domingo, 23 de abril de 2017

The Girl On The Train

Nome do Filme : “The Girl On The Train”
Titulo Inglês : “The Girl On The Train”
Titulo Português : “A Rapariga No Comboio”
Ano : 2016
Duração : 112 minutos
Género : Crime/Drama/Mystery
Realização : Tate Taylor
Produção : Marc Platt/Jared LeBoff
Elenco : Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Luke Evans, Justin Theroux, Edgar Ramirez, Allison Janney, Lisa Kudrow, Darren Goldstein, Laura Prepon.

História : Depois de um divórcio algo traumatizante, Rachel desistiu de si mesma, entregando-se à depressão e ao alcoolismo. Todos os dias da semana faz o mesmo percurso para o local de trabalho e depois o de regresso. Durante as viagens, ela observa as várias pessoas nas casas, onde se apega a um casal, criando um cenário e uma narrativa onde os enquadra numa relação perfeita. Um dia, descobre que a mulher foi dada como desaparecida, e acaba por se tornar ela mesma numa das principais suspeitas.

Comentário : Este filme é baseado num livro que foi um grande sucesso de vendas, que eu confesso nunca ter lido. Fui totalmente às escuras para este filme e tenho que dizer que gostei bastante do que vi. A maneira como a história nos é contada e mostrada não é nada aliciante, na verdade, eu pensei algumas vezes em desistir de continuar a ver o filme, mas a partir da altura em que a rapariga desaparece e que uma investigação tem início, fiquei logo agarrado ao que se estava a passar. Trata-se portanto de uma história que nos envolve, devido a um argumento que começa a ficar interessante a partir de um certo momento da narrativa. Foi curioso, porque em certas partes, dei por mim a tecer possíveis teses sobre o que realmente teria acontecido, claramente que sem êxito. O filme tem ainda alguns twists que se inserem muito bem na narrativa e foram uma surpresa para mim.

No papel principal, Emily Blunt possui a melhor interpretação do longa, é a ela que se deve os melhores momentos e os mais tensos. A actriz consegue ser convincente e fazer com que a sua personagem nos transmita realmente aquilo que está a passar. Haley Bennett é uma mulher muito bonita e sensual, para além de nos dar uma personagem interessante, a actriz possui uma prestação muito boa, adorei a sua Megan. Rebecca Ferguson fecha o triângulo feminino em beleza, a seguir a Rachel e a Megan, ela é a terceira personagem mais interessante do filme. Sobre o elenco masculino, Luke Evans e Justin Theroux estão muito mal aproveitados, além disso, as suas personagens me causaram irritação e nervos. Por último, Allison Janney e Edgar Ramirez são duas boas personagens de apoio ao elenco principal que estiveram muito bem. Aos poucos, nos últimos 15 minutos, as coisas começam a se esclarecer e o final é nos apresentado de forma bestial, eu quase aplaudi o desfecho de Rachel. O mesmo não posso dizer do desfecho de Megan, eu lamentei imenso o destino da personagem, achei mesmo injusto. Mesmo não lendo o livro, confesso que este deve ser ainda mais interessante. 

Personal Shopper

Nome do Filme : “Personal Shopper”
Titulo Inglês : “Personal Shopper”
Titulo Português : “Personal Shopper”
Ano : 2016
Duração : 105 minutos
Género : Drama/Mystery/Thriller
Realização : Olivier Assayas
Produção : Charles Gillibert
Elenco : Kristen Stewart, Nora Von Waldstatten, Lars Eidinger, Sigrid Bouaziz, Anders Danielsen Lie, Ty Olwin, Benjamin Biolay, Audrey Bonnet, Pascal Rambert, Olivia Ross.

História : Maureen Cartwright é uma americana a viver em Paris. A sua função laboral é percorrer as lojas em busca de roupas e adereços que agradem a Kyra, uma sofisticada e intransigente modelo alemã. Ainda em luto pela morte do irmão gémeo, com quem toda a vida partilhou capacidades mediúnicas, ela esforça-se por comunicar com ele de todos os métodos possíveis. É então que começa a receber estranhas mensagens de um número desconhecido.

Comentário : É a segunda vez que o realizador Olivier Assayas trabalha com Kristen Stewart, eu gostei bastante do seu anterior filme, mas este não me agradou tanto, ainda assim gostei. Gostei da história, é algo que se segue muito bem e para isso contribuiu e muito o ritmo lento e pausado da fita. Em alguns momentos, ficamos tensos, surpreendidos por vezes, ainda assim é uma obra que nos revela pouco, sendo nos detalhes que surge a possibilidade de haver uma revelação. Gostei também do facto de nem sempre o filme saber para onde vai, tem momentos em que parece que ele vai numa direcção, para no momento seguinte, seguir um outro caminho. O realizador usa muito bem a técnica das mensagens de texto do tlm da protagonista, chega a ser assustador. Olivier Assayas sabe trabalhar Kristen Stewart muito bem, afinal já trabalhou com ela duas vezes e foi bem sucedido em ambas. Ela carrega o filme praticamente todo às costas, tem uma óptima prestação. O director gere ainda muito bem a questão do sobrenatural, nada aqui é exagerado e, com poucos meios, pode dizer-se que até fez um bom trabalho nesse campo. Tem uma cena em que Maureen chega a um quarto de hotel e, quando estamos prestes a saber quem é a entidade mistério, a cena é cortada, foi muito cruel isso ter acontecido. Segundos depois, acontece umas coisas que eu também não entendi. Fiquei mesmo furioso por estas duas situações. Mas o final é muito bom, confesso que não estava à espera. 

Viral

Nome do Filme : “Viral”
Titulo Inglês : “Viral”
Ano : 2016
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Terror
Realização : Ariel Schulman/Henry Joost
Produção : Sherryl Clark/Jason Blum
Elenco : Sofia Black-D'Elia, Analeigh Tipton, Travis Tope, Michael Kelly, Linzie Gray.

