos faça interessar por aquilo que se passa com os quatro intervenientes, mas sem sucesso porque nada nos desperta o interesse e tudo isso por culpa de uma narrativa aleatória irritante até à medula que em nada nos convence. Há também uma grande confusão nos tempos. Não é culpa dos actores que compõem o núcleo principal, os quatro estão muito bem nos papéis, mas o material que têm para trabalhar não é suficiente para fazerem algo minimamente consistente. Michael Fassbender é um dos meus actores preferidos da actualidade e, apesar da nulidade do seu personagem, ele esteve bem. O mesmo se aplica aos outros três, com destaque para Ryan Gosling, outro actor de quem eu gosto bastante, aqui sem quase nada para fazer. Natalie Portman e Rooney Mara já estiveram muito melhor em outros registos. Temos um elenco de caras conhecidas como secundários cujos personagens ainda são mais vazios do que os principais, com destaque para Cate Blanchett, apesar de ser uma senhora muito elegante e bonita, não está a fazer rigorosamente nada neste filme. Foi um grande sacrifício assistir a este filme, duas horas bem penosas que nunca mais irei recuperar.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Okja

Nome do Filme : “Okja”
Titulo Inglês : “Okja”
Titulo Português : “Okja”
Ano : 2017
Duração : 120 minutos
Género : Aventura/Drama
Realização : Bong Joon Ho
Produção : Bong Joon Ho
Elenco : An Seo Hyun, Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Lily Collins, Giancarlo Esposito, Shirley Henderson, Daniel Henshall, Devon Bostick, Woo Shik Choi, Steven Yeun, Byun Hee Bong.
 
História : Durante dez anos, a jovem Mija cuidou de uma adorável super porca chamada Okja. Após ela ser levada por uma corporação multi-nacional para participar de um concurso com cruéis intenções, a menina resolve ir ao resgate da sua amiga, se deparando com um outro grupo lutando pelo destino da criatura.

Comentário : Não gosto muito das produções da Netflix, logo não fui com grandes expectativas para este filme e só o vi pelo facto do realizador ser quem é. Fiz bem em ter dado uma oportunidade a esta fita, porque muito embora não seja algo grandioso, estamos perante uma obra bastante aceitável. O que mais me desagradou neste filme foi o facto de o tentarem tornar americano, seja usando actores americanos ou recorrendo aos clichés próprios de um género criado nos Estados Unidos. Mas como temos uma personagem humana natural dos países orientais como protagonista, as coisas suavizaram um pouco nesse aspecto. Eu adorei a criatura digital, Okja parece muito real e é muito ternurenta, nós ficamos até com pena dela em algumas situações. A pequena actriz que desempenha a menina amiga da criatura tem a melhor prestação do filme e a empatia e relação dela com Okja são a alma da fita. Tilda Swinton está muito bem nas duas personagens que interpreta, apesar de serem do mal. Gostei da personagem de Paul Dano, mas odiei ver Jake Gyllenhaal neste registo. O filme funciona muito bem enquanto critica ao capitalismo e ao consumismo e passa na perfeição a mensagem de que o ser humano é o pior dos seres. Existem cenas dispensáveis e outras que incomodam, estas últimas servem para nos mostrar como as coisas funcionam hoje em dia. O filme foca também a maneira cruel e desumana como alguns humanos tratam os animais e a falta de respeito e de humanidade para com eles. Os efeitos especiais são muito bons e o primeiro acto é o melhor dos três. Tem uma cena que comove e nos faz derramar umas lágrimas. Nota negativa para a banda sonora, ela não funciona muito bem nas cenas em que as músicas são inseridas. É um filme que funciona.