História : As irmãs adolescentes, Emma e Stacey, estão a ajustar-se à vida depois de uma mudança para o sul da Califórnia e tentam ainda lidar com as tensões na relação dos pais. Quando uma estranha doença atinge uma colega da turma de Emma, a vida das duas irmãs fica virada do avesso. Uma quarentena de emergência separa-as do pai e as jovens são forçadas a cuidar de si mesmas, enquanto o governo declara lei marcial. Emma e Stacey vão descobrir que este vírus é afinal um verme parasita que faz o seu hospedeiro atacar violentamente, espalhando-se através do sangue assim a outras vítimas. Quando Stacey começa a mostrar sinais de estar infectada, Emma terá que lutar, não só para salvar Stacey, mas também para se salvarem a si próprias.

Comentário : Na noite passada tive a grande oportunidade de ver este pequeno filme de terror, que confesso ter gostado bastante. Não sendo daquelas obras de terror muito sangrentas e violentas, é antes um filme leve e pouco exigente cujo principal foco é a relação entre duas irmãs muito diferentes. Eu confesso que estava um pouco indeciso se havia ou não de ver este filme, afinal, a crítica não é muito favorável, mas optei por ignorar os comentários menos bons e embarcar nesta aventura. Claro que o filme tem clichés, os mesmos de sempre em filmes do género, mas as coisas vão-se encaminhando no bom sentido, o que resulta numa história capaz, onde quem vê fica sempre a desejar que corra tudo bem com as duas miúdas, principalmente com Emma. Embora, no filme, seja referido que a irmã mais velha talvez não fosse capaz de fazer pela mais nova, aquilo que esta fez por ela. O que se sente é que a mais nova é melhor pessoa do que a mais velha, foi isso que passou cá para fora, apesar de gostarem uma da outra.

No papel da irmã mais nova, Sofia Black D'Elia representa uma menina doce e simpática, muito diferente de Stacey. Emma segue sempre todas as regras e é toda certinha, mas acaba sempre por ser arrastada pela irmã para maus caminhos. Mas a jovem actriz tem a melhor interpretação do elenco, eu adorei a sua personagem. Já Analeigh Tipton como Stacey, é a típica irmã rebelde que não respeita os pais nem ninguém, sempre metida em confusões por ela criadas, a jovem é uma espécie de ovelha negra da família. Ainda assim, as duas meninas gostam imenso uma da outra e protegem-se mutuamente, a química aqui resulta muito bem, seja como actrizes, seja enquanto personagens irmãs. De referir ainda que esta última teve uma interpretação bastante aceitável. Depois, temos um clima de tensão que percorre todo o longa que resulta muito bem, eu mesmo me senti totalmente penetrado naquilo que estava a acontecer diante dos meus olhos. É um filme que dá que pensar, e se um dia isto viesse a acontecer, algo deste tipo, que afectasse a população humana. Gostei bastante deste filme. 


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Road To Nowhere

Nome do Filme : “Road To Nowhere”
Titulo Inglês : “Road To Nowhere”
Titulo Português : “Sem Destino”
Ano : 2010
Duração : 120 minutos
Género : Romance/Thriller
Realização : Monte Hellman
Produção : Monte Hellman/Melissa Hellman
Elenco : Tygh Runyan, Dominique Swain, Shannyn Sossamon, John Diehl, Cliff Young, Waylon Payne, Rob Kolar, Fabio Testi, Nic Paul, Mallory Culbert.

História : Mitchell Haven é um realizador que descobre o argumento perfeito para o seu filme na história verídica de dois amantes malditos : a jovem e belíssima Velma Duran e o político americano Rafe Taschen, envolvidos num escândalo de fraude, que culmina no trágico suicídio de ambos. Mitchell, fascinado com o enredo e mais ainda pela personagem de Velma, encontra na desconhecida Laurel Graham, a encarnação da beleza e carisma que procura para a sua personagem central. Mas com o passar do tempo, e cada vez mais envolvido na trama, a linha entre a ficção e a realidade começa a esvanecer-se.

Comentário : Existem, por vezes, filmes que contam histórias de filmes dentro de filmes, é o caso deste. Confesso que deixei este filme passar na altura, devido ao facto de não lhe ter prestado muita atenção, passou-me despercebido. Não sendo um grande filme, é uma obra razoável que se vê bem, embora no início custe a entranhar. Por vezes confusa, é uma história dentro de outra história. Por um lado, temos a equipa que está a filmar e a produzir o filme e depois temos os acontecimentos do tal filme que está a ser feito, embora seja mais do primeiro caso. Só para terem uma pequena ideia, no princípio aparece os dados técnicos do filme que está a ser feito e não do filme de Monte Hellman. Sobre o elenco, são elas quem mais se destacam. Dominique Swain está muito bem no seu papel, enquanto que Shannyn Sossamon irradia sensualidade com a sua beleza, gostei das interpretações destas duas, com destaque para a segunda. Por seu turno, o actor Tygh Runyan possui a melhor interpretação no que ao elenco masculino diz respeito. Gostei da fotografia e do facto deste filme ser também uma homenagem à sétima arte, visto mostrar em certas cenas os bastidores das filmagens de uma produção cinematográfica. Assim, assistimos à maneira como é filmada uma cena e como é trabalhado o argumento. A determinado momento, a confusão instala-se porque os dois filmes são cuidadosamente baralhados, embora se perceba claramente aquilo que se passa ou pelo menos assim pareça. Resta-me dizer que o filme possui um ritmo um pouquinho lento, mas isso aqui funciona como um elogio. Gostei.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A Special Day

Nome do Filme : “Una Giornata Particolare”
Titulo Inglês : “A Special Day”
Titulo Português : “Um Dia Inesquecível”
Ano : 1977
Duração : 106 minutos
Género : Drama
Realização : Ettore Scola
Produção : Carlo Ponti
Elenco : Marcello Mastroianni, Sophia Loren, John Vernon, Patrizia Basso, Alessandra Mussolini, Tiziano De Persio, Maurizio Di Paolantonio, Antonio Guerrieri, Nicole Magny.

História : Em 6 de Maio de 1938, em Roma, Mussolini e Hitler encontram-se pela primeira vez. Com o marido e os filhos fora a celebrar o acontecimento histórico, Antonietta, uma solitária e resignada dona de casa, cruza-se acidentalmente com um vizinho seu, Gabriele, um ex-locutor de rádio. À medida que o dia avança para a noite, Antonietta e Gabriele vão desenvolvendo uma relação muito especial.

Comentário : Estive quase para não ver este filme italiano realizado e bem pelo conceituado Ettore Scola, mas optei por embarcar na viagem e gostei bastante do que vi. Gosto de Marcello Mastroianni como actor e também sempre gostei do trabalho de Sophia Loren enquanto actriz, não só eles tiveram bons desempenhos aqui, como a química entre os dois funcionou muito bem. A nível da história, também saímos daqui muito bem servidos, o argumento é intrigante e faculta cenas engraçadas, por exemplo, a sequência em que ele e ela brincam com um dos lençóis no terraço. O encontro também se deu porque o pássaro dela fugiu da gaiola, caso isso não tivesse acontecido, muito dificilmente os dois tinham se conhecido e muito menos as coisas se tinham proporcionado daquela maneira. O filme também diz muito de como as coisas eram nos anos trinta e quarenta, as mulheres estavam apenas destinadas a cuidar da casa e dos filhos menores e os homens estavam apenas destacados a trazer dinheiro para casa através do trabalho, muitas vezes, não tratavam as esposas da forma mais correcta. Veja-se uma frase proferida a meio do filme : “Vamos sair daqui, os homens não são para estar numa cozinha”, isto dito por ela. No início do filme, temos imagens de arquivo de época da visita dos dois líderes e das pessoas que os estavam a ver nas ruas. Gostei mesmo deste filme, disse-me imenso daquela época e acabou por me proporcionar um bom momento de cinema. Um último apontamento, este filme foi nomeado para duas estatuetas douradas : melhor actor e melhor filme estrangeiro.

In The White City

Nome do Filme : “Dans La Ville Blanche”
Titulo Inglês : “In The White City”
Titulo Português : “A Cidade Branca”
Ano : 1983
Duração : 108 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Alain Tanner
Produção : Alain Tanner/Paulo Branco
Elenco : Bruno Ganz, Teresa Madruga, Julia Vonderlinn, José Carvalho.

História : Paul é um operário de um navio que anda em viagem. Ele aproveita que o barco atraca num cais em Lisboa e decide ir conhecer a cidade. Hospedado numa pensão, Paul passa os dias a passear por Lisboa, a filmar aquilo que gosta de ver, enviando as filmagens e cartas para uma namorada que tem na Suíça. Um dia, a empregada da pensão mostra interesse nele e Paul vê a sua vida mudar.

Comentário : Realizado por Alain Tanner, produzido por Paulo Branco e filmado principalmente em Lisboa, este filme agradou-me bastante. E não apenas porque é filmado na grande e bonita cidade de Lisboa, mas também porque possui uma boa interpretação de Bruno Ganz e uma excelente prestação da então ainda bonita Teresa Madruga. Aliás, Bruno Ganz e Teresa Madruga estão muito bem neste filme, já para não falar da excelente química entre eles. Gostei de ver imagens da minha cidade, eu nunca me canso de ver Lisboa, seja de que maneira for. Foi com grande alegria que revi o eléctrico 28 de antigamente, tantas vezes que andei naquela linha. Podiam ter mostrado outras partes de Lisboa, mas já foi muito bom o pouco que nos deram a ver. O filme também pode funcionar como uma espécie de homenagem à sétima arte ou ao acto de filmar em si, afinal, o protagonista tem o hábito de filmar com uma camara, pequenas fitas de 8 mm que envia para a namorada no estrangeiro. O realizador filma o dia e a noite de uma parte específica da capital portuguesa da forma peculiar. Pessoalmente, gostei de acompanhar a jornada de Paul, para isso ajudou a história interessante, fruto de um argumento muito bem escrito. A situação da facada e do tempo de ausência não foi devidamente explicada, mas a atitude de Rosa é bastante verossímil e foi bem aceite. Também gostei da banda sonora e adorei a sequência em que Paul se apresenta aos pais de Rosa e os três tentam se entender sobre aquilo que dizem uns aos outros, essa parte é muito bonita. Um filme que me preencheu, gostei bastante. 


Moana

Nome do Filme : “Moana”
Titulo Original : “Moana”
Titulo Português : “Vaiana”
Ano : 2016
Duração : 107 minutos
Género : Animação/Aventura
Realização : Ron Clements/John Musker
Elenco : Auli'i Cravalho, Dwayne Johnson, Rachel House, Nicole Scherzinger, Temuera Morrison, Jemaine Clement, Alan Tudyk.

História : À muitos anos, numa ilha da Polinésia, vivia Moana, a única filha de um chefe de uma longa linhagem de navegadores. De espírito aventureiro e apaixonado, o maior desejo dela era explorar o mundo e navegar pelo oceano. Apesar de todos os avisos do pai, que desejava que ela seguisse os seus passos como líder da tribo, a rapariga, que tinha em si muita força e coragem, não se coibia de sonhar com grandes façanhas. Subitamente, quando a ilha e o seu povo corriam perigo, ela percebeu que chegou o momento de transpor os limites do recife, salvar a sua aldeia e procurar respostas para as perguntas que sempre a atormentaram.

Comentário : Quem me acompanha neste espaço já sabe que eu adoro animação japonesa e não ligo muito aos filmes animados que os estúdios americanos produzem. No entanto, existem uns que chamam a atenção, como é o caso deste. Outra coisa, não percebo esta insistência, e eu já não falo em tendência, de alterarem geralmente para pior os títulos originais da maioria dos filmes ou por vezes de acrescentar sub-títulos. Neste caso, se o titulo do filme é o nome de uma pessoa, porque motivo alterar drasticamente, gostava que quem manda me respondesse a isto. Eu gostei imenso deste filme de animação : pela história e pela mensagem nele contidas; pelo visual do filme que é estonteante; pelo facto da personagem principal parecer humana; pelos cenários e vivacidade da água onde tudo parece verdadeiro; pela qualidade da imagem e, por último, por causa da própria Moana, eu adorei esta personagem e tudo nela me encantou. Ela é uma personagem cheia de vida, cativante, envolvente, corajosa, bonita, encantadora, consegue que quem a vê ganhe facilmente empatia com ela e seja a favor da sua jornada e entenda as suas decisões e motivações. E o mais importante, Moana não está em busca de um príncipe encantado, a adolescente não tem qualquer interesse amoroso, ela ama a vida e nasceu para ser livre. Nos aspectos negativos, temos excesso de cenas musicais, humor a mais e um caracol brilhante muito enervante. Para espanto meu, gostei bastante deste filme, mas são muito poucos os filmes de animação americanos que eu gosto. Para finalizar, claramente que não me podia ir embora sem dizer que a jovem Auli'i Cravalho é linda. 


domingo, 16 de abril de 2017

Graduation

Nome do Filme : “Bacalaureat”
Titulo Inglês : “Graduation”
Titulo Português : “O Exame”
Ano : 2016
Duração : 128 minutos
Género : Drama
Realização : Cristian Mungiu
Produção : Cristian Mungiu
Elenco : Adrian Titieni, Maria Victoria Dragus, Lia Bugnar, Malina Manovici, Vlad Ivanov, Rares Andrici, Petre Ciubotaru, Alexandra Davidescu, David Hodorog.

História : Romeo, médico numa pequena aldeia, sempre fez tudo para que a sua filha, Eliza, pudesse estudar no estrangeiro quando terminasse o ensino secundário. Ele está prestes a ver o seu sonho concretizar-se, porque ela ganhou uma bolsa para estudar psicologia numa universidade inglesa. Para isso, só precisa de passar nos exames finais com boas notas. Um dia antes do primeiro exame, Eliza é atacada e quase é violada, esse ataque pode colocar em risco o seu futuro. Romeo tem que resolver a situação, mas nenhuma das soluções passa por usar os valores e princípios que ele, enquanto pai, sempre transmitiu à filha.

Comentário : Na noite passada vi este filme romeno que é realizado por um cineasta do qual eu já vi alguns filmes, pode dizer-se que eu gosto do seu trabalho e mais uma vez fiquei satisfeito. Gostei deste filme e confesso que tive pena quando ele terminou, por mim, continuava a ver mais e mais. A fita possui um clima bastante envolvente que me fez penetrar a fundo na história e estar sempre na expectativa do que iria acontecer a seguir. Tudo segue a um ritmo um pouquinho lento, embora sempre apelativo e para isso contribuiu o argumento muito bem escrito e focado nos detalhes. Basicamente, o que aqui temos é um pai que está disposto a fazer o necessário para garantir o futuro da filha, mesmo que os métodos usados não sejam os mais correctos. Sendo ele próprio um pecador no que à vida de casado diz respeito, não se priva de corrigir a filha nas atitudes dela que ele julga estarem erradas. É um filme calmo, nunca se propõe ao choque e nem é essa a intenção do realizador, este quer somente nos transmitir uma mensagem. No papel principal, temos um Adrian Titieni bastante competente, nós chegamos mesmo a compreender as suas atitudes, apesar de alguns não as aceitarem. No papel de filha, encontramos uma também eficaz Maria Victoria Dragus, fiquei realmente satisfeito com a interpretação desta bonita jovem actriz, ela nos transmitiu na perfeição os dramas, as incertezas e a insegurança da sua Eliza. Bom filme, recomendo. 

The Boys Are Back

Nome do Filme : “The Boys Are Back”
Titulo Inglês : “The Boys Are Back”
Titulo Português : “Só Eles”
Ano : 2009
Duração : 105 minutos
Género : Drama
Realização : Scott Hicks
Produção : Greg Brennan
Elenco : Clive Owen, Nicholas McAnulty, George MacKay, Emma Booth, Laura Fraser, Julia Blake, Natasha Little, Nakia Pires, Emma Lung, Chris Haywood, Erik Thomson.

História : Joe é um viúvo que está a criar o filho sozinho, mas a sua situação piora quando surge o filho adolescente, fruto de uma anterior relação, para morar com eles.

Comentário : Foi à uns anos que vi este filme, mas somente agora resolvi voltar a vê-lo e vir comentá-lo aqui neste espaço. Antes de mais, confesso que gosto bastante do actor Clive Owen, sendo “Children Of Men”, o meu filme preferido dele. Este filme que venho aqui comentar basicamente é sobre a paternidade, que é uma coisa maravilhosa, quem tem filhos e gosta de ser pai, sabe daquilo que eu estou a falar. Não é fácil ser-se mãe solteira e calculo que ser pai solteiro seja ainda pior, o que temos aqui é a história de um homem cuja esposa faleceu vitima de um cancro e que se vê na situação de ter que criar sozinho de um menino pequeno. Mais uma vez, Clive Owen arrasa, gostei bastante de o ver aqui. O actor contracena lindamente com os pequenos e nos faculta um pai viúvo bastante convincente. No papel de pequeno protagonista, Nicholas McAnulty vai muito bem, é um menino muito querido e está à vontade no seu complexo personagem. Pelo contrário, não gostei nada da interpretação e do personagem de George MacKay, ele não convence no seu registo, para além de ser muito antipático e eu não engoli aquela parte da invasão da casa e muito menos a postura do jovem. Emma Booth é muito bonita e teve a terceira melhor prestação do filme, adorei a sua personagem e lamentei que ela não tivesse um determinado final. Trata-se de uma fita bastante agradável e comovente. Um último apontamento, este filme é baseado em acontecimentos reais.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Life Of Riley

Nome do Filme : “Aimer, Boire Et Chanter”
Titulo Inglês : “Life Of Riley”
Titulo Português : “Amar, Beber E Cantar”
Ano : 2014
Duração : 107 minutos
Género : Drama
Realização : Alain Resnais
Elenco : Sabine Azema, Sandrine Kiberlain, Caroline Silhol, Hippolyte Girardot, Andre Dussollier, Michel Vuillermoz, Alba Gaia Kraghede Bellugi.

História : No condado de Yorkshire, Inglaterra, três casais são abalados pela triste notícia de que George Riley, um amigo em comum, sofre de uma doença terminal e que lhe restam somente seis meses de vida. De forma a aliviar a dor de Riley e proporcionar-lhe alguma alegria nos últimos meses, os seis decidem convidá-lo para se juntar ao seu grupo de teatro amador. O que ninguém esperava era que aquela aproximação fizesse vir ao de cima muitas histórias do passado que iriam alterar a dinâmica entre cada casal.

Comentário : Estes dois filmes de Alain Resnais funcionam como uma espécie de homenagem ao mundo do teatro e às peças teatrais. No caso deste último filme do realizador, temos praticamente seis actores em cena que são sempre os mesmos em variados cenários, com a particularidade do George Riley do título nunca aparecer, embora tudo gire em torno dele. Mais uma vez, eu senti-me totalmente abrangido pela história, o argumento é muito bom, fazendo com que eu ficasse sempre colado ao ecrã. Todos os seis actores que compõem o elenco estão muito bem nos seus respectivos papéis. Lá pela marca da metade da segunda parte do filme, as coisas arrefecem um pouquinho, mas rapidamente o realizador consegue novamente levar a água ao seu moinho e voltamos a ter interesse pela situação. Os cenários onde a maioria das sequências são filmadas são bastante originais, por vezes, parece lembrar mesmo o próprio espaço do teatro. Aquele twist que envolve a filha de um dos três casais é a melhor coisa do filme, funcionou para mim como uma grande surpresa, twist esse que depois nos faculta a última cena da fita que é brutal. Gostei bastante destes dois últimos filmes de Alain Resnais.

You Ain't Seen Nothin Yet

Nome do Filme : “Vous N'Avez Encore Rien Vu”
Titulo Inglês : “You Ain't Seen Nothin Yet”
Titulo Português : “Vocês Ainda Não Viram Nada”
Ano : 2012
Duração : 115 minutos
Género : Drama
Realização : Alain Resnais
Elenco : Michel Piccoli, Mathieu Amalric, Sabine Azema, Anne Consigny, Pierre Arditi, Anny Duperey, Jean Noel Broute, Lambert Wilson, Denis Podalydes, Michel Robin, Hippolyte Girardot, Jean Chretien Sibertin Blanc.

História : Antoine D'Anthac é um famoso dramaturgo que, após a sua morte, deixa um inesperado convite aos amigos que, em algum momento da sua carreira, participaram nas suas várias encenações de uma peça de teatro. Em testamento deixa também uma declaração em que lhes pede que orientem os actores de uma jovem companhia que espera voltar a encenar a mesma peça e que precisa de aconselhamento. Assim, à medida que eles se envolvem com os jovens actores e as suas personagens, as memórias são reavivadas e os sentimentos regressam como se o tempo jamais tivesse passado.

Comentário : Fiquei bastante satisfeito com este filme que somente hoje tive oportunidade de ver. É um filme francês muito original. Todos os actores principais surgem aqui a fazer deles mesmos e que, por sua vez, estão a representar outros. Assim, os actores famosos são chamados e reunidos em casa de um encenador amigo deles e convidados a assistirem a uma peça que está a ser representada por uma outra companhia de actores, peça essa que já foi encenada por eles mesmos em outras ocasiões. E, enquanto assistem à peça, todos eles relembram e revivem a maior parte das cenas. Basicamente, é isto que podemos encontrar neste filme de Alain Resnais. Eu senti-me totalmente envolvido no filme, confesso que gostei mais de vê-los representar as cenas, do que da história em si. Todos tiveram interpretações de grande qualidade. Já conhecia quase todos de outros filmes. Temos planos muito eficazes e satisfatórios. Tudo se segue muito bem, eu nunca perdi o interesse naquilo que estava a ver durante as quase duas horas de projecção. A tal peça de teatro fala de uma história de amor, o foco do filme é quase sempre a companhia antiga de teatro e não o pequeno grupo que se inspirou neles e que estão a ser vistos pelos primeiros. Os diálogos são muito bons e a química entre os vários actores resulta. Por último, temos um twist final que nos é mostrado, mas logo depois é-nos desmentido e eu confesso que fiquei sem perceber a condição actual do famoso dramaturgo. Grande filme.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sing Street

Nome do Filme : “Sing Street”
Titulo Inglês : “Sing Street”
Titulo Português : “Sing Street”
Ano : 2016
Duração : 106 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : John Carney
Produção : John Carney/Martina Niland/Anthony Bregman
Elenco : Ferdia Walsh Peelo, Lucy Boynton, Kelly Thornton, Maria Doyle Kennedy, Jack Reynor, Aidan Gillen, Mark McKenna, Ian Kenny, Ben Carolan.

História : Na Dublin dos anos 80, um rapaz inadaptado cria uma banda musical com alguns amigos para impressionar uma misteriosa rapariga de quem gosta muito.

Comentário : Último filme da trilogia da música realizada por John Carney. Bastante melhor do que o anterior, este terceiro filme está quase ao mesmo nível do primeiro. O realizador volta a baralhar-nos as voltas e muda novamente as coisas, dando um filme diferente do primeiro e do segundo. Agora, temos miúdos a fazer música e a formar uma banda musical. Todos os miúdos estão bem, com destaque para o protagonista. Eu adorei esse filme, gostei da maneira como eles se apresentam vestidos e pintados para gravar os vídeos ou até para saírem à rua, adorei a maioria das canções, gostei da história e confesso que este filme representou uma agradável surpresa para mim. John Carney consegue assim inovar mais uma vez e nos surpreender com este seu novo filme, fiquei emocionado em algumas partes, destaque merecido para toda a relação que se cria entre o protagonista e a rapariga. Apesar de algumas saídas cómicas desnecessárias, quase tudo neste filme me convenceu, até gostei do irmão do vocalista. Com drama à mistura, é um filme que nos põe bem dispostos. A química entre os actores que formam a banda também funcionou muito bem, é um grupo fantástico e carismático. Seria engraçado se eles se juntassem e gravassem um disco a sério. O final é um pouco arranjado demais, mas até isso funcionou. Gostei bastante. John Carney encerrou a sua trilogia com chave de ouro. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Begin Again

Nome do Filme : “Begin Again”
Titulo Inglês : “Begin Again”
Titulo Português : “Num Outro Tom”
Ano : 2013
Duração : 104 minutos
Género : Drama
Realização : John Carney
Produção : Judd Apatow/Anthony Bregman/Tobin Armbrust
Elenco : Mark Ruffalo, Keira Knightley, Hailee Steinfeld, Adam Levine, James Corden, Catherine Keener, Yasiin Bey, Andrew Sellon, Marco Assante, Mary Catherine Garrison, Shannon Walsh, David Abeles, Melissa Maria Gonzalez, Maddie Corman, Aya Cash, Jennifer Li.

História : Gretta e Dave são dois namorados e parceiros na composição de músicas que partem para Nova Iorque, quando ele consegue um contrato com uma grande empresa discográfica. No entanto, Gretta é traída e abandonada por Dave que se deixa envolver pelo sucesso. Ela conhece um homem chamado Dan, um ex-executivo discográfico completamente falido e em desgraça. Os dois iniciam um novo trabalho juntos.

Comentário : Segundo filme da trilogia da música de John Carney, desta vez, o realizador muda o tom do tipo de filme e dá-nos uma coisa algo diferente da primeira fita. Pessoalmente, acho que este segundo filme é o mais fraco dos três, ainda assim razoável. Podemos contar com mais música e com uma história que gira em torno disso. Desta vez, temos uma mulher que foi traída e abandonada pelo namorado e temos um pai fracassado na vida que também percebe de música, e os dois conhecem-se e juntam-se para gravar um disco de uma forma peculiar. Nunca simpatizei com a actriz Keira Knightley e ainda não foi com este filme que fiquei a gostar dela, mas confesso que ela está bem neste seu papel. Mark Ruffalo está bastante aceitável neste registo, ele convence. E Hailee Steinfeld e Catherine Keener reforçam o elenco principal com duas boas prestações de apoio ao casal protagonista. O filme funciona bem ao tratar da música como assunto principal, mas falha por não ter uma história minimamente interessante, eu não fiquei devidamente empolgado. Tem igualmente uma ou outra canção agradável, sendo possuidor de ideias cativantes. Funciona como filme, mas pedia-se algo mais. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Once

Nome do Filme : “Once”
Titulo Inglês : “Once”
Titulo Português : “No Mesmo Tom”
Ano : 2007
Duração : 85 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : John Carney
Produção : Martina Niland
Elenco : Glen Hansard, Marketa Irglova, Hugh Walsh, Gerard Hendrick, Alaistair Foley, Geoff Minogue, Bill Hodnett, Denuse Ktrestova, Mal Whyte, Marcella Plunkett, Niall Cleary, Kate Haugh.

História : Quando um músico de rua, com o coração partido, simpatiza imediatamente com uma bonita e enérgica teclista, este casal, fora do comum, decide que não tem nada a perder. Durante uma semana totalmente eléctrica, o duo compõe, interpreta e grava um grupo de músicas.

Comentário : O realizador John Carney fez três bons filmes sobre música e este é o primeiro. É também o meu preferido da trilogia. Já o vi à uns bons anos e ainda hoje me encanta. Devido às brutais prestações de Glen Hansard e Marketa Irglova, por causa das belíssimas canções, devido ao argumento simples e também a todo um tom de realismo que envolve toda a película. Na verdade, tudo parece muito real, verdadeiro e humano, parece que estamos a viver esta história. Tal como disse, trata-se de um filme independente detentor de uma história muito simples, mas grandiosa na sua mensagem e no conteúdo. A canção “Falling Slowly” que o duo protagonista canta naquele piano na loja de instrumentos do amigo dela, é uma música linda, fiquei totalmente rendido a ela, os meus ouvidos amaram-na. As histórias pessoais dos dois protagonistas são totalmente convincentes, o cineasta conseguiu que quem vê o filme, sentisse as suas vivências. A empatia entre os dois protagonistas funcionou na perfeição, diria mesmo que melhor era impossível, a maneira como eles se relacionam convence, parecem duas pessoas reais. Nota-se claramente que se trata de um filme independente, não somente pela maneira amadora de filmar, como também pela presença de pequenos erros em detalhes mínimos. É um filme que foca bem a importância da música nas nossas vidas e como nós precisamos dela. Possivelmente, o melhor filme realizado por John Carney. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Francisco – El Padre Jorge

Nome do Filme : “Francisco – El Padre Jorge”
Titulo Inglês : “Francis : Pray For Me”
Titulo Português : “Francisco – O Padre Jorge
Ano : 2015
Duração : 105 minutos
Género : Biográfico/Drama/Histórico
Realização : Beda Docampo Feijóo
Produção : Pablo Bossi
Elenco : Dario Grandinetti, Silvia Abascal, Naia Guz, Gabriel Gallicchio, Anabella Agostini, Leticia Bredice, Mariano Bertolini, Alejandro Awada, Christian Arrieta, Marina Belaustegui, Justina Bustos, Ana Garibaldi, Laia Grandinetti, Maria Ibarreta, Leonor Manso, Jorge Marrale, Marcos Montes, Carola Reyna, Blanca Jara.

História : Na sua juventude em Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio nunca imaginaria o que o seu futuro lhe traria. Com o passar dos anos, a sua vocação para a fé despertou, principalmente a sua dedicação para aqueles que mais precisam. Começou assim o seu caminho que o levaria a ser o Sumo Pontífice da Igreja Católica, o Papa Francisco. Um homem que se tem dedicado a trazer a Igreja de novo para perto dos seus fiéis.

Comentário : Se tudo correr bem, o Papa Francisco vem a Portugal no próximo mês e é mais que boa altura para vir comentar um filme que fala de como ele era antes de se tornar no Santo Padre. Sou um grande admirador do Papa Francisco, ele é um excelente ser humano e lamento fazer parte do grande grupo de pessoas que não o poderão ver pessoalmente. Gostei também deste filme biográfico e histórico sobre a sua pessoa, é uma fita elucidativa que nos mostra mais ou menos como era o Papa Francisco antes de se tornar no Papa do Povo, ou seja, quando ainda era apenas o Padre Jorge ou simplesmente Jorge Mario Bergoglio. O filme fala também de Ana, a jornalista que se tornou amiga dele, ela privou com Jorge Bergoglio e mais tarde com ele enquanto Papa Francisco e foi ele quem mais a apoiou na sua decisão de ser mãe solteira de uma linda menina. É um filme cujo argumento está muito bem escrito, apesar da narrativa deambular entre presente e passado constantemente. Tão depressa assistimos a cenas do passado do protagonista, como de repente temos sequências do “tempo actual” dele, com maior incidência neste último, claramente. Neste filme, são explicadas muitas coisas sobre ele, principalmente aquelas que provam que Jorge Bergoglio sempre foi uma boa pessoa e um homem muito simples. No papel do protagonista, temos um bastante competente Dario Grandinetti, que nos convence com a sua graciosidade. Enquanto que no papel de Ana, Silvia Abascal também está muito bem e a empatia entre os dois é notável. Para todos os apreciadores do Papa Francisco, este é um filme especial e essencial. 


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Dersu Uzala

Nome do Filme : “Dersu Uzala”
Titulo Inglês : “Dersu Uzala - The Hunter”
Titulo Português : “Dersu Uzala – A Águia da Estepe”
Ano : 1975
Duração : 140 minutos
Género : Aventura/Biográfico/Drama
Realização : Akira Kurosawa
Elenco : Yuriy Solomin, Maksim Munzuk, Mikhail Bychkov, Vladimir Khrulev, Stanislav Marin, Igor Sykhra, Vladimir Sergiyakov, Yanis Yakobsons.

História : Um explorador russo, Vladimir Arseniev que, no início do século XX, durante uma expedição à Sibéria, com o objectivo de fazer um levantamento topográfico da região, encontra e torna-se amigo de Dersu Uzala, uma espécie de caçador nómada que conhece aquelas florestas como ninguém e que lhe servirá de guia.

Comentário : Um dos melhores filmes de Akira Kurosawa, contudo, não dos mais falados. Eu gostei bastante desta fita, quase todo o filme decorre em cenários naturais, não existe nada de fundos verdes por aqui. Este filme faz ver a muitos que se fazem hoje em dia pois prova que, com poucos recursos, é possível fazer-se uma grande obra cinematográfica e neste caso os efeitos especiais não foram necessários. É um filme de aventura que é também baseado em acontecimentos verdadeiros, esta é uma história real, Dersu Uzala existiu de verdade e neste filme é abordada a amizade dele com o Capitão Arseniev. Eu fiquei fascinado com a forma como tudo nos é contado e mostrado por Kurosawa, mais realista que isto é praticamente impossível. Dersu Uzala era um homem sem maldade nenhuma, ele era realmente amigo de quem lhe fazia bem e teve um triste fim. Apesar dos esforços do Capitão para que ele se habituasse a viver na cidade, Dersu não gostava de tal modo de vida e optou por outra via. Foi curioso ver em filme esta enorme e poderosa amizade que aconteceu de verdade, muitos detalhes são aqui mostrados, ficamos a saber quanto poderosa pode ser uma relação entre duas pessoas. A natureza tem um papel essencial no filme, ela é mesmo uma espécie de personagem. A realização é boa, temos excelentes planos abertos, a sensação que dá é que nada ficou ao acaso. Para mim, foi muito gratificante seguir esta jornada, um dos melhores filmes que vi.

domingo, 2 de abril de 2017

Sieranevada

Nome do Filme : “Sieranevada”
Titulo Alternativo : “Sierra-Nevada”
Titulo Português : “Sieranevada”
Ano : 2016
Duração : 170 minutos
Género : Drama
Realização : Cristi Puiu
Produção : Anca Puiu
Elenco : Mimi Branescu, Judith State, Bogdan Dumitrache, Dana Dogaru, Sorin Medeleni, Ana Ciontea, Rolando Matsangos, Mirela Apostu, Ilona Brezoianu, Ioana Craciunescu, Valer Dellakeza, Aristita Diamandi, Simona Ghita, Marin Grigore, Tatiana Iekel, Petra Kurtela, Catalina Moga.

História : Três dias após o ataque terrorista nos escritórios da revista Charlie Hebdo e quarenta anos após a morte do seu pai, Lary, um neurologista no auge da sua carreira, prepara-se para passar o seu sábado numa reunião de família para assinalar a data e celebrar o falecido. Mas a ocasião não corre de acordo com as expectativas.

Comentário : Trata-se da quinta longa metragem do realizador romeno Cristi Puiu e eu confesso que gosto da sua maneira lenta de filmar e da forma cordata com que apresenta os seus filmes. Apesar de não serem do agrado da maioria, os seus filmes dão sempre que pensar e aqui os temas abordados possuem um papel fundamental. Mas o que temos aqui é uma reunião familiar onde é suposto tudo correr bem, no entanto as coisas saem dos carris e muitos familiares vão-se enervar. Temos aqui toda uma composição muito bem montada, parece que está tudo no seu devido lugar, com cada elemento do elenco a desempenhar o seu papel. Na verdade, gostei das interpretações de todos eles, embora os mais velhos tenham tido melhores desempenhos. O cineasta continua a merecer destaque em relação à maneira como filma as suas histórias, temos uma camara que penetra a fundo no interior desta habitação familiar e vai entrando e saindo sistematicamente de divisão em divisão, mostrando o que se passa e soando tudo o que se ouve e aquilo que eles dizem nas suas conversas ou discussões. É como se a camara estivesse num drone e levitasse pelos locais necessários a captar o essencial. O filme é muito longo, por exemplo, a sequência do padre demora imenso, se tivesse apenas cinco minutos, seria o suficiente. Tem uma sequência de uma grande discussão na rua por causa dos carros que resulta muito bem. O filme tem ainda o mérito de tudo parecer muito realista. Bom filme, recomendo. 

The Love Witch

Nome do Filme : “The Love Witch”
Titulo Inglês : “The Love Witch”
Ano : 2016
Duração : 120 minutos
Género : Drama/Romance
Realização : Anna Biller
Produção : Anna Biller
Elenco : Samantha Robinson, Gian Keys, Laura Waddell, Jeffrey Vincent Parise, Robert Seeley, Randy Evans, Jennifer Ingrum, Lily Holleman, Clive Ashborn, Jennifer Couch, Stephen Wozniak, Giselle DaMier, Elle Evans, Micaela Griffin, Dani Lennon.

História : Elaine perdeu um homem recentemente e, para tentar superar essa perda, muda-se para uma nova cidade. Ela acha-se uma bruxa e usa feitiços para conseguir que todos os homens caiam aos seus pés e façam tudo o que ela quiser.

Comentário : Este filme é uma homenagem às séries dos anos sessenta e à forma de filmar e de se usar a cor dessa altura. Possivelmente devido a isso, o que nos é aqui oferecido é algo completamente novo no que à actualidade diz respeito. Pessoalmente, fiquei bastante surpreso com este filme e de forma positiva. Gostei muito desta história e de ter seguido a trama desta estranha personagem, devo mesmo dizer que ganhei facilmente uma empatia pela protagonista não por aquilo que ela faz, mas sim por aquilo que ela representa. O filme abarca dois temas, o amor e a bruxaria, e os dois foram muito bem trabalhados pela realizadora, que também escreveu e produziu o longa. Temos portanto uma trama envolvente, que nos insere na vida de uma jovem bruxa que procura ser amada pelos homens, mas que nem sempre usa os métodos mais apropriados para isso. É um filme muito estranho, bizarro por vezes, mas que se segue muito bem e penso inclusive que o tema da bruxaria foi tratado de forma muito peculiar e eficaz, sem aquelas tretas do costume. A própria Elaine em si, é uma personagem muito original, é muito fácil nos afeiçoarmos a ela, independentemente daquilo que ela faz ser bom ou mau. Ela parece agir de forma natural às maldades que vai fazendo. E tudo graças ao carisma da actriz Samantha Robinson, que além de ter a melhor interpretação da fita, é o melhor que este filme tem para nos oferecer. 

100 Metros

Nome do Filme : “100 Metros”
Titulo Inglês : “100 Meters”
Titulo Português : “100 Metros”
Ano : 2016
Duração : 109 minutos
Género : Drama
Realização : Marcel Barrena
Produção : Tino Navarro
Elenco : Dani Rovira, Karra Elejalde, Alexandra Jimenez, Alba Ribas, Clara Segura, David Verdaguer, Bruno Bergonzini, Manuela Couto, Marc Balaguer, Gael Diaz, Maria de Medeiros, Ricardo Pereira.

História : Ramon vê tudo ruir à sua volta quando recebe o diagnóstico de esclerose múltipla já em estado avançado. Dedicado à família e ao trabalho, não consegue imaginar-se dependente dos cuidados de quem quer que seja. Mas o corpo não pára de lhe dar sinais de debilidade e, a acreditar na avaliação dos médicos, dentro de um ano será incapaz de andar cem metros. Depois de uma fase de sentimento de derrota e autocomiseração, ele decide questionar as limitações do seu corpo. Ele inscreve-se numa prova de triatlo composta por natação, bicicleta e corrida. Com a ajuda do sogro, Ramon dá início a um treino em que se vê todos os dias sujeito a grandes esforços para tentar superar os seus limites.

Comentário : Depois de ter visto esta co-produção entre Portugal e Espanha, posso dizer que gostei daquilo que vi, é um filme que está muito bem conseguido em vários aspectos e que possui uma boa mensagem a tirar dele. O que aqui vemos é baseado numa história verídica, ainda assim não o consideraram um filme biográfico. É gratificante e emocionante acompanharmos o percurso de Ramon ao longo da fita, somos convidados a conhecer a trajectória deste homem, ficamos a conhecer a sua família, o seu emprego, os seus dramas e dificuldades, a sua doença, enfim, a sua vida. Não conheço a história original que inspirou este filme, mas penso que estamos perante uma boa adaptação para cinema de uma história que podia acontecer a qualquer um de nós. Não é fácil alguém ter que lidar com uma doença complicada, porque afecta profundamente os nossos quotidianos e as nossas vidas e o actor Dani Rovira conseguiu aqui nos transmitir na perfeição os dramas e problemas da sua personagem, grande prestação. O actor que desempenhou o seu sogro e a actriz que fez de sua esposa também estiveram impecáveis, bem como todo um grupo de secundários bastante competente. E Maria de Medeiros também deu um importante contributo ao filme, gostei imenso de a ter visto neste registo. E a grande mensagem incutida no filme é que, com grande esforço e sacrifício, conseguimos resultados. No fim, podemos contar com a aparição do verdadeiro visado e também com um genérico final muito original.

Almost Adults

Nome do Filme : “Almost Adults”
Titulo Inglês : “Almost Adults”
Titulo Português : “Quase Adultas”
Ano : 2016
Duração : 90 minutos
Género : Drama
Realização : Sarah Rotella
Elenco : Natasha Negovanlis, Elise Bauman, Justin Gerhard, Winny Clarke, Mark Matechuk, Pujaa Pandey, David John Phillips.

História : Cassie e Mackenzie são as melhores amigas, mas enquanto uma assume-se como sendo lésbica, a outra termina a relação com o namorado e começa a procurar emprego.

Comentário : Trata-se de um filme bastante interessante sobre o fim da adolescência e início da vida adulta cuja história gira em torno de duas amigas de infância que têm que decidir o que querem da vida, têm que crescer, que se tornar adultas. Cassie é a mais madura, enquanto que Mackenzie tem a mentalidade mais jovem e não está muito segura sobre o que quer para a vida. As duas actrizes que lhes dão vida interpretaram bem os seus papéis e a química entre elas é perfeita. A realização é boa e o argumento tem a particularidade de nos agarrar ao ecrã, na medida em que estamos sempre na expectativa daquilo que irá acontecer a seguir. Podemos contar com cenas lésbicas que são muito agradáveis aos nossos olhos, pessoalmente, adorei. Ainda sobre as prestações, temos também todo um grupo de secundários bastante eficaz e enquadrado nos seus papéis, com destaque justo para o jovem actor Justin Gerhard. Podia ter mais meia hora de duração que eu não me importava, estava a gostar tanto do filme, que fiquei chateado por ter terminado, mas acabou bem. É um filme que fala sobre a vida, sobre aquilo que somos, sobre as escolhas que fazemos e cujas consequências temos que viver com elas, enfim, uma obra emocionante. Um último reparo, a sequência da grande discussão delas está muito realista. Não podia encerrar este meu comentário sem frisar que as duas raparigas protagonistas são muito bonitas.